Como orientar seu filho contra a pedofilia e abuso infantil?

16.05.2014 – A violência não escolhe suas vítimas… já os abusadores têm em mente o alvo a ser atingido ou o objetivo a ser alcançado. Triste realidade do mundo e, mais especificamente, do nosso país e não longe de todos nós.

O Projeto de Lei que torna hediondo o Crime de Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes foi aprovado pelo Plenário da Câmara na última quarta-feira (14/05/2014). Esse é um grande passo no caminho que percorremos para efetivar a responsabilização e Garantir os Direitos das nossas Crianças e Adolescentes. Agora só falta a sanção da Presidente Dilma (confira detalhes nas matérias da Revista Veja e do JusBrasil).

Além disso, dia 18 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, então, vamos refletir sobre o assunto?

Ahh você sempre pensa que isso não acontecerá com você ou com as pessoas que estão ao seu lado? Gostaria de compartilhar com você esse pensamento, de que nossa família nunca seria atingida por nada, estaria livre de todo tipo de violência, mas, na verdade, estou aqui para te alertar que isso pode, sim, acontecer.

Que tal caminhar comigo para um horizonte diferente, erguer seus olhos e poder ver que, no meio de tanta tristeza, sofrimento e tragédias, poderemos passar por elas garantindo que nossa indignação e revolta com essas situações possam ser adaptadas e transformadas em algo chamado garantia de direitos?

Como podemos orientar nossos filhos a não serem alvos fáceis de pessoas com más intenções?

Os noticiários e a mídia põem à prova a nossa força em permanecermos imunes a muitas situações. Pensarmos que situações parecidas podem acontecer conosco nos deixa, por vezes, em pânico e nossa cabeça começa a “passear” e pensar em diversas situações como: abuso sexual, violência física e psicológica, por exemplo.

Aí surge a maior dúvida das nossas vidas… Como conversar com meu filho a respeito disso? Mas, ele é tão pequeno, será que vai entender?  Mas, ele é tão pequeno, ninguém vai fazer mal a ele…. Muitas perguntas e poucas respostas…

A idade da criança não inibe a ação de um abusador. Bebês, crianças, mulheres e adultos são alvos dessas pessoas independente da idade.

Como orientar seu filho contra a pedofilia e abuso infantil? Vamos às possíveis respostas, ou melhor, uma possibilidade de como conversar com nossos pequenos sobre esses assuntos tão difíceis. É assim que converso com meu filho.

Primeiro, tive que aprender a falar desses assuntos de uma forma natural. Será que é possível? É necessário.

Falar sem ansiedade, com tom de voz normal e policiar as palavras… Como assim?

Um exemplo: Um menino mexendo em seu “pipi” ou bumbum e uma menina mexendo em sua “perereca” ou bumbum , a mãe pode gritar e dizer: Menino, não mexe aí!! Ou: Por que tá mexendo aí?? Ou: Tira a mão daí!!

Aprendi a dizer, com tom de voz normal e fala pausada, sem dar muita ênfase ao pipi: Filho, tá coçando ou doendo o pipi? A resposta dele é: Não, mamãe, e logo tira a mão e não retorna mais. Quando damos ênfase ao assunto, aumenta a curiosidade da criança sobre o mesmo e, por vezes, isso não é necessário no momento. Esse tipo de relação estabelece confiança e, quando ele precisar saber mais, vai te perguntar.

Quem pode tocar nas áreas íntimas?

Geralmente, essa dúvida aparece na hora do banho e da higiene. Dizemos que são a mãe, pai, avós e a professora da escola. Mas, como as estatísticas nos mostram, os maiores abusadores são conhecidos e da intimidade da criança, então, cuidado nessa hora. Falo para meu filho que o pipi e o bumbum são partes do nosso corpo sensíveis e que, se ele precisar de ajuda na escola para limpar, para chamar a professora, mas que não pode machucar e, no banho, também independente de quem estiver junto, e se acontecer algo diferente para ele me contar. Falo também que existem pessoas más que machucam as pessoas e que, se isso acontecer, é pra ele gritar e pedir ajuda.

Sempre tento estabelecer uma relação com meu filho de confiança, pois questões sobre palavrões, alguma coisa que outra criança diz ou faça, como por exemplo falar de sexo, beijo na boca entre outras situações ele poderá me contar e aí eu posso explicar de forma mais tranquila e orientá-lo na conduta a seguir. Tem dado certo aqui em casa, espero que possa ajudar você também!

projeto “Pedofilia: não feche os olhos para isso”

A jornalista Michelle Occiuzzi esteve ontem, dia 15 de maio, em uma palestra do projeto “Pedofilia: não feche os olhos para isso”. O evento foi realizado na sede da ABIHPEC, em São Paulo, e contou com a participação de Marcelo Ribeiro, autor do livro recém-lançado ​“Sem medo de falar – relato de uma vítima de pedofilia”, coordenadores do projeto e representantes do Instituto ABIHPEC.

