Meu pai se matou e eu queria fazer o mesmo

10.09.2019 – Você sabe porque as pessoas se matam? A cada 40 segundos, uma pessoa se mata no planeta. Por ano, quase 800 mil pessoas em todo o mundo cometem suicídio segundo OMS (Organização Mundial de Saúde).

De acordo com o organismo internacional, todos os países, sejam eles ricos ou pobres, registram casos de suicídio. Quase 80% desses óbitos são identificados em nações de renda baixa e média, segundo dados de 2016. A maioria das ocorrências acontece em zonas rurais e agrícolas.

A OMS lembra que, nos países de renda alta, já foi reconhecido um vínculo entre suicídio e problemas de saúde mental, como depressão e transtornos de uso de álcool. Muitos suicídios, aponta a agência da ONU, são cometidos por impulso, em momentos de crise.

 

Fernanda Lima. 

Mãe do Raul, formada em Psicologia, atendimento ao cliente e cuidadora da Casa Mães Amigas

 

 

Meu pai se matou

Na madrugada do dia 08 de setembro de 2003, meu pai cometeu suicídio aos 56 anos.

Até os 7 meses do Raul (meu filho), eu pensei em tirar minha própria vida praticamente todos os dias. Tive depressão pós-parto e busquei ajuda tardiamente. Era inevitável me comparar ao meu pai quando vinham os pensamentos. Ele estava errado? Estava certo? Quanto tempo aguentou antes de ir ao ato do suicídio?

Quanto tempo eu aguentaria? No turbilhão da depressão, eu tive certeza que eu era um peso na vida do meu marido e do meu filho e que eles estariam muito melhor sem mim.

Como seria minha morte

Comecei a fantasiar sobre as mais diversas formas de fazer isso, que horas seria, onde seria, se ia doer, se seria rápido. Imaginava as pessoas recebendo a notícia, meu velório e a vida de todos seguindo em frente após a minha morte.

A nossa cabeça vai à lugares que a gente não consegue nem imaginar…

A minha sorte, é que uma pontinha de autoconhecimento dentro de mim falou: “Espera. Isso não é normal. Vá buscar terapia”. Eu fui literalmente resgatada de um buraco pela psicoterapia e tratamento psiquiátrico medicamentoso.

Depressão Pós-parto

O resgate foi rápido, muito mais rápido que o processo que me levou até aquele estado. Ainda bem.

Eu queria me matar

Eu tive sorte mesmo. Sorte de ter as Mães Amigas como rede de apoio, que me acolheram no Chá Pós Parto, me ajudando a me fortalecer no início de tudo. Os encontros semanais eram a luz no meio da minha escuridão. Tive sorte de ter um companheiro ao meu lado que segurou a minha onda e a onda de um bebê em seus primeiros meses de vida.

Meu pai não teve essa sorte. Em 2003, pouco se falava sobre prevenção de suicídio, a depressão era tabu e ansiedade era “qualidade”.

Eu tive sorte porque tive acolhimento e acesso à informação.

Depressão não é frescura, ideação suicida não é mimimi.

Se você percebe alguém assim ao seu redor, converse com essa pessoa, permita que ela fale sem se sentir constrangida ou julgada e recomende ajuda profissional. A vida dela pode depender disso.

Como estou hoje

Com apoio e acolhimento eu fui capaz de me reerguer. Certamente eu saí de toda essa situação mais fortalecida e consciente de quem eu sou, do que me faz bem, quais armadilhas minha cabeça é capaz de me colocar e como sair delas!

Prevenção do suicídio: uma necessidade global

 

 

Texto escrito por Fernanda Lima.

Revisado por Madame Conteúdo.

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