“Eu já tinha 2 filhos adotivos quando o telefone tocou…”

Da esq. para a dir.: Ana Luiza (10), Ana Karina, Ana Clara (7), Luiz Guilherme (12) e Luiz Fernando.

 

27.09.2013 (Atualizado em 18.02.2019) – 3 filhos frutos de 3 adoções – uma delas feita em menos de 24 horas. A enfermeira Ana Karina Scaloppe já era mãe do Luiz Guilherme (12) e da Ana Luiza (10) quando a assistente social da Vara da Infância e Juventude de Campinas ligou para perguntar se ela tinha interesse em adotar uma recém-nascida. “Sem pensar por um instante, eu respondi que sim!”, conta. Veja o relato!

selo materia mae amiga 

Ana Karina Scaloppe Nunes

Mãe do Luiz Guilherme (12 anos), Ana Luiza (10 anos) e Ana Clara (7 anos)

 

♥ “Fui chamada de louca por pessoas próximas. Sou louca, sim! Louca de amor!”

 

Era um fim de tarde comum. Estávamos na sala de espera da psicóloga do Luiz Guilherme, nosso filho mais velho, enquanto ele era atendido. Eu estava exausta! Havia duas noites que eu não dormia, com pensamentos malucos e uma angústia enorme no peito, pensando o que faria se viesse outro bebê para mim – algo que parecia impossível até então.

Foi quando a Ana Luzia, nossa filha do meio, pediu para ir ao banheiro. Meu esposo foi levá-la e, assim que eles desceram as escadas, o meu celular tocou. Naquele instante, meu mundo virou de ponta cabeça! Reconheci o telefone da Vara da Infância e Juventude de Campinas.

A assistente social se identificou. Disse que havia uma menina recém-nascida disponível para adoção e perguntou se tínhamos interesse.

“Sem pensar nem por um instante,

eu simplesmente disse SIM!”

Ela se assustou e perguntou se eu não ia ao menos consultar o meu esposo. O que aquela mulher não sabia era que eu não precisava perguntar, pois já tínhamos tido várias provas de Deus da chegada dessa bebê.

O problema era única e exclusivamente financeiro: em mais de dez anos de formada, pela primeira vez eu estava desempregada. Além disso, tínhamos nos mudado há pouco tempo para um novo apartamento, assumindo uma enorme dívida pois, quando compramos, não sabíamos que eu ia perder o emprego e que íamos nos tornar pais de três em menos de 24 horas!

Infanti (Custom)

Quando Deus começou a nos dar sinais, nós simplesmente ignoramos. Ignoramos nossa filha de menos de três anos rezando de joelhos e pedindo ao Papai do Céu e à Santa Maria um “nenê de verdade”. Ignoramos quando, menos de um mês antes da ligação, ela começou a dizer insistentemente que o “nenê de verdade” dela ia chegar. E que era bem pequenininho e de lacinho. Ignoramos todas as vezes que ela pedia para comprarmos o carrinho, o berço, as roupas e até o crocs rosa.

Não acreditamos em um sonho muito real que tive dias antes da ligação, com a minha avó paterna, que havia falecido há poucos dias, onde ela me mostrou duas bebezinhas e disse que uma era minha, que eu TINHA que adotar. No fim do sonho, eu concordei com ela e disse: “se ficar com essa (apontando para uma das bebês), chamo de Ana Júlia; se ficar com essa, de Ana Clara”.

Mas a decisão mais difícil ainda estava por vir, pois é claro que a adoção é uma decisão que eu jamais tomaria sozinha. Marquei a visita para o outro dia, às 8 horas da manhã. 

Ao voltar do banheiro, meu esposo e minha filha, sem saber de nada, estranharam meu silêncio, que foi interrompido por uma crise de choro e berros da nossa pequena, ao avistar, numa capa de revista, um bebê. Ela, aos berros, nos pedia para buscar o “nenê de verdade” dela, que estava lá. Eu só balancei o celular para o meu esposo, que imediatamente entendeu o motivo da minha quietude.

Voltamos para casa sem dizer uma só palavra. Aquela noite foi, com certeza, uma das mais difíceis de nossas vidas! Passamos acordados, tentando decidir com a razão algo que não usa exatamente a razão.

Contamos para nossos pais, sogros, irmãos, cunhados e duas primas. A maioria foi extremamente contra. Fui chamada de louca e sempre respondia “sou louca, sim. Louca de amor!”. 

A verdade é que só quem podia decidir éramos nós dois. No meu coração já estava certo: tinha que ser. Meu esposo ponderou a parte financeira e viu que não tinha como termos mais um filho naquele momento. Mas eu queria e, no fundo, ele também. Então, decidimos que, se fossemos conhecer a bebê, ficaríamos com ela, independente de qualquer coisa e, principalmente, independente de como ela fosse.

“Então, ao amanhecer, naquele lindo dia de sol, tomamos a decisão mais difícil de nossas vidas e fomos conhecer a nossa terceira filha!”

1a (Custom)Era 14 de setembro de 2012. Chegando à pediatria do hospital, eu a reconheci no meio de muitas crianças. Quando a segurei no colo pela primeira vez, nossos olhos se encontraram, nossas almas se reconheceram e nos tornamos mãe e filha!

Meu esposo só conseguiu perguntar como ela ia se chamar, e eu disse “ela é a Ana Clara, igualzinha no meu sonho!”

E, assim, antes do final da tarde, ela estava no aconchego do nosso lar, junto aos seus irmãozinhos!

 

Ana Clara com os irmãos, Ana Luiz e Luiz Guilherme, no dia da adoção. (Foto: Arquivo pessoal/Karina Scaloppe)

 

Já se passaram 7 anos e, em nenhum momento, duvidamos de termos feito a escolha certa – mesmo sob o olhar e a crítica de muitos. Ela completou a nossa família e preencheu um lugar em nossos corações que nem sabíamos existir. Somos uma família muito feliz!

E para quem se interessar: sou a mãe mais completa e feliz do mundo. Ah, e um pouco louca também, pois já penso no quarto filho!

 

Atualização da cegonha

Em 2016, Karina deu à luz ao quarto filho, Luiz Felipe. “Meu coração está transbordando de tanta alegria e amor!”, diz.

 

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