Foram quase 3 anos de gestação…

24.05.2013

Pela mãe amiga: Regina Prado Zanes Furlani

Mãe da Sofia, de 1 ano e 5 meses

 

“Quando eu era menina, queria ter três filhas, queria na verdade ter trigêmeas… A vontade era tanta que eu já havia escolhidos os nomes: Thalita, Thaís e Thatiana, todas com TH!

O tempo foi passando… Os sonhos de meninas ficaram adormecidos… Namorei, casei e resolvi que iria cuidar de minha carreira. O sonho de ser mãe não veio à tona.

Quando faltava pouco para completar 40 anos fui investigar o porquê das minhas cólicas malditas e o médico foi direto: “Você nunca imaginou porque nunca engravidou? Pode ser endometriose!”.  Pensei comigo “Imagina, engravido na hora que eu quiser”.

Mas a gente não manda na nossa vida e, após duas tentativas de fertilização in vitro – sem sucesso -, me separei.

Estava com 40 anos e resolvi cuidar mais ainda da carreira, fazendo um doutorado na Unicamp.

Na época, lá na universidade, tinha um pessoal bem mais jovem que eu e que me arrastavam para festas e baladas. E foi em uma dessas baladas que conheci o Leoni… Desde a minha separação não me imaginava casada de novo, mas o amor falou mais alto e, em poucos meses, estávamos morando juntos.

Com o tempo, percebi que faltava algo, e esse algo era a maternidade, eu precisava ser mãe. Com o meu histórico, eu sabia que engravidar seria muito difícil, pensei até na possibilidade de adotar um óvulo, mas desisti.

Leoni e eu conversamos muito e nos certificamos que queríamos muito ter um filho e fomos ver como seria o procedimento para adotar uma criança.

Em junho de 2008, fomos ao fórum e solicitamos a inscrição no cadastro de adoção e ficamos aguardamos ansiosos a visita da assistente social em nossa casa, e a entrevista com a psicóloga.

Em março de 2009, fomos habilitados. Eu costumo dizer que esses 9 meses foram o período de tentativa para “engravidarmos”.

Agora só nos restava esperar, pois nessa “gravidez” não dá para saber o tempo de “gestação”.

Durante a espera, fiz meu “pré-natal” em reuniões na APA – Associação dos Pais Adotivos de Campinas, um grupo de apoio para pessoas que pretendem adotar ou já adotaram. Isso foi muito bom, pois a ansiedade durante a espera é grande demais.

Então, depois de 33 meses de ‘gestação’, o telefone tocou. Era do fórum, nos avisando que havia nascido uma menininha e nos perguntaram se queríamos conhecê-la. Respondemos na hora que sim e marcaram nosso encontro para o dia seguinte. Foi uma noite muito longa, com sentimentos estranhos, ansiedade, medo, uma agonia… Enfim, chegamos à maternidade e a assistente social disse que poderíamos ir ao berçário. Lá chegando, vimos vários berços com bebês. Perguntamos para as enfermeiras qual era a menininha que estava para adoção e elas não sabiam. Olhamos mais uma vez para os berços e a reconhecemos no meio de todas as crianças, sabíamos que era ela.

“No instante que olhei nos olhinhos de Sofia, senti a maternidade em todos os meus poros e disse: sim, ela é a minha filha.”

Voltamos ao fórum para pegar o termo de guarda e a burocracia se fez presente: o termo ficou pronto apenas no final da tarde e só poderíamos levar  Sofia para casa no dia seguinte. Sim, só no dia seguinte. Foi mais uma noite de angústia, agonia e ansiedade.

Enfim chegou a hora, fomos à maternidade buscar Sofia. Em 30 minutos fiz o curso para gestantes, onde “aprendi” a dar banho, trocar fralda, cuidar do umbigo etc.  Depois desse aprendizado, fomos pra casa. Na verdade, fomos pra casa de minha mãe para que Sofia pudesse conhecer os avós. E lógico que todos ficaram encantados!

Finalmente, fomos para a nossa casa! A emoção que tínhamos, que experimentávamos, era uma coisa maravilhosa, um sentimento jamais sentido, indescritível. Experimentar Sofia em meus braços, junto ao meu seio, sentir sua respiração calma… foi extraordinário. De repente, bateu um medinho: como vou dar banho, como vou saber se está com fome, com frio, como vou fazer, será que vou dar conta?? Claro que damos conta, afinal, como disse a mãe amiga Paty Fontainha, “Mãe é poderosa”, e meu lado super-heroína despertou!

Claro que os primeiros meses com Sofia foram cansativos, pois toda rotina foi alterada: as noites sem dormir, as tentativas de descobrir o porquê do choro, até a descoberta de que fome e cólica são a maioria das respostas. Meu esposo Leoni sempre me ajudou muito, revezando durante a noite, pois Sofia não precisava do meu peito pra mamar e isso foi muito bom, pois dava pra descansar.

Minha licença maternidade foi de 6 meses, Sofia foi incluída no plano de saúde sem nenhum problema. Quando voltei a trabalhar, ela foi matriculada na escolinha disponibilizada em meu local de trabalho para os filhos de funcionárias.

Parece que foi ontem, hoje Sofia está com 1 ano e 5 meses, tem a felicidade estampada em seu rostinho que, modéstia a parte, é lindo demais.

Leia também a história da mãe amiga Flávia Borges e informações sobre como adotar uma criança, na reportagem de Michelle Occiuzzi para o Dia Nacional da Adoção de 2012: Clique aqui.

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