Mãe brasileira terá filho em hospital contaminado na Itália

16.03.2020 – Hoje compartilhamos aqui um relato de uma mãe que nos acompanha da Itália! Uma das interações que mais nos marcou foi “Aqui também estávamos tranquilos, até a confirmação de 20 mil infectados com o Coronavírus em menos de 30 dias.”

Em quarentena forçada, ela, o marido e os (quase) três filhos contam como estão sendo esse período para a família.

Coronavírus e a Quarentena Forçada na Itália

“Sou Sara, 41 anos, ítalo-brasileira e moro há 4 anos na Itália, em uma cidade com 8 mil habitantes na região de Lombardia, local onde se encontra o maior foco do coronavírus.

Tenho 2 filhos, Matheus, 14 e Nina, 9 e estou grávida de 37 semanas.

Desde 23/02/2020 estamos em uma quarentena forçada. No dia 18/02 foi detectado o primeiro caso do Coranavírus na Itália, ouvimos muito que “não havia necessidade de alarde” e hoje, 15/03, são mais de 20 mil contagiados, além de todo relato que irei compartilhar. Fomos pegos de surpresa!

Todos os museus, cinemas, teatros, parques e qualquer local com possibilidade de muita aglomeração foi fechado, além das aulas serem suspensas. Ninguém pode sair de casa, caso contrário existe uma multa de 200€.

O vírus é altamente contagioso e, para sair de casa atualmente, somente preenchendo um módulo do governo.

Eu, em meio a isso tudo, tenho que admitir que estou um tanto nervosa. Primeiro pelos meus filhos que não saem do apartamento há quase 30 dias e segundo porque tenho uma cesariana marcada para o dia 19/03!

Um misto de nervoso e medo!

Eu precisarei estar no hospital as 06:30 da manhã e meu marido poderá apenas ficar algumas horas comigo, depois precisará ir embora. Qualquer outra visita é proibido. Devemos chegar de máscaras e entrar pela porta lateral do hospital, reforçando que todos os hospitais da região da Lombardia estão contaminados. Eu não estou pensando muito a respeito para não ficar muito nervosa, quero manter a calma e rezar para tudo correr bem. Após 5 ou 6 dias volto para casa com a esperança de ter mais segurança para o meu recém nascido.

Não consegui finalizar o enxoval do Filippo, pois desde o dia 10/03 todo comércio foi fechado, permanecendo aberto apenas farmácias e mercados.

Manter as crianças dentro de casa é muito desafiador. As aulas estão sendo online e as professoras mandam tarefas pelo site da escola. Não temos ainda previsão de retorno. Nos distraímos com jogos de tabuleiro, Netflix, videogame em uma rotina completamente diferente e alterada. Não podemos sair pra andar de bicicleta ou jogar bola, não podemos receber amigos ou parentes em casa. Não podemos fazer nada e nem receber ninguém, com dias completamente iguais. As ruas estão desertas. É triste presenciar a cidade rodeada de medo e insegurança do desconhecido.

Meu coração está apertado.

Choro todas as noites em silêncio pensando no dia de amanhã, em quando tudo isso vai acabar e o coronavírus (Covid-19) ser apenas mais um vírus.

Preciso ser forte, pois tenho as crianças e um bebê a caminho. Aqui na Itália temos uma campanha nas redes sociais para estimular a população: #iorestoacasa (eu fico em casa) e logo tudo se resolver.

Nunca imaginei viver uma situação como essa. Mas estamos levando, loucos por um final feliz. A vida tem que seguir! Cuidem-se e boa sorte no Brasil!”

Nina, 9, sem sair de casa desde 23/02/2020

 

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Polyana Pinheiro

Escrito por: Polyana Pinheiro

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