A vida de uma criança asmática precisa ser normal
17.10.2016 – Eu sou asmática. Não me lembro das crises da minha infância, mas me lembro muito bem das crises da minha adolescência, quando ela voltou. Minha mãe conta que 35 anos atrás não existiam os tratamentos que já existem hoje. Quando eu tinha alguma crise, ou acordava rouca e tossindo muito no meio da madrugada, ela apenas corria comigo para o hospital mais próximo.
Miguel, meu primogênito, tem quase 6 anos e nunca teve um problema respiratório. Já o Murilo…não posso dizer o mesmo!
A vida de uma criança asmática precisa ser normal
Como muitas já sabem ele nasceu de 31 semanas, pesando 1.9kg e ficou 20 dias na UTI devido a um desconforto respiratório. Dez dias antes do Murilo nascer, eu tive uma crise asmática e precisei tomar uma injeção de corticoide, o que sem querer, ajudou no fortalecimento do seu pulmãozinho.
O susto foi muito grande, claro, e eu já contei essa história aqui, por essa razão pularei essa fase inicial da vida da #PequenaMuralha nessa matéria.
O segundo baque veio quando Murilo acabara de completar 11 meses, em 21 de junho de 2015, e precisei sair correndo com ele para o hospital. Durante a madrugada Murilo teve febre baixa, estava com uma tosse seca espaçada e uma respiração mais ofegante do que o normal. Após diagnosticado com uma bronquiolite, e realizarem inúmeras inalações sem sucesso de melhoria, meu mundo caiu quando o médico plantonista disse que ele precisaria ser internado.
Foram 5 dias sem fim, no quarto de um hospital frio e sem vida. De 3h/3h um enfermeiro batia na porta para realizar algum procedimento, inalação, massagem respiratória, ou coleta de algum exame. Era cansativo e desgastante, para mim e para meu pequeno, e eu não agüentava mais! Graças à ajuda de muitas mães amigas, encontrei um pneumopediatra pronto a me socorrer, em uma sexta-feira a tarde no seu consultório. Como Murilo estava 90% melhor, e eu dei a minha palavra que a consulta nesse especialista já estava agendada para o mesmo dia, tivemos alta. Foi então que olhei para aquela situação toda e decidi que não queria nunca mais passar por aquilo com meu filho. Eu sempre fui “desleixada” comigo mesma em relação à asma, tratando meu quadro apenas no sintomático, mas com ele seria diferente.
Iniciamos um tratamento especializado. Murilo já frequentava o berçário desde os 7 meses e eu queria que ele tivesse uma vida normal, igual a do irmão. Esse tratamento tem como objetivo controlar as crises e os chiados.
Na primeira etapa iniciamos o tratamento por 3 meses, logo após a sua internação. Murilo não teve nenhuma crise nesse período e demos uma pausa para avaliar como ele se sairia. Após quatro meses ele apresentou uma nova crise com chiado no peito, e voltamos para o tratamento inicial, dando continuidade agora até o final de setembro.
Uma coisa que aprendi depois desses anos, é que existe o tratamento sintomático, quando “apagamos o incêndio” durante uma crise (era o que eu fazia antes de ser mãe) e o tratamento que visa o controle da doença, para “manter a floresta sem chamas” rs. Segundo o nosso pneumo, a chance de uma criança asmática responder positivamente a esse tratamento é grande!
A asma está controlada quando uma criança não apresenta nenhum sintoma da doença, ou seja, ela não tem tosse, chiado e nenhum sinal de falta de ar – tem uma vida normal.
Por aqui, o Murilo segue com uma vida normal. Vai à escola, aos aniversários, aos passeios de final de semana e as nossas viagens. Sempre levamos o kit socorro na bolsa, mas foram raras as vezes que precisamos usá-lo, graças a Deus. Meu pequeno recebeu o diagnóstico de uma criança asmática após ter adquirido uma bronquiolite, e por ser um bebê prematuro e ter uma mãe asmática, consideramos de extrema importância monitorar o seu quadro de pertinho, com um bom profissional.
Por vivência própria, se eu pudesse dar uma dica, não ignore os sinais que o seu filho está dando, pois não é normal uma criança se cansar ao correr, brincar ou tossir com freqüência e sem motivo. É possível levar uma vida normal com tratamento correto, independente do tipo e gravidade da asma de seu filho.
