Beijo marca o cérebro: como isso acontece

01.10.2019 – Recentemente, a imagem de uma ressonância magnética ganhou as redes, ela detectou a reação hormonal do cérebro quando uma mãe beijou o seu bebê de 4 meses.

O exame foi feito no laboratório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos, no dia 3 de abril de 2015, para confirmar que os cérebros de bebês com apenas quatro meses de idade processam a visão da mesma forma que os adultos e por acaso a reação ao beijo de sua mãe foi detectada quando ela entrou no scanner junto com seu filho e a imagem foi captada.

Entramos em contato com uma psicóloga que atua com infância e adolescência, Renata Lela, para entendermos mais sobre esse assunto.

Renata Miranda Lela


CRP: 06/68519
Especialista em Terapia Comportamental Cognitiva Infância e Adolescência; Psicologia Clínica pelo Conselho Federal de Psicologia; Educadora Parental  em Disciplina Positiva e em Educação Infantil pela PDA/USA (Positive Discipline Association/USA); Facilitadora do Programa Educação Emocional Positiva e do Programa Ciranda; Colunista do Site Descobrindo Crianças.

Site e Instagram.

 

O beijo e a sua importância para o mundo

Há alguns meses atrás, uma imagem de uma mãe beijando seu bebê, viralizou em várias reportagens, redes sociais e nos encantou com a expressão de afeto entre mãe e filho demonstrada em uma imagem obtida através de Ressonância Magnética.

A imagem era de uma médica que participava do estudo e de sua bebê de 4 meses. Ela foi obtida em 2015 e correu o mundo nesse ano, como um símbolo de ternura entre mãe e bebê.

Beijo marca cérebro

A imagem é de uma médica que participava do estudo e de sua bebê de 4 meses.

Na hora do beijo, na imagem obtida, as mesmas áreas do cérebro da mãe e da bebê foram afetadas, mostrando os efeitos que foram produzidos no cérebro das duas, por que é tão importante considerarmos esse estudo e essa imagem?

O beijo é responsável por liberar dopamina e serotonina, neurotransmissores relacionados ao prazer, humor e bem-estar. Além do beijo, o abraço de mais de 20 segundos também pode provocar a liberação da ocitocina, responsável pela sensação de bem-estar e alegria, redução de dor e por auxiliar no desenvolvimento de relações de afeto e empatia. A ocitocina é o mesmo hormônio liberado no parto e nos primeiros contatos mãe-bebê.

No entanto, para muito além do biológico, ao estabelecer uma relação de afeto e carinho com seu filho, a mãe também está contribuindo para o desenvolvimento da conexão e do apego seguro, que serão de grande importância para constituir a base de todo o alicerce da saúde emocional e mental da criança.

No apego seguro, a criança entende que pode contar com a figura da mãe que está sempre presente, que acolhe as necessidades e que sempre que necessário supre o que a criança precisa, desde necessidades básicas, como alimentação e cuidados pessoais, até necessidades afetivas, de condução, orientação, guia para a vida e amor.

Através desse vínculo que é formado, a criança começa a desenvolver as suas percepções e crenças acerca dela mesma, do mundo e das pessoas à volta, entendendo o mundo de acordo com a visão que ela forma, através dos cuidados e acolhimentos que recebe, assim como o amor e o afeto.

Portanto, crianças que crescem com apego seguro são crianças muito mais resilientes, emocionalmente mais bem sucedidas e que conseguem obter muito mais sucesso em suas várias atividades, além de serem mais saudáveis em termos de saúde mental.

O afeto, carinho, cuidado, amor, acolhimento na infância são decisivos para constituir a autoconfiança, a autoestima e para conduzir a criança em suas relações e em tudo que ela vier a enfrentar durante sua adolescência e sua vida como adulto.

Através dessa relação inicial entre mãe e filho, dita-se o padrão que será estabelecido entre todas as futuras relações daquele pequeno ser que nasce tão dependente dos cuidados da mãe ou de algum adulto a seu redor. Essa relação de apego pode ser constituída com algum adulto que exerça esse papel e não necessariamente somente com a mãe. No entanto, é com a mãe que ela acontece com maior intensidade, pela própria inter-relação criada desde intraútero.

E para quem ainda estiver com dúvidas sobre o que pode ser a conexão e o acolhimento que conduz ao apego seguro, basta pensar em todos os momentos de afeto e carinho vividos e no que eles lhe causaram ao longo da vida, como um beijo estalado de quem a gente ama muito, sopinha de vó, aquele abraço de urso bem apertado de uma pessoa que amamos, aquela brincadeira com nossos pais e irmãos.

A conexão pode ser conseguida em pequenos e simples momentos, basta deixar o afeto e o amor fluírem. Vamos todos juntos transformar nosso mundo em um mundo melhor através dos vínculos deixados para as próximas gerações?

O que por nós será deixado em cada um desses “serzinhos” que acolhemos, transcenderá as próximas gerações que continuarão no mundo!!

 

Matéria escrita por Renata Miranda Lela.

Revisado por Madame Conteúdo.

 

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