Amamentação dolorida, eu decidi parar
25.11.2013
Â
Gerusa Gasparini
Mãe do Pedro (3 anos e 8 meses) e da Maitê (4 meses)
♥ Quando a Maitê nasceu, ela achava que a amamentação seria a parte mais fácil, e então veio a frustração de não conseguir…
Ser mãe sempre foi o meu grande plano de vida, desde muito pequena brincava com minhas bonecas e exercia nelas todos os cuidados de uma mãe de verdade!
Minha primeira gravidez foi planejada e muito desejada, passava horas imaginando como seria quando ele estivesse nos meus braços, me imaginava amamentando e isso me deixava cada vez mais em estado de graça!
Quando o Pedro nasceu, a amamentação foi um enorme desafio, meu peito machucou, sangrou, mais eu estava forte e decidida, era somente eu, ele e meu marido para apoiar!
Consegui, com muita insistência e determinação, e então tudo aquilo que eu idealizava se tornou real!
Minha segunda gravidez, assim como a primeira, também foi planejada e desejada, porém diferente. Diferente porque tinha outra pessoa que dependia de mim e sabia que algo diferente estava por acontecer!
Foram poucos os meus momentos com a Maitê na gravidez, porque quando chegava à noite eu estava tão cansada que desmaiava de sono, mas meu amor por ela, esse era tão intenso quanto por ele, a única certeza que eu tinha é que levava comigo um ser que viria para completar meu coração e minha alma!
O nascimento da Maitê foi muito tranquilo e tudo com muito amor. Assim como com o Pedro, coloquei ela nos meus seios e pensei: Ah, dessa vez vai ser tranquilo! As enfermeiras vinham perguntar sobre a mamada e eu toda orgulhosa respondia: Está tudo ótimo, está mamando super bem!
Pois bem, chegamos em casa e meu peito machucou muito, muito mesmo, claro que a pega estava errada, mas tudo não parecia tão simples assim. Além do meu peito machucado (eu mordia um cabo de vassoura enquanto ela mamava, de tanta dor), eu tinha que administrar o ciúmes do Pedro com a irmã!
Não foi nada fácil, ela mamava, eu gritava de dor, ele chorava que queria colo!
Minha mãe trabalha e eu só podia contar com a ajuda do meu marido, que também teve que voltar ao trabalho. Tudo estava muito difÃcil, do meu bico saÃa pus e sangue, só de lembrar sinto dor!
Mas, como eu iria desistir? Como poderia amamentar um filho e outro não? Que mãe é essa??
Fui ficando cada vez pior e o que era para ser um momento de construção de vÃnculo, de troca de amor e carinho, estava virando um caos. Resolvi chamar uma doula para orientar a pega da Maitê, ela veio em casa muito atenciosa, ficou chocada com o que viu e questionou como eu estava suportando aquilo.
Sinceramente, eu não sei! Mas não passava nunca pela minha cabeça desistir, jamais! Pensava muito no que as pessoas iriam achar, me sentia uma mãe cada vez mais incompetente!
Contei com a ajuda das minhas amigas aqui do grupo, que ouviam o meu choro ao telefone e tentavam me confortar de alguma maneira e conseguiam!
No retorno ao pediatra, foi o meu choque: ela tinha emagrecido ao invés de ganhar peso. Para mim, foi a gota d’água, não aceitei aquilo de nenhuma maneira. No mesmo dia, sentei e conversei com meu marido, muito parceiro e compreensivo, tomamos uma decisão: dar a mamadeira!!!
Ele me apoiou muito, assim como as minhas amigas. Maitê mamou muito, com prazer, seus olhinhos até viravam e a dor que estava no meu coração, foi tomada por um sentimento de alÃvio!
Não foi fácil, me sentia mal, incapaz, tinha vergonha de dar a mamadeira para ela em lugares públicos, com medo de as pessoas me julgarem… mas, me julgarem por quê? Sim, o leite materno é, sem dúvida, o alimento mais completo que existe, mas só ele é suficiente??
E o bem-estar da mãe? E o prazer que ela não esta sentindo ao amamentar? E o estresse da situação passado ao bebê? Isso não tem importância?
Refleti muito dia após dia, li muito, orei muito, o tempo foi passando e meu coração se acalmando. Maitê foi crescendo, nosso vÃnculo materno foi ficando cada vez mais intenso! Sou completamente louca de amor por ela e cheguei a uma conclusão sobre a qual já havia lido e ouvido, mas nunca sentido: ser mãe vai muito além do que amamentar, ser mãe é se doar por inteiro, se entregar para esse amor de forma incondicional, é pensar no bem-estar da mãe e do bebê sempre!
Claro que a amamentação é a maior prova de doação de uma mãe para um filho, mas se não foi possÃvel, não é preciso sofrer, basta seguir em frente!
Essa foi uma experiência que veio para amadurecer ainda mais esse coração e alma de mãe, a primeira de muitas outras que ainda virão!
Um grande beijo a todas!
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