Violência sexual contra a criança

30.01.2014 – Violência Doméstica e Abuso Sexual. Já conversamos anteriormente sobre o que é Violência Doméstica Contra a Criança e Adolescente, mas vamos recapitular?

O que caracteriza a Violência Doméstica é o abuso de poder do mais forte – o adulto, para o mais fraco – a criança.

Um ponto muito importante da Violência Doméstica é que as crianças que sofreram violência poderão se tornar adultos vitimizadores. Autores especializados na área escrevem acerca desta trágica possibilidade. Se você tiver interesse em saber um pouco mais a respeito, deixarei as referências bibliográficas para consulta. Segundo PAIVA, SILVA e SILVA, 2001 – in ABRAPIA, relata em seus escritos “MARATONA DE DINÂMICA DE GRUPO – SEXUALIDADE AO LONGO DA VIDA”, na página 34, um histórico sobre o abusador de violência sexual, como segue

“As pesquisas americanas mostram que a maioria dos agressores sexuais foram vítimas de abuso sexual na infância e, aproximadamente 50% deles, tiveram pais ausentes psicologicamente, o que caracteriza terem sofrido negligência emocional/afetiva”.

Ainda segundo a autora,

“Abusadores sexuais têm duas vezes mais chances de terem sido vítima de abuso físico do que a população em geral, e sete vezes mais chances de terem sido abusados sexualmente”.

Esse é um aspecto bastante sério e complexo, e precisa ser tratado com muita atenção. Quando uma criança sofre algum tipo de violência, é extremamente necessário que ela possa ter acesso a profissionais que possam ajudá-la nesse processo doloroso e difícil de entendimento e transformação da vida. É imprescindível que a criança possa ter acesso a uma equipe multidisciplinar, indicação de psicoterapia e, em alguns casos, atendimento psiquiátrico.

Hoje vamos falar a respeito da Violência sexual contra a criança

Muitas pessoas acham que a violência sexual é a pior de todos os tipos de violência, pois “viola” o corpo. Mas não só o corpo é violado e mexido, mas a mente também, constituindo um outro tipo de violência, que é a psicológica. Vou então esclarecer os dois tipos de violência, vamos lá??

Violência Sexual: Falar obscenidades, expor a criança a materiais pornográficos (fotos, revistas e filmes), esfregar-se, tocar ou manipular partes íntimas com o objetivo do prazer, forçar a criança a praticar atos pornográficos, usar a criança ou adolescente para obter prazer sexual, manter relação sexual com ou sem penetração, com ou sem violência.

Violência Psicológica: Ameaçar, amedrontar, gritar, acusar, xingar, zombar, criticar, humilhar, discriminar e exigir demais de uma criança.

Mas, como será que ocorre?

Começa com a facilidade de acesso e as oportunidades criadas pelo abusador para estar a sós com a criança. Infelizmente, quase sempre o abusador é alguém da família ou uma pessoa que a criança/adolescente conhece, confia e ama. A autoridade que os adultos supostamente têm mostra para a criança que a atitude que está sendo proposta é aceita e normal. Além disso, a criança se sentirá importante participando de uma atividade com um adulto que ela gosta.

Violência sexual contra a criança

Existe também o oferecimento de coisas e ou atividades que a criança gosta como brinquedos, doces, passeios, jogos etc. O abusador usa desse artifício para atrair a criança de forma voluntária e coagi-la (psicologicamente) a não contar para ninguém dizendo que “esse é nosso segredo” ou ameaças mais invasivas como “se você contar para alguém, vão me matar ou eu te mato”, estabelecendo, dessa forma, o sigilo da situação.

Com os encontros, esse abuso vai se tornando progressivo, começa com brincadeiras e vai aumentando o contato físico. Exposição do corpo, carícias, beijos……….

Escutamos muitas vezes, na mídia e em outros lugares, o adulto abusador dizer que a criança o seduziu, que ela estava de roupa decotada, que a culpa é dela, mas digo que todas essas falas são mito. A criança não tem a malícia de provocar/seduzir um adulto no sentido do prazer. O adulto é quem precisa conter seus instintos e entender o que está despertando em si esse tipo de desejo.

A violência sexual cria um ciclo de silêncio entre a vítima e o abusador que é inexplicável, até que o ato é descoberto, ou a criança ou adolescente por força e resiliência consegue romper esse ciclo.

Estatísticas 2011 – Cidade de Campinas

Fonte: Disque Denúncia Campinas

Veja neste link, o gráfico com as dez principais Classes de Assuntos de denúncias registradas no período entre 01/01/2011 e 30/06/2011 (dados da última atualização disponível).

O dever de todos

É dever de todos nós denunciar qualquer tipo de Violência conforme determina as Leis, Constituição Federal no artigo 227 inciso 4º e no Estatuto da Criança e do Adolescente no artigo 4º que também prevê punição não só para os que praticam, mas para aqueles que omitem.

E como podemos fazer?? Podemos fazer denúncias anônimas, onde não precisamos nos identificar.

Disque Denúncia – Campinas: (19) 3236-3040

Disque 100 (Território Nacional)

Conselho Tutelar: 08007701085

 

Referências Bibliográficas

Tilman Furniss – Livro: Abuso Sexual da Criança – Uma abordagem multidisciplinar.

Adriana H. T. Lobato de Paiva, Juçara C Silva, Socorro M C A Silva – Maratona de Dinâmica de Grupo – Sexualidade ao Longo da Vida, 2001.

 

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