Socorro! Não tenho liberdade com a maternidade

Socorro! Não tenho liberdade com a maternidade

22.09.17 – Nessa semana, uma amiga muito próxima me ligou para conversarmos firulas do dia-a-dia. Durante nosso papo ela disse: “Isa, faz tempo que eu queria te perguntar, como está sendo a maternidade para você?”. Imediatamente entrei no modo automático, acontece sempre que alguém me faz essa pergunta. Comecei logicamente, pela parte que, para mim, tem sido a mais difícil: Socorro! Não tenho liberdade com a maternidade.

Socorro! Não tenho liberdade com a maternidade

 

Isabella Achcar
Mãe do Benjamin
“Não dá mais pra fazer o que eu quero na hora que quero.”

 

Horários e regras facilitam a criação do meu filho, mas também tiram a autonomia que tenho sobre meu tempo. Não dá mais pra fazer o que eu quero na hora que quero. Meu tempo agora é regrado e sempre dedicado a ele: hora de mamar, hora do banho, hora do sono, hora de brincar. Preciso ser responsável o tempo todo não só pela minha própria vida, mas também por alguém que depende de mim. Tudo isso vira uma rotina que, acima de tudo ajuda meu filho a crescer bem, mas também me priva de alguns momentos de liberdade, momentos de mulher no qual sinto falta.

Fora isso, também há o peso, as dores, a culpa, a preocupação e o medo constante que permeia a maternidade. Medo de não ser boa o suficiente para moldar um ser humano, medo do mundo ao redor que é mau e assustador e também medos mais palpáveis como o de doença, queda, perigos escondidos dentro de casa.

Mesmo que eu tentasse ser coesa nem mesmo 6 horas de ligação poderiam responder essa pergunta de forma completa. Hoje, pensando um pouco mais nessa conversa, descobri diversas facetas que me fizeram uma mulher muito diferente após o nascimento do Benjamin. Me tornei mais prática. Quebrou? Joga fora. Não serve? Doação. Resumi minha vida e as minhas coisas, só não economizo no textão.

Aprendi a deixar pra lá, afinal, nem toda briga vale a pena e eu poderia gastar esse tempo fazendo coisas que realmente são úteis no meu dia a dia como picar verduras para a papinha do Ben. Descobri no universo materno a dor das outras mães, agora eu choro e me alegro com elas. Troco olhares compreensivos com as mães que passam por mim no shopping e consigo enxergar com outros olhos a minha própria mãe.

Com a maternidade aprendi a escutar melhor não só o choro do neném a três quartos e duas portas de distância, mas a dor, os problemas, a amargura do outro. Também enxergo melhor a vida ao redor, os parquinhos mais limpos e a beleza de tudo. Até de um coco de consistência correta que indica que a alimentação saudável que praticamos com o Ben está dando certo hahaha.

Antes de desligar o telefone finalizei meu monólogo. Expliquei que, o que facilita é saber que agora existe alguém que me ama incondicionalmente. O amor é tanto que ele chega a chorar quando me afasto para ir ao banheiro e fica imensamente feliz quando volto, me receber de volta com o sorriso vibrante de quem, em tão pouco tempo, quase morreu de saudades.

Socorro! Não tenho liberdade com a maternidade

 

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