Criança pode ter colesterol alto?
26.11.2013 – A resposta é sim! Crianças também podem ter níveis de colesterol elevados. Em meu consultório já atendi crianças de 2 anos de idade com colesterol alto. Infelizmente, esta é uma triste realidade da sociedade moderna, na qual o consumo excessivo de alimentos industrializados, congelados, fast foods etc. está causando sérios distúrbios nutricionais em nossas crianças.
Outra informação importante é que não são só as crianças obesas que apresentam essas alterações. Indivíduos magros também podem apresentar níveis altos de colesterol e triglicérides, estando associados com erros alimentares e, mais raramente, doenças genéticas familiares.
Bom, para esclarecer melhor este tema, gostaria de deixar aqui algumas definições da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Dislipidemia é o termo utilizado para as alterações dos níveis das partículas de lipídeos na corrente sanguínea. Estas partículas são os triglicérides, colesterol total e suas frações HDL (colesterol bom) e LDL (colesterol ruim).
Valores de referência para crianças
Devemos sempre lembrar que os valores de referência para crianças são diferentes dos adultos!
Quais os riscos?
A dislipidemia é um fator de risco para a formação de placas de aterosclerose nas artérias. O colesterol é o principal componente dessa placa. Alterações inflamatórias locais ocorrem desde a infância e, com o decorrer dos anos, pode haver a formação de trombos e a oclusão do vaso sanguíneo, podem ocasionar infartos e AVCs (derrames cerebrais). Quando esse processo se inicia já na infância, teremos complicações em adultos jovens e não somente na velhice.
Como prevenir e tratar?
Atualmente, estuda-se muito a programação metabólica (“programming”) que relaciona agravos em fases críticas do desenvolvimento que podem levar a consequências para a saúde a longo prazo. Já existem evidências que a qualidade dos nutrientes recebidos pelo feto influenciam o desenvolvimento de doenças como obesidade, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Portanto, desde a gestação a mãe deve se preocupar com sua alimentação.
Também existem evidências científicas que o aleitamento materno previne a obesidade. Após a introdução de novos alimentos, a mãe deve se preocupar em retardar a oferta de açúcar e alimentos industrializados para a criança.
Na verdade, o segredo para uma alimentação saudável está no consumo de alimentos frescos e naturais no dia a dia, evitando produtos congelados, industrializados, temperos prontos, embutidos, queijos e carnes gordurosos.
Alguns alimentos são ricos em “gorduras do bem” e devem ter seu consumo estimulado como: azeite de oliva, óleo de canola, linhaça, castanhas em geral, abacate e peixes. Também é importante trocar alimentos refinados pelas versões integrais. Os antioxidantes presentes nas frutas vermelhas e no suco de uva integral ajudam a combater o colesterol. Os fitoesteróis também têm sua eficácia comprovada e já existem suplementos de fitoesteróis que podem ser consumidos por crianças.
Para terminar, a atividade física é fundamental e faz parte do tratamento, devendo ser praticada de forma lúdica para que a criança esteja sempre motivada.
É muito importante que a família toda participe das mudanças de hábitos alimentares e estilo de vida, para que haja sucesso no tratamento. Trará resultados para a saúde de todos!
Veja mais dicas em outro post que escrevi “Meu filho tem obesidade infantil!“.
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