Meu marido pode estar com coronavírus, jamais teremos certeza!

20.03.2020 – Hoje estou aqui para relatar algo pessoal. Não sou médica e essa matéria não possui compartilhamento cientifico, apenas experiência pessoal, com objetivo de retratar um cuidado. Meu marido pode estar com coronavírus, mas para nossa surpresa, jamais teremos certeza!

Sim ou Não? Marido com coronavírus?

Na segunda feira (16) a noite, perto das 20h, meu marido apresentou febre de 39.2. Pela manhã ele tinha relatado dor no corpo, entretanto, afirmou que era por causa do vôlei do domingo. Na hora pedi para ele se isolar. Eram dois sintomas: febre e dor no corpo.

O isolamento foi na nossa própria casa, um sobrado, com ele morando no nosso quarto, com banheiro e escritório acoplado. Separei minhas roupas, peguei meus itens de higiene pessoal e deixei ele aprisionado lá dentro. Fiquei aflita pois sou asmática, beijamos na boca, compartilhamos copo de vinho e temos um filho que foi prematuro e, durante 3 anos, fez um tratamento preventivo de asma com um Pneumopediatra, Dr. Alfonso Alvarez, uma vez que toda virose dele desenvolvia uma falta de ar. Hoje, com 5, segue sem crises há 2 anos.

Os cuidados já haviam começado considerando que somos autônomos e iniciamos por opção de segurança o Home Office. Desde segunda eu levo a comida na porta do quarto, lavo os utensílios com bucha separada e não temos contato físico. Ele mora em cima e eu, embaixo com os meus dois filhos, de 9 e 5 anos.

Na terça a dor de cabeça apareceu e a febre permaneceu, de 12h em 12h, entre 37.8 e 39. Na quarta os mesmos sintomas, segundo ele, com dor insuportável no corpo e mal estar. Na quinta, por indicação da pediatra Dra Paolla Alberton, fizemos um exame de dengue, para descartar ou efetivar o quadro. Deu negativo, para um certo desespero. Nunca imaginei dizer isso.

Essa noite, de quinta para sexta, ele teve falta de ar e, meu coração acelerou. Com a quantidade de exposição na mídia, os memes, os casos, os perigos extra Brasil, as mortes, eu garanto, difícil manter a calma quando aparentemente o vírus pode estar na sua casa.

Eu: Bom dia amor, como vc esta? Como dormiu?
Marido: Agora estou bem!
Eu: Porque agora? Passou mal a noite?
Marido: Eu tive um pouco de falta de ar. Quando eu puxo bastante ar me dá acesso de tosse.
Eu: Amor vc precisa ir no hospital, agora.

Já tínhamos recebido a informação médica de procurar o PS apenas se tiver febre e falta de ar e, mais esse sintoma no quadro, foi primordial para meu marido correr para o pronto socorro. Eu, esposa asmática, mãe de dois filhos pequenos, comecei a ter um mini flash back forçado. Todos os lugares que estivemos nos últimos 15 dias e quantas vezes compartilhamos tudo. É inevitável pensar. Para quem está lendo, assim como eu li nesse período inúmeros artigos, não dá em nada, mas quando está colado a você, mil coisas passa pela cabeça.

Marido tomou banho, colocou máscara, levou álcool em gel e foi para o hospital. E aí que chega o foco principal dessa matéria.

Marido: “Passei pelo pré-atendimento. A enfermeira falou que desde ontem todos os hospitais só estão fazendo teste em pessoas graves, em pessoas com suspeitas, como eu, não estão fazendo mais o exame, mesmo se eu tivesse viajado pra Itália e não estivesse em estado grave, eles não fariam o teste. Ela mediu minha pressão e colocou aquele pregador no dedo, para ver a questão de falta de ar. Agora estou esperando para ser atendido.”

Ele ainda está no PS*, enquanto eu vim compartilhar as caraminholas da minha cabeça, agradecendo por meus filhos finalmente colaborarem, já que permiti que jogassem video-game a manhã toda. Já fiz meditação, a Andrea Maretti fez uma radiestesia a distância, com objetivo de eu me acalmar, bobo né? Mas sim, entrei em um pequeno surto e tive falta de ar de nervoso. rs.

