Problemas que a exposição prolongada à telas pode causar

27.05.2019

O uso de tablets e smartphones, além dos PCs, tornou-se parte constante do dia a dia das pessoas, seja para o trabalho ou para o lazer. Cada vez mais as crianças se distraem e passam horas em frente à telas.

Segundo pesquisa recente do Google, os brasileiros gastam, em média, nove horas diárias navegando na internet. O dado assusta, ainda mais comparado ao expediente de trabalho, que é de oito horas por dia. Em outro estudo, o Comitê Gestor da Internet no Brasil foi mais específico na faixa etária: 80% da população do Brasil entre 9 e 17 anos utilizam a rede.

Além dos aspectos sociais, laborais, intelectuais e emocionais, o hábito pode afetar também o funcionamento do organismo.

Relógio biológico

A oftalmologista Monica Cunha Signorelli, do Centro Campineiro de Microcirurgia, explica que as telas iluminadas desses dispositivos emitem o comprimento de onda de luz azul nociva, a mesma onda liberada pela iluminação artificial como, por exemplo, as luzes de LED, as quais transmitem frequência luminosa parecida com a que recebemos ao meio-dia.

Ela explica que a iluminação do ambiente guia vários ciclos biológicos em nosso corpo, sendo os mais conhecidos, o circadiano (cerca de um dia) e o sazonal (dias longos no verão e noites longas no inverno).

Esse tipo de exposição pode causar confusão em nosso relógio biológico. “Quando acende a lâmpada ou a tela do celular no meio da madrugada, o organismo passa a entender que é hora de despertar”, compara Monica.

Síndrome Visual do Computador

A médica alerta ainda sobre a Síndrome Visual do Computador (SVC), provocada pelo uso de dispositivos tecnológicos por mais de duas horas consecutivas. Apesar de mais frequente entre adultos, os problemas podem se manifestar em qualquer idade.

Os sintomas da SVC são: sensação de olho seco pela redução do movimento de piscar; diminuição da produção de lágrima basal (que mantém a umidade ocular) e visão de imagens mal definidas, borradas ou em duplicidade.

“A baixa lubrificação ocular causa ardência, coceira e vermelhidão. Ocorre ainda o lacrimejamento, reflexo para compensar o ressecamento. Piscamos até 60% menos quando estamos diante da tela do computador”, ressalta a especialista.

A SVC ainda relaciona outros sinais aos quais se deve atentar, conforme orientação da médica, como sensação de peso nas pálpebras, dor de cabeça frequente pelo esforço visual e dor cervical agravadas pela má postura.

Miopia

A alta exposição aos dispositivos móveis pode fazer surgir – ou aumentar a miopia, de acordo com Monica.

“Quando utilizamos o celular muito próximo aos olhos podem ocorrer erros de refração quando em seguida direcionamos o nosso olhar para pessoas que estão a alguns poucos metros de distância. Isso desencadeia um esforço excessivo de acomodação ocular, o foco visual”, justifica.

A doutora salienta que quem possui miopia, hipermetropia ou astigmatismo e não usa óculos quando está em frente à TV ou ao computador, é mais afetado pela fadiga visual.

“Os músculos internos dos olhos atuam como uma espécie de zoom para a captura da imagem. Este movimento é repetitivo e continuado”, descreve.

Segundo a Academia Americana de Oftalmologia, em 2050, metade da população mundial será míope. Além da hereditariedade, muitos oftalmopediatras apontam que o uso prolongado do computador e da TV na infância e adolescência contribui para o desenvolvimento da miopia.

Monica alerta: “como os efeitos da exposição à luz azul são cumulativos e aceleram o envelhecimento dos tecidos oculares, aumenta o risco de ter DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade) e o surgimento precoce de catarata”, observa.

 

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