Usar ou não usar bucha do norte?

23.08.2019 – Recentemente um assunto chamou nossa atenção nas redes do Mães Amigas, onde muitas mães usam a bucha do norte no tratamento de sinusites e rinites. Recorremos aos especialistas para responder se isso é mito ou verdade. Os sites de busca informam que a bucha do norte é uma planta medicinal, também conhecida como Abobrinha-do-norte, Cabacinha, Buchinha ou Purga. O seu nome científico é Luffa operculata e pode ser comprada em alguns mercados, lojas de produtos naturais e em farmácias de manipulação. Será que devemos usar ou não usar a bucha do norte?

“Ferve água e faz um chá bem forte. Coloca um prato fundo e inala aquela fumaça que sai do chá… tipo respira quase dentro do prato. Faz a noite antes de ir para caama, pois não pode pegar friagem depois de fazer. Essa é a única coisa que melhora minha sinusite”. Mãe amiga Sara M. F. indicou comprar a bucha em feiras de produtos naturais.

“Super forte, cuidado! Minha sogra fez e falou que saiu até as ‘tampas’, mas saiu sangue junto depois. Ela falou para o médico que tinha feito e levou bronca.” Mãe amiga Camila C. B. compartilhou conosco que sua sogra usou a bucha do norte para tratar a sinusite.

Usar ou não usar a bucha do norte?

Em uma tese apresentada pela doutoranda Mônica Aidar Menon Miyake para a USP, ela relata com base em estudiosos que “a indicação mais tradicional, além do tratamento das rinites e rinossinusites, é como laxante ou purgante drástico e abortivo (MATOS, 1979). A literatura também refere a utilização medicinal da Luffa operculata no alcoolismo, febre, picada de cobra, dor ciática, ‘oftalmia crônica’ (doenças oculares), sífilis, tínea, icterícia e ‘hidropsia’ (complicação que gera edema em um feto em desenvolvimento , no útero). Também são descritas propriedades diuréticas, emética, irritante, mucolítica e sudorífeca (CACERES, 1996), além de atuar como vermífuga, hidragoga e expectorante (VASQUES et al., 1986).”

De acordo como pneumologista e alergologista pediátrico, Dr. Alfonso Eduardo Alvarez, “ela não deve ser usada para tratamentos de quadros respiratórios, pois não há nenhuma comprovação científica de sua eficácia. Não é indicada em nenhum consenso ou diretrizes de tratamento. Além disso, sua utilização foi associada a efeitos adversos, como aborto em gestantes e quadros hemorrágicos”.

Miyake relata que segundo VASQUES (1986) o uso deve ser usado com cautela, “uma vez que doses excessivas podem provocar evacuações fluidas abundantes, cólicas, náuseas e vômitos, e mesmo hemorragias e abortos.

 

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Alessandra Assumpção

Escrito por: Alessandra Assumpção

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