“Meu filho sofria bullying, disse que a escola era um inferno!”

 

Mãe Amiga L.

 

“Meu coração se despedaçou! Tentei falar com a escola, que me disse que eu era super protetora e que meu filho tinha que aprender a se defender.”

 

Meu filho sofria bullying, disse que a escola era um inferno!

27.04.17 – Mamães, hoje vou falar de um assunto delicado, mas extremamente importante – principalmente após se falar tanto sobre o jogo da Baleia Azul e o seriado “13 Reasons Why”.

Para isso, vou contar um pouco do que aconteceu aqui em casa. Meu filho (vou chamá-lo de H) sempre foi muito bem para a escola. É um menino tranquilo, amável, não briga com os amigos, empresta brinquedos, obedece aos professores e, por isso, nunca tivemos nenhum problema com ele.

Eis que começou o primeiro ano, um período tão importante na vida das crianças, no qual serão alfabetizados. Lembro do meu primeiro ano com muito carinho. Queria que fosse assim com meu filho, mas não foi!

No começo do semestre, a escola pediu uma garrafinha para as crianças beberem água.  Mandei a do meu filho juntamente com o material escolar. Depois de dois meses de aula, H pediu para que eu mandasse uma garrafinha, porque ele era o único que não tinha uma para beber água na classe.

Mandei um bilhete dizendo que havia mandado a garrafinha no começo do ano. Para a minha surpresa, a professora respondeu que ele havia trazido a garrafinha para casa e não tinha levado de volta. Eu disse que isso não tinha acontecido, já que sou eu quem arrumo a mochila do meu filho todos os dias.

Em todo caso, mandei outra garrafa no dia seguinte. Passada uma semana, H diz que a professora pediu para avisar que acharam a garrafa enterrada no parquinho e, por isso, não poderia ser utilizada: ficaria como brinquedo do parque. Achei um absurdo ela me mandar recado por ele, que tinha apenas 5 anos, mas escrevi um bilhete agradecendo a resposta.

Fiquei pensando: quem enterrou a garrafinha no parque e por que ninguém viu? Também pensei que a professora não sabia nem onde estava a garrafa, já que alegou que a mesma tinha vindo para casa… fiquei alerta!

Algum tempo depois, H chegou reclamando que os amigos não o deixavam brincar, porque ele era muito pequeno. Essa reclamação continuou por um tempo. Como ele faz aniversário no meio do ano, ele é sempre o mais novo da classe. Fui falar com a professora e ela disse que isso não acontecia, que era imaginação do meu filho.

Um dia, H chegou chorando da escola e não queria me dizer o porquê, só falava que não queria mais ir para a aula. Depois de muita conversa, ele disse que um amigo mais velho (de outra classe) queria que ele roubasse o brinquedo de um outro menino e o desse a ele. Caso ele não fizesse o que ele mandava, o menino mais velho o deixaria pelado no dia seguinte, na frente da escola toda.

Perguntei se ele tinha roubado o brinquedo e ele disse que não. E que por isso estava com medo. Dei os parabéns a ele e disse que nada aconteceria, que ele fez o certo e que eu estava muito orgulhosa dele!

Liguei na escola e falei com a coordenadora. Coloquei que aquilo era muito sério, que além de uma criança mais velha estar ensinando o meu filho a roubar dentro da escola, ainda o estava amedrontando. Ela disse que o menino não era fácil e que iria conversar com ele.

No dia seguinte, o H não queria entrar e chorava muito. Conversei com ele, disse que estava tudo sob controle e que daria tudo certo, até que ele resolveu entrar.

Quando ele chegou da escola, disse que a coordenadora colocou os dois frente a frente e fez com que o outro pedisse desculpas para meu filho. No entanto, essa não foi a melhor escolha, já que o menino era mais velho e pegou meu filho para Cristo a partir desse dia. Ele passou a ser empurrado pelos mais velhos, excluído das brincadeiras dos meninos da sua turma, ganhou apelidos e, por mais que eu falasse com a escola, nada resolvia.

A professora era grossa, conhecida pelas mães e pelas crianças da escola como a brava e a que grita. Dava bronca encostando o nariz dela no nariz dos alunos, gritava, não tinha paciência e falava palavras grosseiras, que as vezes eram reproduzidas em casa pelo meu filho!

Foram muitas conversas em vão com a escola. H passou a ter medo de crianças mais velhas. Quando saíamos, ele tinha pavor de encontrar amigos maiores: começava a tremer e não saía de perto de mim! Antes, amava dormir na casa dos avós; agora, só queria dormir comigo. Chorava sem motivo aparente. Não ia mais a espaços kids de restaurantes. Ficou retraído, não sorria mais, apenas de maneira forçada para fotografias.

 

A gota d’água!

Teve um dia em que ele chegou extremamente sujo da escola e eu perguntei se ele tinha brincado muito no parque. Ele disse que não. Contou que o tal menino mais velho empurrou ele na areia do parque e que ele levantou. Então o menino o jogou novamente na areia. Ele levantou mais uma vez e o menino repetiu a ação, até que ele resolveu ficar deitado até o menino ir embora. Meu coração se despedaçou! Tentei falar uma última vez com a escola, que me disse que eu era superprotetora e que meu filho tinha que aprender a se defender.

Já no dia seguinte fui procurar uma nova escola! Acho que o H precisa mesmo aprender a se defender, mas a escola não pode fazer pouco caso. Não pode achar que coisas assim são normais!

Hoje meu filho está em outra instituição de ensino. Foi super bem acolhido, a autoestima voltou a aparecer, ele está feliz! Depois de dois meses de aula, ele voltou a sorrir.

Até que na semana passada, tomando café da manhã, ele resolveu falar: “Mãe, minha vida o ano passado era um inferno! Minha escola era um inferno e minha professora era um diabo. Obrigado por me trocar de escola. Agora estou no céu e minha professora é um anjo, só faltam as asas!”.

Fico feliz em saber que ele está feliz. Aliviada ao perceber que tomei a decisão certa. Fico chateada ao escutar muita gente por aí dizendo que hoje em dia a vida é chata, cheia de mimimi, que bullying sempre existiu e ninguém morreu por causa disso.

Acho que é fácil falar quando você é o agressor ou quando você não sofre de bullying. Temos muitos adultos cheios de problemas de autoestima, de problemas psicológicos por terem sofrido com coisas desse tipo. Não podemos aceitar que o preconceito, que as agressões sejam vistos como mimimi da parte de quem sofre e reclama. Temos que lutar por uma sociedade mais justa, mais amável e respeitadora!

A escola tem que se posicionar contra atitudes como essas! A escola tem responsabilidade sim! E nós, pais, precisamos estar atentos, precisamos orientar e proteger, antes que o dano seja grande demais e não possa ser desfeito!

O texto é longo, desculpem, porem é necessário!

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