Separação Mãe-bebê: “Escolinha, aí vou eu”

18.09.2012 – Quem não assistiu ao desenho Nemo? Imagino que quase todos tenham visto esta magnífica animação da Pixar, que representa tão bem as angústias de separação de um pai (poderia, perfeitamente, ser uma mãe) quando seu filho vai pela primeira vez à escola infantil. Ele tenta convencer o filho a deixar para o ano que vem. O filho acorda excitadíssimo, mas o pai, temeroso e superprotetor, não está seguro para viver esta separação. Leva o filho para a escola, mas fica observando de longe as crianças junto com outros pais de primeira viagem. Nemo fica furioso ao se perceber vigiado e provoca o pai, desobedecendo-o.

Este trecho do desenho nos faz lembrar dos sentimentos ambivalentes e das dúvidas dos pais no primeiro dia de aula de seus filhos. Eles se perguntam: Será que ele ficará bem? Será que irão cuidar bem dele? Será que irão notar se ele precisar de alguma coisa? Enfim, o que os pais desejam é que, na escola, os filhos recebam a mesma atenção que recebem em casa. Mas como? Serão 10 ou 15 alunos! 

Frequentemente, as crianças também temerosas, se angustiam com o novo e com a separação. Elas não compreendem que os pais virão buscá-las. Por isso, existe o período de adaptação e, nos primeiros dias, a criança fica apenas um curto período na escola e os pais ficam à disposição, caso ela precise vê-los ou estar com eles. Aos poucos ela irá adquirindo a confiança de que os pais virão buscá-la, sim, e que eles não sumiram (apesar de não estarem ao alcance de seus olhos).

Espontaneamente, vemos pais brincando com seus bebês de se esconderem e aparecerem dizendo “Achou!”. Tempos depois, será a criança a brincar de se esconder quando os pais voltam do trabalho. Brincando, todos vão elaborando suas angústias de separação. Isto tudo é muito natural.

As crianças têm condições de desenvolver essa confiança. Para tanto, precisam se sentir acolhidas na escola. Seus pais deverão demonstrar que confiam nas pessoas que estarão cuidando delas. Por isso, a escolha da escola (ou da creche) é muito importante e deve ser feita com calma.

Voltando ao Nemo, lembram-se da dedicação do Professor Arraia? Como ele estimulava a criançada a aprender e a viver aquela experiência no oceano? Isto tudo é muito enriquecedor: o convívio com outras crianças, aprender com as novas experiências e ampliar o restrito ambiente familiar. No entanto, a atenção individualizada nem sempre é possível. Pais e escola precisam estar em contato, conversar, trocar ideias.

O final da licença maternidade

Como saber, então, qual a melhor solução quando as mães voltam a trabalhar após a licença maternidade? Não há uma só resposta. Cada família precisa avaliar: Quanto tempo seu bebê precisará ficar longe dos pais? Os avós podem cuidar – seja na casa da criança ou na dos próprios avós? O berçário é o mais adequado? Há uma boa babá que possa se ocupar dos períodos em que o bebê estará em casa, sem os pais?

Mas o certo é que esta decisão estará marcada por angústia e, muitas vezes, por sentimentos ambivalentes. Ou seja, haverá momentos em que se estimulará que o bebê se acomode bem com aquele que se ocupará dele e outros em que, secretamente, se torcerá para que não dê certo. Quantas vezes já se ouviu relatos de que a criança, ao ser deixada na escolinha, ficou bem, deu “tchau”, nem olhou para trás e a mãe (ou o pai) ficou chorando, do lado de fora, na hora da separação?

As angústias fazem parte do processo de crescimento. Considerando-as, pensando e lidando com elas, os pais podem encontrar um melhor caminho.

 

Autora: Alba Benito

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