Grávida aos 16 anos, eu?!

selo materia mae amiga

 

Tatiana Tanaka
Mãe do Felipe (22), da Nicolle (10) do André (18), seu enteado “filho de coração”

 

As coisas aconteceram de repente na vida da Tatiana, mas no fim, tudo deu certo!

 

 

06.06.2013 (Repostado em 11.04.2018) – Mães e amigas, gostaria de dividir com vocês a minha história. Para isso, vou contar como a maternidade me assustou e, ao mesmo tempo, me fez crescer.

Eu tinha 16 anos quando comecei a namorar o pai do meu filho, que tinha, na época, 18 anos. Era um namoro sério, embora no auge da adolescência. Nós éramos um casal cheio de planos, ilusões e totalmente sem juízo.

Começamos a namorar em março de 1995 e, em abril de 1995, ele decidiu mudar-se para o Japão com o intuito de tentar um “futuro” para nós.

Fiquei muito triste! Por outro lado, entretanto, passei a enxergar o lado bom disso, afinal, era pensando em nós que ele tomou essa decisão, certo? Além disso, como eu poderia interferir em uma decisão tão pessoal?

A viagem foi marcada para maio de 1995. E assim aconteceu: na data citada, ele embarcou para longe. Fiquei mal, triste por uns dias, mas continuei a minha rotina, afinal, estava tudo planejado – depois de 2 anos ele voltaria, compraríamos uma casa e nos casaríamos.

Um mês depois, em junho/95, eu fiquei menstruada, mas não me sentia normal. Pouco tempo depois, em julho, a mesma situação aconteceu, porém com um agravante: comecei a sentir cólicas estranhas, uma “dorzinha” no lado esquerdo da barriga. Decidi consultar uma ginecologista.

Chegando à médica, pedi para a minha mãe não entrar comigo na sala de consulta. Isso porque, para ela, eu era virgem… rs!

Assim que eu adentrei o ambiente, a médica pediu para que eu me deitasse na maca. Inocente, já fui falando: “Estou com uma dor do lado da barriga. Minha amiga disse que pode ser um cisto.”

“A médica me examinou e disse: “Sua barriga está inchada e com formato de gravidez”

Eu nem sei descrever o que senti! Meu rosto queimava, minhas pernas tremiam e eu só consegui falar para a ginecologista: “Mas doutora, eu estou menstruando normalmente!”

No meu íntimo, entretanto, eu sabia que poderia ser verdade. Por isso, eu só pedia para Deus que tudo fosse um simples cisto!

A médica foi um amor comigo (com certeza, ela já estava quase certa da gravidez e sentia dó de mim): não comentou nada com a minha mãe, me deu uma guia com urgência e pediu para eu ir direto ao Samaritano. O intuito era eu fazer um ultrassom e levar para ela no mesmo dia.

Ela também pedia, a todo momento, para eu ter calma e dizia que realmente poderia ser um cisto – e eu só me apegava a isso!

Saí do consultório com a minha mãe fazendo mil perguntas. Ela estava preocupada, afinal, eu deixei a sala de consulta com uma guia na mão, dizendo: “Mãe, vamos ao Samaritano, porque eu estou com um cisto no ovário!”

Pegamos um táxi e lá fomos nós. Acho que aquele foi o caminho mais longo que eu fiz em toda a minha vida! Quando eu cheguei ao hospital, já fui entrando na sala de ultrassom. A minha mãe queria me acompanhar, mas para a minha sorte, naquele momento, o médico pediu para ela esperar do lado de fora.

O médico então passou o gel e colocou o aparelho na minha barriga. Eu fechei os olhos, de tanto nervoso! Naquela hora, só me vinha à cabeça a decepção dos meus pais, meu namorado no Japão, meus estudos, enfim, tarde demais!

“Parabéns, mamãe! Você quer saber o sexo do bebê? Já está dando para ver!”, disse o profissional.

Meu mundo desabou! “Como assim? Isso tá errado!”, eu disse. Isso porque, naquele momento, eu sequer conseguia enxergar o ultrassom enquanto o médico me mostrava o coração, as perninhas e o por último, o pipi do feto.

“É um menino!”. E eu não tinha força para reagir.

Eu só pensava em como eu iria dar essa notícia para a minha mãe, que estava na sala de espera, em como o meu pai iria reagir e em como eu faria para levar adiante essa gravidez. Sozinha.

“Saí da sala de exames e, quando a minha mãe me questionou, eu respondi chorando: “Mãe, tô grávida!”

Quase matei a minha mãe, coitadinha! Ela usou o primeiro “orelhão” que avistou e ligou para o meu pai. 20 minutos depois, ele chegou ao hospital e ela de a notícia a ele também.

Com um medo de quem sente que vai levar a primeira surra do próprio pai, para a minha surpresa, ele só respondeu “Aconteceu! Já foi! Agora nós vamos apoiar a nossa filha.”

Eu me sentia a pior filha da face da Terra! Meu pai trabalhava igual a um louco no Ceasa. Acordava às 3h00 da madrugada, pagava o meu colégio, as minhas roupas, enfim, fazia muitos sacrifícios para me proporcionar conforto e eu protagonizo essa decepção. Hoje, lembrar desse pensamento me dói!

Na primeira noite, eu não consegui dormir: só chorava e pensava que eu havia acabado com a minha vida, com os meus sonhos, com os meus pais, com os meus estudos e com os meus planos de casar de véu e grinalda.

