Parto domiciliar: em época de quarentena é seguro?

Créditos da foto @instintofotografia por Bianca Namorato
Mulher: Olívia Separavich

26.03.2020 – Você acha que neste momento de coronavírus, o parto domiciliar é a opção mais segura? Conversamos com a Fernanda Abbud, que é enfermeira obstétrica, mestra em Ciências da Saúde pela UNICAMP. É parteira autônoma no grupo “Parteiras Aurora”. Mãe de três filhos, nascidos de parto normal humanizado.

Em tempos de coronavírus o parto domiciliar é seguro?

O parto domiciliar planejado (PD) é seguro; neste momento, às suas próprias características, podemos acrescentar o menor risco de contaminação pelo COVID-19. A equipe de enfermeiras obstétricas, Parteiras Aurora, em tempos de pandemia esclarece todos os aspectos que envolvem o PD e assim oferece subsídios para que famílias gestantes possam escolher o local do parto, aquele no qual se sentirão mais acolhidas e seguras.

Resgatando nossa história percebemos que se hoje estamos aqui, com certeza há mulheres no nosso passado que pariram em casa. No meu caso, minha avó pariu 10 filhos em casa e por essa experiência foi a parteira referência da sua comunidade. Ao despertar para a reflexão do processo natural de parturição, é inevitável perceber que a seleção natural nos permitiu sobreviver, desde os tempos em que o parto domiciliar era a única opção, e não uma escolha consciente da mulher.

Atualmente, evidências científicas apontam que o parto domiciliar é tão seguro quanto o parto hospitalar, desde que as mulheres gestantes sejam de risco habitual e sejam atendidas por equipes habilitadas e qualificadas.

A mulher gestante é considerada risco habitual, ou baixo risco, se ela não tem nenhuma patologia associada à gestação: hipertensão arterial; diabetes gestacional, doença renal crônica; uso de anti-depressivo; trombofilia. Gestação gemelar, por exemplo, não é uma patologia, porém temos alguns riscos associados e não é elegível para o PD também. O tempo gestacional precisa ser acima de 37 semanas e o bebê precisa estar cefálico, ou seja, de cabeça para baixo.

Em resumo todas as mulheres com gestação saudável poderiam ter um parto domiciliar planejado, no entanto, é preciso que ela faça uma reflexão acerca das suas opções e escolhas, independentemente do local de parto escolhido.

A composição da equipe para o parto domiciliar merece alguns cuidados e atenção; é muito importante que a mulher escolha profissionais habilitados, que estejam preparados para atuar caso ocorra alguma intercorrência no domicílio. Muitas pessoas ao ouvirem falar PARTEIRAS, assustam-se e retomam na memória aquela senhora da comunidade, sem nenhuma formação que adentrava as casas das mulheres com sua bolsa de pano, ervas do quintal e uma tesoura afiada para ajudar nos partos.

As parteiras contemporâneas no Brasil são, obrigatoriamente: enfermeiras obstétricas, com 4 anos a graduação em enfermagem e mais 1 a 2 anos de especialização em obstetrícia, ou são obstetrizes que estudam durante 4 anos e meio a graduação em obstetrícia. É importante salientar que, nós parteiras, assistimos as mulheres em todo o processo gravídico e puerperal, associando o respaldo das melhores evidências científicas, agregado ao acolhimento e respeito que todas as mulheres merecem. Além da capacitação técnica contida na “mala da parteira” ela também leva todos os materiais necessários para assistir o parto.

Foto: @instintofotografia por Monique Angelis. Mulher: Bianca Namorato

Ao refletirmos sobre o COVID-19 no ambiente domiciliar podemos afirmar que o risco de contaminação é menor. Na sua casa, certamente, não haverá a movimentação de pessoas doentes, como acontece no pronto-atendimento dos hospitais. Em casa a mulher terá acesso aos alimentos preparados no seu fogão, por alguém da sua confiança. A mulher em trabalho de parto e no pós-parto utilizará o banheiro da sua casa, terá contato apenas com as pessoas escolhidas por ela. O bebê ao nascer irá diretamente para o colo da mãe e nele permanecerá por quanto tempo a mãe desejar. Mulheres e recém-nascidos saudáveis permanecerão em casa sem precisar ir ao hospital para realizar exames.

Triagem neonatal necessária como o teste do pezinho (laboratório colhe em casa), teste da orelhinha (fono atende em casa), teste do coração (enfermeiras obstétricas ou obstetrizes fazem na consulta de pós-parto), vacinas podem ser feitas em clínicas em horários programados e não existe nenhuma urgência.

Mulheres no pós-parto receberão a visita de uma parteira em casa no mínimo duas vezes durante os primeiros sete dias do puerpério e assim receberão orientações acerca do cuidado com o recém-nascido, amamentação além da constante avaliação do seu estado geral.

Acreditamos muito na resiliência de cada indivíduo, portanto ao nos depararmos com essa pandemia, sentimos que muitas famílias gestantes poderão superar a dificuldade de parir no hospital com medo do vírus e buscarão a assistência extra-hospitalar, no caso de Campinas e região, a opção será o parto domiciliar planejado. Esperamos que essa decisão seja consciente, pautada na busca de informações de qualidade. Parir em casa é seguro!

Texto escrito por Fernanda de Souza Freitas Abbud.

Revisado por Madame Conteúdo.

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