As 5 doenças mais comuns no frio

03.06.2019

Em pediatria é bem conhecido o fato de que no frio aumenta a frequência de várias doenças nas crianças.


Alfonso Eduardo Alvarez

Pneumologista pediátrico, mestre e doutor em saúde da criança e adolescente pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e palestrante na área de pediatria e pneumologia pediátrica. Pesquisador, possui artigos científicos e capítulos de livros publicados.

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As 5 doenças que mais aumentam no frio são:

1) Infecções de vias aéreas superiores

As infecções de vias aéreas superiores representam uma grande porcentagem dos problemas de saúde das crianças, principalmente nos primeiros anos de vida, sendo uma enorme preocupação para os pais.

Estas infecções compreendem os resfriados, as gripes, as otites (infecções de ouvido), as sinusites (infecção dos seios da face) e as faringoamigdalites (infecções de garganta). Como a maioria dessas infecções é viral, NÃO é necessário o tratamento com antibiótico.

Esses quadros começam com secreção nasal, as vezes tosse e podem ou não ser acompanhados por febre. Caso a febre persista por mais de 48h ou os sintomas não melhorem em 5/7 dias, a criança deve ser examinada para que o pediatra defina se o quadro é viral ou bacteriano. No caso de otite, faringoamigdalite ou sinusite bacteriana, é necessário tratamento com antibióticos.

Confira aqui as dúvidas mais frequentes sobre essas infecções.

2) Bronquiolite

A Bronquiolite é a inflamação dos bronquíolos, parte final dos brônquios, antes de chegar aos alvéolos, onde é feita a troca de oxigênio pelo gás carbônico. Acomete crianças nos 2 primeiros anos de vida e é a principal causa de internação em menores de 1 ano. A Bronquiolite é causada por vírus, sendo o principal o Vírus Sincicial Respiratório, responsável por 40 a 80% dos casos.

Em geral, o quadro é precedido por sintomas de vias aéreas superiores, como nariz escorrendo, podendo ou não ocorrer febre. Na evolução do quadro, a inflamação dos bronquíolos causa sua obstrução, o que vai dificultar a passagem do ar. Desta forma, os sintomas serão tosse, dificuldade respiratória e chiado no peito.

O quadro pode ser desde muito leve (secreção nasal e tosse discreta) a grave (insuficiência respiratória e necessidade de internação). Ainda, 5% das crianças com bronquiolite necessitam internação, e destas, 2% evoluem à óbito.

A bronquiolite geralmente é autolimitada e o tratamento depende da gravidade da doença. A maioria das crianças pode ser tratada em casa. A internação será necessária se ocorrer desconforto respiratório grave ou incapacidade para manter hidratação adequada. Quando a internação é necessária o principal aspecto do tratamento é o suporte com oxigênio, feito geralmente através de um cateter nasal. Além disso deve ser mantida uma hidratação adequada, preferencialmente por via oral, ou, se necessário por sonda nasogástrica ou via endovenosa.

Confira aqui mais informações sobre Bronquiolite.

3) Pneumonia

Infecção nos pulmões, ou seja, ocorre quando o microorganismo atinge os alvéolos, onde é feita a troca de oxigênio pelo gás carbônico. Os sintomas são tosse, em geral com catarro, e febre. A infecção levará a inflamação nos alvéolos, dificultando a oxigenação e se for extensa, pode levar à dificuldade respiratória e falta de ar. O diagnóstico é feito por uma ausculta cuidadosa pelo pediatra, e pode ser confirmado com radiografia de tórax.

A Pneumonia pode ser viral ou bacteriana, dependendo deste fator para a ação de antibióticos. Caso seja grave, a ponto de causar queda na oxigenação, a criança deverá ser internada para receber oxigênio.

 

4) Rinite Alérgica

Para crianças que já apresentam Rinite Alérgica, a frequência das crises tende a aumentar muito no frio. Os sintomas são secreção e obstrução nasal, coceira no nariz e espirros.

As crises devem ser combatidas com antialérgicos, mas se forem frequentes, deve ser realizado um tratamento preventivo, através da utilização de sprays nasais, de uso diário, que podem ser mantidos durante todo o outono e inverno.

 

5) Asma

Assim como acontece com a rinite, a frequência das crises também tende a aumentar no frio. Os sintomas da asma são tosse, que pode ser seca ou produtiva, chiado no peito, o qual pode ou não ocorrer, e, às vezes, dificuldade respiratória.

As crises devem ser combatidas com broncodilatadores de utilização inalatória. Em casos mais graves, são necessários corticoides orais. Assim como na rinite alérgica, caso as crises sejam frequentes, deve ser realizado um tratamento preventivo, através da utilização de sprays inalatórios, de uso diário, que podem ser mantidos durante todo o outono e inverno.

Leia também:

“80% das crianças deixam de ter os sintomas da asma até os 6 anos”

“Doutor, por que meu filho tosse tanto?

Como prevenir essas doenças?

No caso das infecções de vias aéreas superiores, bronquiolite e pneumonia, o fundamental é evitar lugares fechados com muita gente, principalmente nos 2 primeiros anos de vida.

Já com a rinite alérgica e com a asma, a frequência das crises aumenta no frio pois a criança fica mais tempo dentro de casa, estando mais expostas a poeira doméstica e ácaros. Desta forma, é fundamental redobrar os cuidados com a limpeza da casa. Além disso, as mudanças bruscas de temperaturas, típicas dessa época do ano, e também o ar seco, podem agir como desencadeantes das crises. Nesse sentido, vale a pena utilizar um umidificador de ambiente.

Quadros de infecções de vias aéreas superiores também podem desencadear as crises, assim sendo, evitando lugares fechados com muita gente, indiretamente estamos também prevenindo as crises de rinite alérgica e asma.

 

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