“Meu leite não saia, eram míseras gotinhas”

03.12.2019 – A amamentação é um processo de aprendizado para ambos os lados, tanto do bebê como da mãe. Nem sempre é fácil como parece e como dizem por aí.

É um processo de adaptação e nós mulheres não fazemos ideia de como isso pode acontecer após o nascimento do bebê.

Veja hoje o relato da mãe amiga Emily Macencini, mãe da Marina, baby anjo e da Cecília, baby arco-íris. Nutricionista infantil, cristã e amante de novas histórias e lugares.

(Ama)mentar: um processo de adaptação

Nossa bebê arco-íris chegou no dia 10/06, uma segunda feira. Chegou da forma que eu não esperava, precisou vir por parto cesária. Como o parto já não tinha sigo como o esperado, A amamentação teria que ser como eu esperava, afinal, dependia de mim.

Pois não foi, vou contar o que houve.

Cecília nasceu e demorou um pouco para vir ao peito, devido à política do hospital (que não vem ao caso agora eu criticar). Colocando ela pra mamar pela primeira vez, as enfermeiras passavam e diziam: “que belezinha; a pega dela é perfeita, você não terá dificuldade alguma.” Eu toda cheia de orgulho seguia firme na minha missão. Cecília saiu do hospital com a perda de peso esperada.

Quando chegamos em casa no terceiro dia de vida dela, foi quando tudo começou. Tive a famosa pojadura (a descida do leite). Já estava muito cansada das noites sem dormir, os pés muito inchados, as dores nas costas, e agora desceu o leite. Pois bem! Meu leite não saia, eram “massagens” e “massagens” (sim, entre aspas, pois de forma alguma eram massagens relaxantes, eu sentia MUITA dor, eu mesma não conseguia fazê-las) para ver se o leite saia, ordenha manual, ordenha na bomba elétrica, mas o leite NÃO SAIA!

Eram míseras gotinhas. A neném chorava o tempo todo, a pega começou a piorar, o peito começou a sangrar, eram lágrimas minhas e lágrimas da Cecília. Passados 5 dias do seu nascimento fomos na pediatra. Cecília tinha perdido muito mais peso que o esperado. A pediatra falou para tentarmos mais dois dias, eu tentando seguir firme no meu propósito. Minha mãe e meu marido desesperados pois estávamos todos cansados, a neném não dormia, nós não dormíamos, ela muito magra, eles insistiam em entrar com fórmula. Muito magoada e confusa com a situação acabei cedendo e permitindo que oferecesse 10ml pra ver se ela acalmava. Foi realmente muito difícil pra mim, afinal uma nutricionista infantil oferecendo fórmula para a filha, não fazia sentido.

Nesse meio tempo, uma consultora de amamentação, muito atenciosa, veio em minha casa todos os dias para me auxiliar. Passados os dois dias Cecília não tinha ganho peso suficiente, e eu não aceitava aumentar a quantidade de leite, tinha esperanças que ia aumentar a minha produção. Fomos numa luta muito grande, fazendo todo o possível. Quando estava com 15 dias fui fazer um curso. Para iniciar esse curso também, mas uma longa história, mas para resumir, fiz o curso, a consultora me passava uns exercícios para fazer com a Cecília antes de todas as mamadas, eu fazia.

Depois de um tempo a pega dela melhorou, fiz de tudo para aumentar a produção de leite. Fazia os exercícios certinho. Confesso que era bem sofrido, sentia muita raiva porque a Cecília não conseguia fazer direito nas primeiras vezes. Eu começava a sofrer sabendo que havia uma próxima mamada. Pois a cada mamada era um estresse gigantesco. A ponto de ouvir uma verdade: “mais vale uma mamadeira com amor, do que um peito com raiva”. Quando ouvi aquilo, mais algumas sessões de terapia, percebi que não poderia continuar naquela situação. Precisava melhorar internamente.

Sempre fui muito contra em colocar qualquer bico artificial na neném. Por alguns motivos que não vem ao caso. Fazia translactação com ela desde o início. Depois de um mês fazendo os exercícios para corrigir pega e sucção, melhorou bastante a pega dela, mas ainda não ganhava peso. Foi quando com 2 meses retornei a pediatra e ela falou pra mim, que deveríamos aumentar a quantidade de fórmula oferecida, e retornar em 4 dias. Se ela mesmo assim não tivesse ganho peso, precisaríamos investigar, e ir em busca de exames. Aquilo me chocou um pouco. (Nenhuma mãe quer que furem seu neném né?) foi assim que aumentei a quantidade de leite para 150ml.

Cecília mamou tudo e dormiu tranquila. A partir daquele momento aceitei que não conseguiria produzir a quantidade suficiente de leite. As consultoras acreditam que não produzo o suficiente pois tenho uma cirurgia mamária, (fiz redução de seio há 10 anos atrás).

A partir daquele momento, Cecília dormiu, e todos nós conseguimos dormir mais tranquilos.

Hoje quando vejo fotos dos primeiros dias dela, me arrependo de não ter introduzido a fórmula antes.

O pouquinho que sai do meu peito é forte o suficiente para protege-la, e a fórmula tem todo o necessário para sua devida nutrição.

Afinal, amamentação não é só alimentar o bebê. É o aconchego, o carinho, é o calmante, é poder sentir aquele amor, sentir sua mãozinha passando em meu rosto. Eu AMO amamentar. É fórmula infantil? É! Mas ofereço a ela na melhor forma que conseguimos encontrar.

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