Quando os gritos se tornam violência?
10.07.2013
No nosso ambiente familiar, muitas vezes, guardamos momentos e situações que nem sempre queremos compartilhar com as outras pessoas. Onde será que a violência começa? Quero contar uma experiência de atendimento que tive com uma famÃlia e suas crianças.
As crianças compareciam para os atendimentos e sempre queriam brincar com a casa de bonecas… montavam histórias sobre uma famÃlia, pais e crianças que gritavam, xingavam, se batiam e discutiam.
Pude conhecer a famÃlia toda, no seu ambiente de convÃvio e fiz uma infeliz constatação: aquelas histórias representadas em atendimentos realmente eram momentos que aquelas crianças viviam na vida real, todos os dias.
Será que eles praticavam e sofriam violência?
Sim… gritaria, xingamentos, acusações, crÃticas, humilhações e discussões são considerados violência psicológica, um tipo de violência pouco falado, mas que causa grandes marcas que são levadas para o restante da vida. Esse tipo de violência pode acontecer em vários ambientes: familiar, social (escola, creche) etc.
Crianças que sofrem esse tipo de violência podem apresentar alguns indicativos fÃsicos, tais como: comportamentos imaturos para a idade, distúrbios do sono, dificuldades na fala, enurese noturna, obesidade, falta de apetite.
Existem também outros indicativos, como: comportamentos tÃmidos, agressivos, destrutivos e auto destrutivos, baixa auto estima, isolamento, depressão, ideia e tentativa de suicÃdio, insegurança.
Lembro que esses indÃcios precisam ser diagnósticos por profissional habilitado, se você desconfiar de algum comportamento de seu filho(a) não hesite em procurar ajuda!
Qual o limite para uma conversa virar discussão ou gritaria?
Quem precisa ter o controle da situação são os adultos e não as crianças. Quando você, mãe ou pai começa a se alterar, seja no tom de voz ou nas atitudes, PARE e comece a contar até 10!! Se possÃvel, saia de perto da situação para se acalmar. Com a cabeça quente não conseguimos pensar e, muito menos, ensinar ou agir de forma adequada. Quando a gritaria e as discussões não fazem parte do cotidiano da famÃlia, se você falar um pouco mais alto para chamar a atenção numa desobediência da criança, ela vai entender que o que ela está fazendo não te agrada e vai parar para te escutar… isso acontece aqui em casa!!
Você me pergunta: meu filho tem personalidade forte e não me obedece, o que faço então?
As crianças nos observam desde cedo, cedo mesmo… se você, seu marido, os parentes são assim, falam alto, discutem, seu filho estará observando e aprendendo, pois esses são os exemplos que ele tem. A personalidade também é fator essencial da individualidade da criança, mas a convivência fala bastante forte e acompanha esse desenvolvimento.
Esfriar a cabeça, conversar entre famÃlia (pais e filhos), pedir desculpas se for necessário (isso não é sinal de fraqueza e sim de humanidade) e orientar são os melhores passos para uma nova concepção de educar sem agressão, seja ela verbal ou fÃsica.
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