Crianças que perdem entes próximos têm maior chance de cometer suicídio

24.04.19

Vítima da depressão, Yasmim Gabrielle, ex-assistente de palco mirim do programa Raul Gil, foi encontrada morta no último domingo e a suspeita é de suicídio.

Por se tratar de um assunto delicado e com baixos índices entre crianças, o tema suicídio infantil muitas vezes não é abordado e precisamos falar sobre ele.

Separamos 5 perguntas para a psicanalista Renata Ataíde Mesquita que nos guiou sobre importantes fatos que cercam o assunto.

De acordo com ela, a depressão é uma manifestação psíquica grave, que só mais recentemente vem sendo percebida e levada a sério na sociedade, principalmente em crianças. Não é desencadeada por um único fator ou acontecimento vivido, mas por um acúmulo deles.

1. Quais são os principais motivos que podem levar uma criança a depressão? O que ela precisa viver para iniciar esse processo?

“Os sintomas da depressão vão aparecendo como se fossemos uma lixeira que vai se enchendo até chegar o momento em que um único e simples papel nos faz despejar.

A criança ou adolescente costuma se mostrar apático, triste, isolado e evita relacionamentos sociais. Junto a isso, internamente cria o sentimento de rejeição, inferioridade e menos valia que o leva a falta de cuidado próprio e desânimo total.

Outros sintomas também podem se associar a esse estado depressivo como fobias, obsessões e compulsões. É necessário ficar atento ao que a criança está vivendo e sendo exposta, tanto na família como na vida social.

Ela pode estar se sentindo pouco amada ou compreendida, não saber lidar com uma grande perda ou estar passando por situação de bullying real ou virtual”.

2. Pesquisamos que muitas crianças que cometeram suicídio possuíam traumas familiares, como morte de um parente próximo. O que os responsáveis por crianças que passam por essa situação podem fazer para ajudá-las nesse processo, além da procura por um terapeuta?

“Crianças e adolescentes, apesar de nem sempre demonstrarem, precisam constantemente de segurança e reconhecimento positivo. Muitas vezes no caso de perda de parentes próximos, a criança entende justamente essa ausência de segurança e por vezes não se sente mais amada.

Em muitos casos, elas desenvolvem compulsões para preencher esse vazio, e ainda na falta ou quando não mais se satisfazem com isso, é que se deprimem de forma mais profunda.

Um olhar atencioso, muito calor humano, uma conversa mais íntima sobre dor e sofrimento, são necessárias, mesmo que num primeiro instante relute, em algum momento a barreira se cede. No geral, nós seres humanos, evitamos conversas sobre morte e sofrimento, e isso vai se tornando lixo mental”.

3. Desenhos feitos pelas crianças podem nos mostrar um possível potencial suicida? Se sim, como?

“Desenhos são fonte valiosa de diagnósticos na infância, eles revelam muito do que se passa no inconsciente das crianças e adolescentes. Contudo, enquanto ferramenta, precisa ser cautelosamente investigado por profissionais da saúde.

Familiares ou professores ao se depararem com desenhos ditos estranhos ou incomuns precisam conversar com a criança, pedir que lhes contem o que afinal ela quis colocar ali no papel. Essa conversa pode ser importante para o desaparecimento de alguns dos sintomas ou para o início de um caminho de ajuda”.

4. O que leva uma criança a se suicidar e quais os sinais que ela pode demonstrar?

“Vários são os fatores que levam ao suicídio e até mesmo desencadeiam outras doenças psíquicas. Os sintomas se sobrepõem até chegar num ápice de angústia, ansiedade e tristeza, levando o indivíduo a se ver sem outra saída.

A depressão é uma manifestação psíquica grave, que só mais recentemente vem sendo percebida e levada a sério na sociedade, principalmente em crianças. Não é desencadeada por um único fator ou acontecimento vivido, mas por um acúmulo deles”.

5. Como agir ao perceber esses sinais/sintomas?

“Como são por vezes silenciosos, apenas sentidos pela própria pessoa, e no caso de crianças, geralmente nem por elas mesmas, manter uma relação de proximidade com quem sofre com a doença pode trazer algum tipo de ajuda ao detectar esses estados.

Ou seja, a mais antiga e sempre moderna receita, é o Amor: olhos nos olhos, corações aquecidos, ternura e respeito é importante e nos ajuda a enfrentar as dores do mundo”.

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