Fui adotada aos 7 anos

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Marcela Misson Azevedo

Mãe do Antônio e do Bento

♥ “A emoção tomou conta e meu nosso sonho virou realidade. Eu nasci para aquela família”

 

adotada aos 7

25.05.2016 – Quando nasci, com poucos meses de vida, fui enviada para um orfanato juntamente com uma irmã, que na época tinha quase dez anos. No orfanato, que se chamava Casa da Vó, em Rio Claro, interior de SP, morei até quase 8.

Fui adotada aos 7 anos

Meus pais adotivos tiveram duas gestações interrompidas, e resolveram não arriscar mais. Foi então que decidiram fazer uma visita na Casa da Vó.

Logo que eles chegaram, contam que me acharam uma “gracinha”:

РQue menininho mais lindo, como se chama? РPerguntou minha ṃe.

– É uma menina, tem cabelinho curto por causa de piolho. – Respondeu a inspetora do orfanato.

E assim foram acontecendo nossos encontros. Eles iam com frequência me visitar no orfanato e fomos criando intimidade.

adotada aos 7 (4)

Vivemos assim por alguns meses. Antonio, meu pai, e Laura, minha mãe, me buscavam na sexta após o colégio e me levavam de volta para o orfanato no domingo a noite.

Lembro como se fosse hoje: Quando começava a vinheta dos trapalhões (programa que passava na televisão aos domingos) era uma choradeira, eu querendo ficar e meus pais não querendo me levar.

Até que no dia 29 de maio de 1989, o juiz ligou para meu pai:

– Pronto Sr. Antonio, você já pode se considerar pai da Marcela, ela é sua!

E claro que na mesma hora, eles foram ao meu encontro.

Fui com eles para casa, mas com a consciência de que, após os trapalhões, teria que deixá-los. Eles não me contaram sobre a formalização da adoção e deixaram chegar o domingo, quando minhas lágrimas começassem a rolar, para contar a surpresa!

РVoc̻ ṇo vai mais embora filha, voc̻ ̩ nossa!

A emoção tomou conta de mim e nosso sonho virou realidade. Eu nasci para aquela família: com 7 anos, carinha de menino, “magrelinha” e com muito amor para dar e receber.

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Hoje estou com 34 anos, casada e com dois bebês, Antônio, de 3 anos e Bento, de 1. Moro no Rio de Janeiro,  meu pai continua morando em Rio Claro, e sempre que posso vou visitá-los. Minha mãezinha faleceu há 2 anos, mas com certeza ainda vive no meu coração.

Minha irmã, que citei no início, foi adotada na época em que eu ainda estava no orfanato por outra família. Depois de muito tempo vim saber que quem a adotou foi a antiga diretora do orfanato. Muitos anos se passaram, e graças a internet, nos reencontramos e, hoje, nos falamos com frequência.

Essa é a minha história de adoção, a qual sou muito grata pelo amor que recebi de meus pais.

 

 

 

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