As mídias só divulgam os dados de quem faz os teste. No momento, ninguém está fazendo o teste, o que significa, que muitas pessoas podem estar contagiadas com o vírus por aí e, nem saber! Em algumas, os sintomas aparecem, em outras não. Em algumas a febre pode vir, em outras não. Em algumas, o vírus pode ser fatal e, em outras, insignificativo. E a verdade é que, nesse momento, jamais saberemos o tamanho real de contagiados exatos.

Se os hospitais não possuem capacidade para fazer o teste, imaginem internar todos que precisam, todos que precisam de respirador (e acreditem, eu sou asmática e, ter falta de ar, é insuportável) em um momento de pandemia onde, a cada dia, novos casos serão descobertos. Uns sem importância, outros mais graves, mas fato é que, os médicos estão precisando escolher, quem fica em casa isolado e quem deve internar, já que não conseguem saber quem efetivamente tem ou não o vírus, uma vez que nosso país não se preparou para isso.

No momento só consigo contribuir para, de precaução, pedir para todos emanarem pensamentos positivos. Evitem beijar na boca, compartilhar talheres, continuem a lavar as mãos, usar álcool em gel e mantenham a casa e estabelecimentos bem desinfetados. Para quem continua a sair na rua, seja qual for o motivo, não tenha medo de se proteger, usar máscara, ter cuidado, dizer não a beijos e abraços, por precaução, uma vez que é impossível saber se estamos ou não com o vírus.

Fiquei pensando como foi bom eu ter me isolado com minha família, mesmo quando meu marido ainda estava bom. Em dias comuns, mesmo com febre e dor no corpo, ele teria trabalhado normal. Qualquer autônomo que precisa ganhar seu sustento faz isso. Fiquei pensando em quantas pessoas protegemos pelo simples fato de termos nos isolado por conta própria, no momento que as notícias chegarem no nosso estado.

Se ele está ou não com coronavírus, nunca saberemos pelo visto. Seguiremos isolados por 14 dias e, nesse momento, apenas rezo para todos nós ficarmos bem. Eu, ele e nossa família!

No mais desejo sorte! Para todos nós!

Estamos vivendo algo jamais esperado no país e, seguimos com medo, buscando esperanças para tudo isso acabar logo. Aos profissionais da saúde, gratidão! Fica nessa matéria aquela salva de palmas eternas e, ao meu marido, um abraço quentinho e acolhedor, em pensamento! Te amo muito!

Saúde e paz!


Durante a matéria, meu marido retornou dizendo que voltará para casa após finalizar o soro com dipirona, que está tomando na veia, por não se alimentar direito nos últimos dias. Pelo whatsapp mandei algumas perguntas e eis as respostas do médico que atendeu ele no PS do Centro Médico Campinas, Dr Ricardo Spiandorim:

Dúvidas com coronavírus:

Mesmo não fazendo o sintoma, vc diria que estou com o COVID-19
Sim.

Em qual situação devo me preocupar e voltar para o PS?
Quando tiver muita falta de ar, constante.

Posso fazer inalação em casa?
Não (voltei 21/03 para dizer que ele fez com soro e, sentiu-se melhor)

Posso usar aerolin, se falta de ar?
Não, pois o aerolin só resolve em caso de broncoespasmo ou bronco-obstrução. São outros mecanismos. É diferente do asmático que pega gripe, a ação do vírus leva a uma hiperreatividade brônquica que faz fechar tudo, aí o Aerolin resolve. (resposta editada em 22/03 – Dra Paolla Alberton – Sobre a negativa do plantonista)

Quantos dias preciso ficar isolado, longe da minha família?
14 dias sem contato, a partir dos primeiros sintomas.

Preciso ficar em outra casa, para garantir a segurança?
Apenas isolado em um cômodo, se possível com banheiro exclusivo.

Meus filhos e minha esposa precisam tomar quais cuidados?
Fazer o isolamento e não compartilhar talheres, toalhas, pratos, etc. Tudo precisa ser higienizado com bucha individual e depois desinfetado.

Eu tive pneumonia, isso agrava os sintomas futuros?
Pode ser que sim. Se a tosse persistir com a febre, precisa voltar ao PS.

Algum alimento em especial para fortalecer a imunidade?
Muita água.

Vitamina C ajuda?
Sim.


 

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Polyana Pinheiro

Escrito por: Polyana Pinheiro

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