Isso sem contar o “buchicho” que deu! Todos me olhavam com olhar de dó, de pena – o que era compreensível, afinal, eu tinha 16 anos, né?

“O próximo problema estava por vir: o pai da criança se encontrava do outro lado do mundo… como eu faria para contar que, 2 meses depois que ele viajou, eu descobri que estava grávida de 3 meses e que até o sexo do bebê eu já sabia?”

E o pior: eu tinha que esperar ele me enviar uma carta para ter o endereço dele no Japão. Somente depois disso eu conseguiria enviar uma mensagem escrita à mão para lhe dar a notícia. Parece coisa de novela, né? Mas era exatamente assim que funcionava.

Em agosto de 1995, o pai do meu filho me ligou. Foi uma ligação horrível, falhada, na qual mal dava para entender o que ele dizia! E detalhe: o cartão de ligação tinha duração de apenas 10 minutos.

Sendo assim, eu só consegui contar que ele seria pai e, enquanto ele questionava repetidas vezes como isso foi acontecer, a ligação caiu! rs

Foi só depois de uma semana que ele me ligou novamente – um pouco mais calmo e conformado -, para me dizer que ele iria ficar lá por pelo menos mais um ano. Isso porque ele desejava juntar dinheiro para conseguir se manter no Brasil até conseguir um emprego depois de voltar.

Eu fiquei arrasada, afinal, em meio a tantos sonhos destruídos eu tinha, ainda, um desejo: o de ter o pai do meu filho ao meu lado durante a gravidez,na sala de parto. Bom, eu nem preciso dizer que isso foi impossível.

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Os irmãos André, Nicolle e Felipe

Passei a minha gravidez com a minha mãe, meu pai e outros familiares me ajudando em tudo.

Lá se passaram os nove meses e, quando estourou minha bolsa, foi uma tia quem me levou para o hospital. Fui para a sala de parto sozinha e confesso que aquele momento foi um dos mais difíceis… que medo e que tristeza! Mas como num passe de mágica, tudo passou assim que eu ouvi o chorinho do Felipe!

Que alegria, que felicidade! Eu renasci naquele momento!

Uma semana depois, tive uma mastite grave, o que me levou a fazer uma pulsão e parar de amamentar. Foi uma dor terrível e um momento tenso!

Diante desse cenário e das necessidades financeiras, precisei trabalhar. Como eu tinha minha mãe para cuidar do Fê, fui à luta: arrumei um emprego como telefonista em uma concessionária. Trabalhava para pagar o convênio do meu filho, praticamente, pois nem fralda descartável eu usava, era de pano mesmo!

Depois de 8 meses, o pai dele voltou do Japão, conheceu o Felipe e nós ficamos juntos. Confesso que o clima era estranho, pois nós não tínhamos liberdade um com o outro.

Apesar disso, pensei: “muitas coisas aconteceram, é natural que fiquemos um pouco distante”. Sendo assim, decidimos morar junto e ficamos na casa da minha mãe. Depois de 6 meses (que sufoco), ele arrumou um emprego e as coisas foram se ajeitando!

Ficamos juntos durante 5 anos e, passado esse tempo, eu resolvi me separar. Percebi que a gravidez e as circunstâncias de certa forma me obrigaram a me casar, pois, para a mulher, é muito difícil tomar a decisão de ser mãe solteira por opção – o preconceito naquela época era muito forte. Isso significa que aquele amor que eu pensava sentir era apenas segurança, estabilidade e comodidade.

Depois de um ano separada, conheci o André, meu atual maridinho. Eu havia me tornado um pouco mais experiente, tanto na maternidade, quanto na vida conjugal. Namoramos e resolvemos juntar as escovas de dente!

Eu e ele não queríamos mais ter filhos – ele por ter um do primeiro casamento, e eu pelo mesmo motivo e também por trauma! rs

Massss… um ano depois que estávamos morando juntos, o inesperado aconteceu: fiquei grávida!

“Meu filho com 11 anos, o dele com 8 e eu grávida de novo”

Eu não conseguia entender como eu consegui esta proeza, afinal, tomei anticoncepcional durante 11 anos sem parar. Fui buscar respostas, queria um culpado rs… enfim, causa provável: fiz um tratamento de enxaqueca e o medicamento que eu tomei cortou o efeito do anticoncepcional!

Bom, dessa vez o susto foi menor e o prazer de ser mãe parecia ser imenso! A sensação que eu tive na segunda maternidade era que eu conseguiria realmente curtir com alegria a gravidez e que Deus quis me mostrar de uma forma mais madura o “prazer” desses momentos.

E assim foi: minha gravidez foi maravilhosa, passamos a desejar o bebê e, de fato, apreciar a situação.

Eu decidi apagar todo aquele trauma do passado e fazer uma nova história – e essa foi a melhor decisão que eu tomei!

Hoje o Felipe está com 22 anos e é uma graça de filho! Eu sempre procurei mostrar para ele que as coisas não são tão fáceis na vida e que nós precisamos, de fato, ir atrás do que queremos. Essa é a minha realidade.

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A Nicolle está com 10 anos e é o nosso xodó – meu, do meu marido e dos meninos!

E essa é a minha história. Ela é um pouco triste, mas o mais importante de tudo é que ela teve um final feliz!

Atualmente, posso dizer que eu vivo o HOJE, pois planejamento não é o meu forte! rs

 

Leia a história da Mãe Amiga Kátia Oliveira, que também engravidou muito jovem, clicando aqui.

 

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