“Meu filho levou uma picada de cobra!”
04/12/2017 (Atualizado em 07.12.2018) – Quero compartilhar a minha experiência com vocês, apesar de ter passado por dias angustiantes. Acho que vocês conhecem aquele velho ditado: “é melhor pecarmos por excesso do que por faltaâ€. Depois do dia em que o meu filho levou uma picada de cobra, eu acho que vou sempre pecar pelo excesso.
Denise Rossi
Mãe do Pedro (7), que levou a picada, e do Bruno (5)
“Foi quando ele pisou em um monte de folhas secas. Debaixo delas, estava escondida uma jararaca de mais ou menos 1 metro e meio!”
“Meu filho levou uma picada de cobra!”
Acordamos muito cedo naquele sábado de 14 de outubro de 2017. Todos nós estávamos felizes, porque Ãamos passar um dia diferente, em meio à natureza. Fizemos todo um roteiro.
Durante a manhã, uma caminhada na trilha até uma cachoeira. Depois, um longo e saboroso piquenique, enquanto as crianças brincavam pelo parque e os adultos jogavam conversa fora, entre amigos. Na volta, quem sabe uma pizzaria para finalizar o dia?!
Fomos ao parque do Cabuçu, na Serra da Cantareira, em São Paulo. Eu, meu marido, meus dois filhos e mais um casal de amigos, com seu filho de 6 anos.
O passeio foi a convite desse casal de amigos, mas ninguém conhecia o local ainda. Chegamos ao Parque por volta da 10:30 da manhã. O clima estava perfeito para uma caminhada! Caminhamos por 1h até a cachoeira e, quando chegamos lá, as crianças se divertiram um monte. Era uma cachoeira pequena, mas bem agradável para refrescar e curtir a manhã do nosso passeio.
Quando começou a bater aquela fominha, resolvemos voltar. Caminhamos por mais 1h e meia. Fiquei espantada com o pique da criançada… muito mais fôlego do que nós, adultos!
Chegando perto da área de piquenique, meu marido parou e foi mostrar um esquilo que estava em uma árvore para o Bruno, nosso filho menor. O Pedro, que estava bem à frente, resolveu voltar para ver o pequeno esquilo também. Foi quando ele pisou em um monte de folhas secas e levou uma picada de cobra. Começava, assim, a tortura do nosso dia.
Debaixo daquelas folhas secas, havia uma cobra jararaca de mais ou menos 1 metro e meio! Meu marido viu e começou a gritar “olha a cobra, a cobra!!â€, e empurrou as três crianças para a longe.
Após alguns metros de distância, o meu filho Pedro, o maior, comentou que ele havia sido picado. Foi o maior susto das nossas vidas! Quando olhamos para o tornozelo dele, vimos todo aquele sangue. Esticamos sua perninha, jogamos bastante água e logo apareceu a marca das duas presas da cobra.
Nosso amigo saiu correndo para chamar o socorro, e a segurança do Parque chegou com o carro após 15 minutos de espera. Deixei meu filho menor no parque, com o nosso casal de amigos, e eu e meu marido fomos ás pressas levar o Pedro para o hospital mais próximo. Foram cerca de 30 minutos até chegarmos no Hospital de Guarulhos HM1.
O Pedro foi atendido rapidamente. Nesse perÃodo, ele já estava gritando de dor. Como não tÃnhamos foto da cobra – e muito menos ela em mãos -, foi necessário fazer um exame de sangue para comprovar a espécie que o havia picado e a quantidade de veneno que ela tinha inserido no meu filho.
Pelo peso do Pedro, haviam calculado 3 ampolas de soro antiofÃdico, mas quando chegou o resultado do exame, foi necessário dar a ele 8 ampolas de soro. Havia muito veneno no sangue dele!
Após 1 hora e meia da picada, o Pedro começou a receber o soro. Eu nunca passei por uma aflição tão grande na minha vida!! Ficar vendo a perninha dele inchar, ficar roxa, ele gritando de dor e não poder fazer nada… somente muita oração à Deus pedindo sua proteção.
O Pedro foi transferido, em seguida, para o Hospital da Criança. Lá ele ficou por 2 dias na UTI, em observação. O meu marido ficou com ele nesse perÃodo, e eu voltei para nossa casa, em Campinas (SP), com o meu filho menor.
No terceiro dia, o Pedro foi transferido para o quarto e eu fui ficar com ele no hospital por mais dois dias, quando ele finalmente teve alta.
Levamos o nosso filho para se recuperar em casa. Foi uma felicidade sem tamanho!!! Meu Deus, que alÃvio!
Ele ficou sem conseguir colocar o pé no chão por uns 10 dias, e a perna desinchou completamente após 15 dias de repouso.
Agora vocês me entendem quando eu digo que, a partir desse dia, eu vou pecar por excesso?
Não quero que ninguém vire uma neurótica e não leve nunca mais seus filhos para um passeio em meio a natureza. Não é isso!!! Mas sim para pensar que estamos sujeitos a tudo, e pesquisar muito bem o lugar antes (seja ele qual for) é fundamental!
No nosso caso, o que era pra ser um dia perfeito de repente se transformou em quase uma tragédia. Hoje tudo voltou ao normal. O Pedro não teve nenhuma sequela, graças a Deus!
Picada de Cobra – O que fazer?
Primeiros socorros:Â
– Lavar o local da picada apenas com água, sabão ou soro fisiológico.
– Manter o paciente deitado e o mais calmo possÃvel, pois ficar agitado faz com que o sangue se espalhe mais rápido, e consequentemente, o veneno também.
– Manter o paciente hidratado, dando pequenos goles de água à ele.
– Procurar o serviço médico o mais rápido possÃvel.
– Se possÃvel, levar o animal para identificação (morto ou vivo). Se não for possÃvel tente filma-lo ou fotografa-lo. A identificação do animal, por uma pessoa capacitada, ajuda a descobrir qual soro o paciente deverá receber, já que cada cobra precisa de um soro diferente.
O que NÃO FAZER em um atendimento de Primeiros Socorros:
– Não faça sucção do veneno, porque isso é mito.
– Não faça torniquete ou garrote.
– Não corte o local da picada.
– Não coloquer folhas, pó de café ou outros contaminantes na ferida.
– Não ofereça bebidas alcoólicas à vÃtima.
– Não dê qualquer medicamento à vÃtima.
Procure um hospital!
O mais importante, em qualquer situação de picada de animais peçonhentos, é deslocar a vÃtima o mais rápido possÃvel para o hospital, para que ela possa receber o soro adequado de acordo com o tipo de peçonha da cobra.
Fonte: Fui acampar. Clique aqui para ler mais.