 1222900-250x250​“Sem medo de falar – relato de uma vítima de pedofilia”

Marcelo passou por um trauma na adolescência. Dos 12 aos 15 anos foi molestado pelo maestro do coral da igreja. Hoje, aos 40 anos, conseguiu absorver essa história e buscou diversas maneiras de ajudar as crianças que ainda passam por situações como as que ele passou. Como a justiça é lenta, ele resolveu, com muita coragem e enfrentando os próprios medos e angústias, quebrar o silencio e falar… Falar sem medo… E escreveu um livro contando a sua história. Saí ontem do evento com uma mensagem importante da palestra: Precisamos falar, conversar e orientar os nossos filhos de uma maneira clara, objetiva, natural e sincera. E para qualquer denúncia, ligue 100 e ajude uma criança! Acreditem, a dor começa na infância e, infelizmente é carregada por toda a vida.

Deixo com vocês algumas frases do Marcelo Ribeiro que me marcaram:

“Falar é a base do combate à pedofilia”.

“É através da informações que mães e pais podem tomar conhecimento para entender qual é a função deles no combate à pedofilia”.

“Todo mundo imagina que o abusador é o tarado da rua… mas, na verdade, muitas vezes, ele está dentro de casa”.

“Contei para a sociedade que eu havia sido molestado só aos 42 anos. Levei 30 anos para entender o que havia acontecido. A criança tem que saber o que é isso. Quando acontecer, ela precisa saber que existe um abusador perto dela. Eu tive um apoio da minha mulher para eu poder retomar todas essas lembranças. Sem o amor dela, eu não teria conseguido”.

“Aos 9 anos, minha mãe ficou feliz que eu fui fazer parte ao coral da igreja, pois, aos 8 anos, eu machuquei os meus olhos e me curei, portanto, ela achava que eu, participando do coral, seria uma maneira de retribuir o milagre que Deus me deu. Ela era uma beata e ajudava em várias ações do coral. Naquela época, quando uma criança errava, levava uma punição… um croc na cabeça… enfim! Era uma maneira de diciplinar. Aos 12 anos, eu era dominado pelo meu maestro… e isso contribuiu para a aproximação dele. Primeiro, foi um beijo e eu gostei, pois achei que fazia parte do “processo de disciplina do coral”. Uma criança não é erótica mas erógena e isso faz com que as coisas fiquem confusas”.

pedofilia e abuso infantil“Quando chegou o sexo… Algo me dizia que não estava certo… pois ninguém podia ver, era escondido… Eu não queria que ninguém soubesse. Isso era parte da minha obediência. Isso fazia parte do coral… obedecer o professor”.

“A criança não pensa em falar pois ela não sabe ao certo”.

“Às vezes, o abuso está acontecendo e, às vezes, a criança não vai dar o sinal… Pois ela não está no dilema de contar ou não…  é algo que ela não conhece!”.

“Chegou uma fase que eu não queria contar para ninguém e nem queria que ninguém soubesse… Pois além do abuso, era um abuso homossexual”.

“Não estava claro para mim que eu estava vivendo um abuso e, sim, estava vivendo “o coral”. Eu me aproximei dele. Fui viajar com ele e ele me abusava diariamente. Eu tinha 15 anos e ninguém duvidava de um religioso. Foi quando eu decidi não obedecer, fugir, arrumar artifícios… Um dia eu neguei obedecê-lo e ele me deu um tapa na cara e eu usei esse tapa para gritar “Não me toque mais”. Eu não queria dizer aos meus pais o porquê eu não queria mais fazer parte do coral, afinal, era importante isso para a minha mãe, e eu convivi com ele por mais 9 meses… Um dia minha mãe foi comprar a passagem para mim e ela me perguntou se eu queria voltar e eu disse “tanto faz” e ela respondeu “então você não vai” (afinal, ela era uma mulher atenta às nossas reações) e nunca mais quis falar sobre esse assunto, nunca mais deixei ninguém se aproximar de mim”.

“Entrei em contato com algumas crianças (hoje adultos) do coral e descobri várias histórias iguais às minhas. Esse maestro ainda está solto e, provavelmente, pegando outras vítimas. O que eu quero com o meu livro é ajudar essas crianças”

Depoimento de Mãe Amiga

Após um caso de abuso na escola de seu filho, a Mãe Amiga Maria Carolina Sae participou de uma palestra educativa e compartilha conosco as principais recomendações da psicóloga. As informações sobre o caso estão publicadas neste link no jornal Folha de Alphaville.

“Confesso que nunca havia pensado sobre isso a não ser quando via alguma notícia na TV ou jornal e, mesmo assim, isso para mim era algo tão distante da minha realidade que nunca imaginei conversar sobre isso ou ensinar meu filho de 3 anos a se proteger da pedofilia.

