Neuras de mãe não me deixavam curtir minha filha

12.03.2014

selo materia mae amiga

 

Tania Camilio

Mãe da Beatriz (4 anos)

♥ Deixou que neuras de mãe se tornassem um pesadelo até perceber que o tempo estava passando e ela nem estava curtindo a filha

 

Após 6 anos e meio de casamento, já me sentia preparada para ser mãe e aumentar a família. Depois de 5 meses de tentativas (o que já me deixou bem ansiosa, pois assim sou sempre, rs), veio o resultado de exame mais esperado da minha vida: estava grávida! Nove meses depois, chegou minha querida e sonhada Beatriz.

E logo vieram também as neuras de mãe…

Não raramente, não apenas a ansiedade, mas também a insegurança, me fazem pensar e repensar muitas coisas, sendo boas ou ruins. E, obviamente, durante a gravidez não era diferente (era, aliás, pior). O tempo todo preocupada com o desenvolvimento e também se eu conseguiria amamentar, pois, quando eu tinha 16 anos, fiz uma mamoplastia (cirurgia plástica para redução das mamas). O risco de não amamentar não parecia preocupar os médicos quando eu questionava – e eu já pensava mesmo nisso, mesmo sem ter ideia de quando me tornaria mãe. E isso ficou como aquela “pulguinha atrás da orelha”. Porém, não somente essa “pulguinha”, mas muitas outras que se instalaram depois, renderam essa história.

Neuras de mãe não me deixavam curtir minha filhaApesar de não ter tido um parto e pós-parto como eu desejava enquanto grávida, ela nasceu ótima. Então, chegava a hora com a qual eu também sonhava e defendia: a amamentação. E começava uma luta. A Bia era saudável mas dormia muito. Então, para mamar, essa era a primeira dificuldade: mantê-la acordada e fazê-la pegar corretamente o peito. Eu sentia que tinha leite/colostro, mas o que falavam era que, devido à cirurgia, o leite poderia não estar saindo como deveria.

Na segunda noite no hospital, a Bia chorava horrores. Eu, claro, já me culpei e achava que não estava conseguindo matar a fome dela. Na minha cabeça, nem passava que tudo poderia ser também consequência de outras situações pelas quais a Bia e eu estávamos passando desde o nascimento. Fiquei muito frustrada quando a enfermeira sugeriu e deu o complemento pra Bia, no copinho. Procurei ajuda do banco de leite e não fui feliz. Ouvi que minha filha não estava se alimentando como deveria, que estava com hipoglicemia, por isso dormia tanto e eu poderia pensar em tomar um remédio para secar meu leite pois eu não poderia amamentar. Saí dali desesperada e corri para o pediatra.

A hipoglicemia foi descartada, porém, a perda de peso constante, constatada já no acompanhamento, nos levou de novo ao complemento para que ela recuperasse o peso mais rapidamente. Novamente, frustração. Mas, agora do pediatra, um incentivo: não deixe de dar o peito; primeiro o peito, depois o complemento. Assim, segui até uma boa recuperação do peso, depois passou a ser mais amamentação do que leite artificial. Priorizava sempre a amamentação, um momento sossegado para que ela mamasse o tempo que fosse, já que, de fato, meu leite não tinha uma “vazão” tão rápida do seio.

E, assim, a Bia mamou até 1 ano e 7 meses, o que, para mim, significou uma grande vitória.

Neuras de mãe não me deixavam curtir minha filhaEm meio ao dilema da amamentação, no entanto, surgiu o que chamei de outra “pulguinha”. Observando a Bia dormir, achava que ela fazia movimentos demais com os olhos, boca e barriga. A respiração parecia ofegante demais. Por mais que me falassem que era normal, eu preferi achar que tinha algum problema. E foi assim que eu literalmente “cacei” um problema na minha filha e até achei um médico (neuropediatra) que, após ver um vídeo dela, porém antes de examiná-la de fato, deu a sentença: “sua filha pode ser epilética e agora apresenta crises sutis”. Era o que faltava então para eu derramar um tanto de lágrimas por outros vários dias.

E agora, como seria? Eu daria conta dessa situação? Será que tive alguma culpa? Dificuldade pra mamar, pra ganhar peso e agora essa notícia. Ficava tão encanada que até aqueles sorrisinhos que o recém-nascido dá eu achava que os da Bia eram parte do problema. Toda vez que ela dormia eu ficava lá olhando pra ver se mexia assim ou assado, se virava ou não o olho, se punha ou não a língua pra fora. Chegava a acordá-la várias vezes pra conferir se não estava mesmo tendo uma crise. Mesmo assim, eu não quis levá-la para fazer uma polissonografia. Dormir em uma clínica, cheia de eletrodos? Morri de dó. E pensava que talvez aquilo não fosse mesmo verdade. Orei muito e fui em busca de outro neuropediatra. Esse sim, olhou, examinou, fez vários testes, inclusive com ela dormindo, até que verbalizou um confortante “está tudo bem, o sistema nervoso só está em desenvolvimento.”

Daquele dia em diante (finalmente), eu procurei deixar essas encanações todas, matar todas as pulguinhas – ou essas neuras de mãe – que estavam me atormentando. O que eu fiz nada mais foi, como se diz, que “encontrar pelo em ovo”.

E estava deixando de curtir uma fase tão gostosa, que passa tão rápido.

Claro que amaria da mesma forma ainda que tivesse mesmo uma doença e estamos mesmo sempre sujeitas a tudo. Mas, hoje, a Bia, com 4 anos, vive muito bem, é muito alegre e esperta. Aprendi a não me conformar com algumas coisas que dizem, ainda mais se for contra o que diz meu coração de mãe. E eu fico sempre tentando equilibrar uma simples preocupação (que é normal, né?) com uma encanação exagerada. Para mim, hoje, o importante é tentar superar, dia a dia, algumas neuras de mãe, viver o presente e ser feliz com minha família!

Neuras de mãe não me deixavam curtir minha filha

 

 

 

 

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