UNIVERSO POLYANA: Primeira cicatriz

31.07.2013 – Sábado eu tive a primeira experiência materna onde não consegui ser forte. Miguel levou um tombo no banheiro e cortou a cabeça. Quase enfartei!

Enquanto assistia à novela, marido foi dar banho no Miguel. De longe, só ouvi o choro alto, comprido e de dor. Miguel tinha levado um tombo no banheiro, batido a cabeça e, quando eu vi, sabia que precisaria levar ponto.

A primeira dúvida foi pensar em qual hospital levar, pois ultimamente todos os casos que tenho escutado de pronto socorro são desesperadores. Médicos ou residentes plantonistas mal humorados, sem paciência e dando, por incrível que pareça, muito diagnóstico errado (Sim, é fato! Mães no grupo de debates relatam isso o tempo todo ao passarem nas consultas de PS com plantonistas e depois repassarem com os profissionais que confiam. É vergonhoso, para não dizer desesperador!)

Enfim, escolhi o que mais me deixava segura e fui. No meio do caminho, falei com a pediatra do meu filho que me aconselhou “chegar chegando”. Em casos de suturas, os pacientes têm prioridade no atendimento. De fato, todo o procedimento foi muito rápido.

cicatriz-pontos Ao entrar na salinha médica, recebo a confirmação de dar pontos na cabeça: “Sim mãe, precisará dar ponto”. Meus olhos começaram a lacrimejar. Não pude evitar. Sentia-me completamente fraca, com vontade de ter uma lâmpada mágica, com apenas um desejo: de trocar de lugar com meu filho.

Eu já sabia que, em algum momento, sendo mãe de menino, eu estava sujeita a isso. Mas não imaginava que seria tão cedo, antes dos 3 anos de idade.

A minha segunda pergunta (o qual com certeza o deixou um pouco bravo) foi perguntar (chorando) se ele já tinha feito isso alguma vez. O médio era aparentemente novo e, como mãe, eu não pude evitar. Eu não queria que meu filho fosse a sua primeira experiência “cirúrgica”. Sua resposta foi um tanto seca, mas eu tive certeza que ele já tinha experiência suficiente para cuidar do meu filho…

Enquanto ele se distraia com o Angry Birds no celular e gritava “derrubei tuuuudo, mamãe”, meu coração acelerava. Eu tremia. Eu sou daquelas pessoas que não consegue ver sangue, não consegue ver corte e, muito menos, qualquer procedimento médico. Então, vivenciar tudo isso com a pessoinha que mais amo nesse mundo foi no mínimo desesperador.

O marido seguia ao meu lado. Compenetrado, sério, calado. Eu não sei o que se passava na cabeça dele, mas estava tão concentrada nos meus sentimentos que não conseguia nem compartilhá-los.

Fomos transferidos para a sala da “sutura”. Meu filho tomaria o seu primeiro ponto. Meu Franksteizinho….(tem que rir para não chorar mais!)

Com 02 anos e 08 meses de idade não se espera que uma criança entenda a situação. Eu não estava entendendo, imagine ele. Para tudo dar certo ele tinha que ficar imóvel. E sabe o que isso significava?

Ele foi enrolado em um lençol, (ficou parecendo uma minhoca, só com a cabecinha para fora). Depois o deitaram de bruços, na maca. O pai deveria segurar as perninhas, a mãe os ombros e a enfermeira a cabecinha, assim o médico poderia seguir com os procedimentos: limpar, dar a anestesia local e costurar.

Miguel não parava de chorar. E muito pior do que isso era ouvir “Nãooooo, maaaaamãe”, “Me soltaaaa”, “Papaiiii, não querooo”. Eu tremia. Eu juro que tentava ser forte para passar a minha confiança para ele, mas eu não conseguia. Eu rezava para tudo correr bem. Não era uma cena que eu gostaria de vivenciar. Mas eu estava ali, agachadinha, nariz com nariz do meu filho (contra indicação do médico, que percebeu o meu nervoso e sugeriu que eu não ficasse na sala… Tá louco?!)

cicatriz-sutura
Marido não tirava os olhos do “procedimento”. Como ele consegue? Só de pensar em como estava sendo eu tinha vontade de desmaiar. Internamente eu dizia “acaba logo, acaba logo.”

Não faço idéia de quanto tempo durou. Para mim foi uma eternidade. Eu só queria desenrolar meu filho daquela fantasia de minhoca e abraçá-lo. “Filho parabéns, a mamãe está muito orgulhosa de você! Meu herói. Eu te amo”. E ele “AMA NÃOOOO”. Gente, quase morri! Ele estava bravo, muito bravo. O médico veio se despedir e ele dizia “NÃO QUERO FALAR TCHAU”.

Eu confesso que nem lembro se agradeci o médico. Enquanto o marido pegava as informações finais eu fui acelerando para a saída. Eu só conseguia abraçar o meu filho e dizer o quanto eu o amava.

Em questão de minutos, aparentemente, ele estava bem. Me pediu o celular para continuar jogando, e assim foi, até a nossa casa. Em um passe de mágica, tudo se acalmou. E eu… eu nem sei mais o que pensava de tão nervosa que estava. Psicologicamente eu me sentia cansada.

Sei que essa situação foi muito pequena comparada a muitas histórias que escuto de mães. Me senti com o coração apertado de imaginar o sentimento de mães que passam por cirurgias, por doenças e por mortes inesperadas. Mãe não devia nunca passar por isso.

No mais, estamos bem! Acho que o Miguel nem se lembra da dor do tombo e o que isso lhe causou. Ele apenas diz que caiu e fez dodói na cabeça. Em 10 dias voltamos para retirar os pontos. Espero que não renda uma história como essa.

Ser mãe é padecer no paraíso….! Alguém duvida?! rs

Beijos de uma mãe agora menos aflita, com mais uma história para contar 😉

 

Seu filho bateu a cabeça? Clique aqui para saber o que fazer.

Polyana Pinheiro

Escrito por: Polyana Pinheiro

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