Há um mês, uma denúncia na escola do meu filho abalou a estrutura de muitas famílias e de uma instituição séria de ensino. Sinto hoje que somos todos vítimas, pois nosso filhos estão sujeitos à esse tipo de abuso em qualquer lugar. NÃO, GRAÇAS A DEUS, MEU FILHO NÃO FOI A VÍTIMA, mas poderia ter sido pois as vítimas eram suas colegas de escola, de JARDIM.

Enquanto pais, nos organizamos, tomamos medidas para entender o que tinha ocorrido e viemos trabalhando junto à escola para melhorar as brechas de segurança que possam ter facilitado esse crime.

A escola, também vítima, pois, apesar de todo o cuidado, esses predadores podem estar em qualquer lugar, colabora com polícia e o Ministério Público e, por medida preventiva, demitiu qualquer funcionário suspeito do ato ou de omissão ao ato em si.

Para nós, pais, após o trauma inicial, a escola ofereceu uma palestra para prevenção de abusos com a psicoterapeuta Claudia Bruscagin.

Compartilho com vocês algumas dicas do que eu ouvi na palestra.

РDevemos ensinar desde cedo nossos filhos que eles devem se proteger, coisas como ningu̩m pode tocar voc̻ na vagina ou no p̻nis, por exemplo.

– Devemos ensinar nossos filhos o nome de suas genitálias assim como ensinamos olho, nariz, ouvido etc. Tratar isso como inexistente faz com que a crianca tenha vergonha de falar caso tenha sido tocada, por exemplo.

– Frases como: aí é um lugar íntimo, só seu. Se alguém pedir para mexer, você tem que dizer não e chamar a mamãe ou alguém de confiança.

– Brincar de “E SE”. E se alguém te chamar para ir ao banheiro e pedir para você tirar a roupa? / E se você se sentir com medo ou vergonha de alguma coisa que você fez, você sabe que pode confiar na mamãe, certo?

– Evitar SEGREDOS, ensinar que em família não há segredos. A frase mais comum de pedófilos é: “Esse é nosso SEGREDINHO”.

– Colocar de forma lúdica as informações sobre esse assunto, por meio de histórias e desenhos.

– Acreditar e confiar quando seu filho não quer fazer algo ou estar perto de alguém. Devemos ensinar convenções sociais mas devemos ser coerentes pois, ao mesmo tempo que ensinamos nossos filhos não falarem com estranhos, nós conversamos e, muitas vezes, os fazemos conversar com o tio do supermercado, com a tia da farmácia.

РDevemos estar atentos ao fato que 40% dos abusos ocorrem dentro do ambiente familiar com pessoas que as crian̤as conhecem e confiam.

No entanto, a dica mais importante para mim é OBSERVE SEU FILHO, veja seus comportamentos, mudanças bruscas de temperamento. Ela disse bem: estar junto não é, necessariamente, estar prestando atenção. Nossa vida é corrida e, muitas vezes, a TV, o computador e o celular tomam nossa atenção. Estamos juntos mas distantes. Seu filho tem que saber que tudo que ele te falar vai ser importante que ele tem sua atenção.

Uma coisa me chocou muito. Ela disse: sabem o que pedófilos tem? TEMPO. Se aproximam, conversam, viram amigos, dão presentes. Estejamos próximos de nossos maiores tesouros e atentos. Essa é minha maior lição de ter passado por esse momento difícil.”

 

Este vídeo pode te ajudar a conversar com seu (s) filho (s) e a orientá-lo (s) melhor, veja:

https://www.youtube.com/watch?v=gPCodBA18QY

 

Prevenção de violência sexual na infância

Conheça o projeto Pipo e Fifi de educação contra o abuso sexual. Com uma linguagem bem clara, é possível orientar as crianças através de um livro disponível para download e joguinhos on line.

Veja as estatísticas assustadoras apresentadas por este projeto:

pedofilia e abuso infantil - Projeto Pipo e Fifi

 

Existe um artigo interessante no blog “A cientista que virou mãe” a respeito do assunto: Violência sexual intrafamiliar e as crianças: quando ninguém às escuta

 

O dever de todos

É dever de todos nós denunciar qualquer tipo de Violência conforme determina as Leis, Constituição Federal no artigo 227 inciso 4º e no Estatuto da Criança e do Adolescente no artigo 4º que também prevê punição não só para os que praticam, mas para aqueles que omitem.

E como podemos fazer?? Podemos fazer denúncias anônimas, onde não precisamos nos identificar.

Disque Denúncia – Campinas: (19) 3236-3040

Disque 100 (Território Nacional)

Conselho Tutelar: 08007701085

 

Caso você tenha sido vítima de abuso ou queira relatar a história de alguém, sinta-se à vontade para postar nos comentários abaixo. Compartilhando informações nós vamos ajudando as pessoas a se prevenirem!

 

Você pode gostar de ler:

Violência sexual contra a criança

Higiene pessoal causa estimulação precoce?

Estatuto da criança e do adolescente

 

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