O pai parceiro é aquele que segue essas 3 dicas no pós-parto

08.08.2019 – Pedimos a ajuda de um psicanalista com especialidade em pós-parto para listar 3 dicas fundamentais do papel do pai depois do nascimento da criança.

Emmanuel N. Miguel

Pai de dois meninos, é formado em Psicanálise Clínica pelo Centro de Formação de Psicanálise Clínica e pós-graduado pelo Instituto Paulista de Psicanálise.

Com a chegada do seu primeiro filho, mudou o olhar para a maternidade e passou a conciliar a profissão junto à vivência que a esposa estava tendo. Ali, descobriu a paixão pelo trabalho com mães e a levou para a clínica.

Site: www.emanuelmiguel.com.br

Instagram: @emmanuel_psicanalista

Você não ajuda

Escuto isso em quase todos os chás pós-parto dos quais participo, afinal, a maternidade não é papel só da mãe.

A ficha dos pais só consegue cair quando vê aquele barrigão ou só quando segura o seu filho pela primeira vez. É complexo para ele, que não está sentindo o bebê, entender que sua vida irá mudar completamente. Por isso, estar aberto a ouvir e participar é tão importante para ele quanto para a família.

Muitos pais acham que não devem participar de momentos que são só da mãe e do bebê, como é o caso da amamentação. Na verdade, é o contrário. As mulheres precisam se sentir acolhidas enquanto amamentam. Um simples abraço, uma água que você leve para ela, uma simples pergunta: está precisando de algo amor? Diversos estudos dizem que mulheres, quando são apoiadas na amamentação, conseguem ter uma experiência mais positiva.

Nós homens nunca saberemos o que é esta hora mágica da amamentação e sinto que nós homens sentimos um pouco de inveja por um momento que só elas podem ter. O que precisamos entender é que mulheres mais seguras podem criar crianças mais seguras para o mundo.

Emmanuel Miguel – formado em Psicanálise Clínica pelo Centro de Formação de Psicanálise Clínica e pós-graduado pelo Instituto Paulista de Psicanálise.

Você é sempre útil

A priori, o homem pode fazer as mesmas coisas que as mulheres fazem com os bebês. Claro que quem tem o seio para amamentar é a mãe, mas todo o resto o pai pode fazer. Agora, vale também refletir em como as mulheres podem deixar que o pai seja pai, mesmo do jeito dele? Sim, o jeito que de como cada um cuida é diferente. E isso é um ponto importante: a mãe pode delegar e confiar no pai. Ele não fará tudo igual a ela e isso não quer dizer que fará pior ou melhor, mas da melhor forma que ele consegue naquele momento.

Aqui vão alguns pontos em que o pai pode dar suporte à mãe, ou realizar a mesma função dela.

Madrugadas:

Sim, você pode acordar junto com a sua parceira nas longas madrugadas. “Mas o que eu posso fazer?” Pegue o bebê, troque a fralda, coloque-o no peito da sua esposa, faça-o arrotar e depois o coloque para dormir. “Mas como assim, o dia seguinte eu trabalho, isso não é justo.” Não é justo mesmo, porque no dia seguinte, lá no seu trabalho, você terá pelo menos um tempo para ir ao banheiro com total privacidade. Ela terá que ir ao banheiro ou com o bebê no peito, ou muitas vezes nem conseguirá ir ao banheiro.

Dormir:

Sim, ela pode dar o peito e depois você colocar o bebê para dormir. Aproveite este momento único e se conecte com o seu filho. Ao conseguir dividir tarefas simples com a sua parceira, você se aproxima do bebê.

Ela também trabalhou o dia inteiro

Não cobre sua esposa assim que chegou em casa depois de um dia tranquilo de trabalho. Sim ela também trabalhou e o pior, não saiu de casa, não conversou com pessoas e, muito menos, pode ser a mulher que sempre foi. Agora ela só consegue ser mãe e isso pode ser um tanto confuso nessa hora. Dizemos que o puerpério é uma prisão domiciliar.

Não estamos aqui querendo dizer o que é certo ou errado no puerpério do casal, mas como podemos olhar para a mulher neste momento tão complexo da vida. Nós, como pais, podemos fazer de forma diferente do que os nossos pais fizeram. Quem perde por não participar na criação dos filhos não são só filhos. Os pais perdem muito. São etapas únicas que não voltam mais. Brinco que o ônibus só passa uma vez na vida e depois, ter que lembrar deste ônibus, pode ser bom ou ruim esta memória.

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Depois de tudo isso, este será o meu primeiro Dia dos Pais com o meu filho no colo

 

Alessandra Assumpção

Escrito por: Alessandra Assumpção

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