Puerpério e quarentena, o que fazer?

09.04.2020 – Passar pela gravidez e puerpério é um processo de adaptação. Hormônios a mil, a privação de sono é cruel, encarar uma realidade para a qual a gente não estava completamente pronta, assusta. Como lidar com o puerpério na quarentena?

Confira o relato da mãe amiga Marina Bonsch (mãe-solo do Aruk, é bailarina, pedagoga e educadora física. Atua também como assessora de babywearing e instrutora de pilates), que conta o que passou  na sua gravidez.

A melhor compreensão de cada momento

Ainda são poucos dias que se fala em isolamento social e em não sair de casa aqui no Brasil. Na Itália e em outros países as pessoas já estão proibidas de sair nas ruas, sob pena de multa. Vejo muita gente angustiada e desesperada com esse confinamento. Pra mim não está fácil, com certeza, mas também não é nenhuma novidade. Nem pra mim nem pra maioria das mulheres que escolheram a maternidade.

Quando nasce um bebê é comum que este e sua mãe passem por uma quarentena, como nossas avós chamavam. Hoje chamamos de puerpério principalmente porque não dura quarenta dias. Pode durar menos ou muito mais, tipo dois anos. Nesse período mãe e bebê ficam em casa, com visitas e contatos restritos. A demanda é grande, o cansaço incalculável e a solidão é fato.

Eu me separei ainda grávida e não tenho família na cidade, conto com uma pequena rede de apoio formada por algumas poucas amigas. Passei alguns meses em que era comum eu não falar por dias seguidos com outro adulto, meses calculando e otimizando cada saída de casa porque era quase uma operação de guerra, meses saindo de casa pra buscar interação com outra pessoa que não meu bebe. Algumas sensações são semelhantes com as de agora, como medo, incerteza, angústia e solidão. Mas no puerpério ainda temos toda variação hormonal, a falta de identificação com a auto imagem e com o corpo transformado, os lutos e traumas do parto e gestação, o renascimento de uma nova identidade que ainda vai ser construída, a dependência daquele pequeno ser em apenas você.

O isolamento social neste momento é uma escolha consciente e responsável, em prol da coletividade. Estamos todos isolados em nossas casas, cada um de nós está sentindo essa solidão. Mas ainda que separados estamos juntos passando por essa crise. Mulheres da sociedade moderna passam por isso sempre que são mães, mesmo em famílias grandes, estruturadas e com grande rede de apoio e isso é invisível para a maior parte das pessoas.

Então vejo essa quarentena e isolamento de forma leve. Estamos todos no mesmo barco. Toda a cidade. Todo o país. Grande parte do mundo. E não só as mães com bebês pequenos. Não é tão solitária, não pela minha experiência. E é por um bem muito maior e pra todo coletivo.

Fique em casa. Fiquem juntos. E quando tudo isso acabar quem sabe o puerpério será melhor compreendido.

 

Texto escrito por Marina Bonsch.

Revisado por Madame Conteúdo.

 

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