Pai cria loja de brinquedos para crianças autistas
Rafael Abreu Mendes
Pai do Francisco e do Joaquim, 10 anos
“E eu sentia falta de não ter esse tipo de material em casa, para que a estimulação recebida nas sessões de terapia, também continuasse em casa.”
Pai cria loja de brinquedos para crianças autistas
Francisco, gêmeo idêntico de Joaquim (neurotípico), se desenvolveu normalmente até os dois anos de idade. Rapidamente, seu comportamento foi mudando, o olhar estava distante, a falta de interesse pelo próximo era nítida, a fala, normal para a idade, sumiu. O silêncio reinava, só quebrado pelo choro e as sessões de pirraça, principalmente quando era contrariado.
Fomos atrás de uma neuropediatra que atendia pelo plano de saúde, para tentar entender o que estava acontecendo. Essa primeira experiência não foi nada boa, pois mesmo com os resultados dos exames dentro da normalidade(mapeamento cerebral, exames auditivos, etc) o diagnóstico preciso não chegava. A médica por sua vez, só fazia receitar medicações e a cada dia parecia piorar o quadro de Francisco.
Essa peregrinação durou um ano. Conseguimos por indicação, marcar uma consulta com uma neuropediatra que é referência nacional no tratamento de autismo, inclusive com livros publicados sobre o assunto. Na primeira consulta, já tendo Francisco 4 anos e meio, veio o diagnóstico que ele era portador do Transtorno do Espectro Autista. A princípio, ficamos assustados, preocupados, angustiados, nos culpando por alguma coisa, assim como todos os pais devem se sentir ao receber essa notícia. Ela nos orientou em como poderíamos ajuda-lo, e que caminho deveríamos seguir para o desenvolvimento do nosso filho.
Começamos então as buscas, terapias, fonoaudiólogos, leituras, cursos e tudo o que era relacionado ao autismo, tentando absorver o máximo de informação possível, até conseguir entender com mais clareza o que seria esse até então desconhecido autismo, que hoje faz parte de nossas vidas. Começava aí uma nova vida para mim e minha esposa.
Recebemos orientação da neuropediatra,de que a terapia ocupacional seria de suma importância para o desenvolvimento do nosso filho. Com muita abdicação, conseguimos que ele fosse atendido pelas melhores equipes de profissionais do Rio de Janeiro. A clínica indicada pela neuropediatra, utilizava o método FloorTime, no qual Francisco se adaptou bem, por ser um método lúdico e que gerava grande prazer ao mesmo.
O FloorTime é uma proposta de intervenção que utiliza uma série de brincadeiras que estimulam a criança a construir uma base sólida no seu processo de desenvolvimento. Como no FlorTime a participação dos pais e responsáveis é indispensável na sala de terapia, eu acompanhei muitas sessões na clínica. A técnica do FloorTime foi desenvolvida nos Estados Unidos, e muitos materiais, brinquedos e acessórios que eram utilizados nessa terapia, eram importados pela própria clínica. Procurei muitos dos produtos no Brasil, inclusive na internet, mas sem sucesso.
E eu sentia falta de não ter esse tipo de material em casa, para que a estimulação recebida nas sessões de terapia, também continuasse em casa, pois é onde ele está a maior parte do tempo. Comprei uma máquina de costura, e com ajuda da minha sogra, confeccionei a primeira Lycra Sensorial do meu filho, e em seguida, importei alguns materiais e brinquedos que meu filho adorava utilizar nas sessões na clínica.
Percebi que o problema que eu passei, muitos pais podem estar passando também, e com o objetivo de facilitar o acesso à esse material, e consequentemente ajudar no desenvolvimento de muitas crianças, nasceu a Alma Azul.
O nome foi escolhido pois acredito que minha alma está ligada à do meu filho, e azul é a cor que simboliza o autismo(pois a maior incidência de casos acontece no sexo masculino). Hoje já temos mais de 70 produtos específicos para esse público, e já atendemos todos os estados do Brasil.
Nossa maior bandeira é atender bem o cliente, e dar todo o suporte que ele precisa no pré e no pós venda. Estamos estudando parcerias para incluir também materiais dos métodos ABA, TEACCH e PECS, além de aumentar nosso portifólio de produtos que possam ajudar no desenvolvimento dos nossos pequenos.
Gostaria de agradecer à atenção das leitoras do Mães Amigas! Caso tenham alguma dúvida ou sugestão entre em contato conosco através do e-mail sac.almaazul@gmail.com
Pai cria loja de brinquedos para crianças autistas
