Querer é PODER! Parto normal, sim!

02.08.2013

 selo materia mae amiga

Maria Carolina Sae

Mãe do Mateus (2 anos e meio) e da Beatriz (2 meses)

♥ Fez uma primeira cesárea eletiva e lutou de todas as formas para ter um parto normal na segunda gestação. Conseguiu!

 

Bom, começar esse relato com essa frase para mim é sensacional. Me sinto tão realizada de ter tido o PODER de conseguir algo tão desejado: um parto normal humanizado! E PODER no duplo sentido: EMPODERAMENTO e CONSEGUIR, poder realizar algo que, na cultura atual que rodeia as maternidades e consultórios obstétricos do nosso país, é cada vez mais difícil de ver.

O EMPODERAMENTO vem do inglês Empowerment e cabe perfeitamente no caso em questão. O empoderamento possibilita tanto a aquisição da emancipação individual, quanto à consciência coletiva necessária para a superação da “dependência social”. No caso, empoderamento de decisão sobre SEU CORPO, SEU PARTO e com as informações CORRETAS sobre o parto e as indicações de cesárea e a não dependência de obstetras que, em alguns casos, indicam cesáreas desnecessárias baseados em conceitos inadequados sobre o que É NASCER e sobre o poder da MULHER sobre seu corpo e seu filho.

E CONSEGUIR, uma equipe humanizada, conseguir arcar financeiramente com os custos do preparo para esse momento e para o parto em si. Sim, custa e paguei e pagaria novamente, pois se um médico cobra X para ficar horas ao seu lado, te tratar com respeito e dignidade, respeitar seu momento e o seu trabalho de parto, também tem médico que cobra o mesmo X para marcar a hora do seu filho nascer sem sequer ter o cuidado de te dar bom dia antes de estar com o bisturi na mão.

Quero deixar claro que não tenho nada contra a cesárea. Fiz uma cesárea eletiva exatamente há dois anos e quatro meses. SIM, tive um parto normal após uma cesárea. Outra informação equivocada que vemos por aí: de quem tem cesárea prévia não pode ter um parto normal depois. Eu tive.

Carol e Mateus_blog materno maes amigasBom, a minha cesárea foi eletiva e induzida, mas me trouxe duas coisas fundamentais para eu conseguir dar esse relato hoje: meu filho, lindo, saudável (claro, que depois do pequeno desconforto respiratório, presente em MUITOS recém-nascidos de cesáreas eletivas) e a CORAGEM de olhar no espelho no momento que eu descobri minha segunda gestação e me sentir PODEROSA para DECIDIR o que eu realmente queria para mim: ter meus filhos de maneira normal, natural e decidir sobre MEU CORPO E MEU PARTO. Claro que sempre tive na cabeça o plano B, cesáreas salvam vidas e não queria um parto normal a qualquer custo, SE REALMENTE FOSSE NECESSÁRIO, faria novamente sem titubear, o importante era ter meu novo bebê lindo e saudável nos meus braços.

E assim o foi. Controlei meu peso, fiz hidroginástica, contratei uma doula, fui acompanhada por um obstetra consciente sobre o que é o parto, capaz cientificamente, tecnicamente e humano mas… QUERER É PODER? Com 34 semanas de gestação, estava EU deitada em um centro cirúrgico, ganhando uma RAQUIANESTESIA nas costas… NÃO!!!! Não era uma cesárea, era o parto da uma hemorroida quase do tamanho da cabeça de um bebê!! rsrs!!! Brincadeiras a parte, tive sim que entrar na faca e fazer a cirurgia, pois meu pior pesadelo que era a hemorroida, um dos fatores que me induziram à cesárea eletiva na primeira gestação, estava lá outra vez… me MATANDO DE DOR! Fiz de tudo, de tramal na veia à acupuntura lá naquele lugar (SIM, meu desespero era tamanho que deixei enfiarem uma agulha LÁ) nada resolveu e a cirurgia era a única opção.

E AGORA???? Surtei! Cesárea prévia e hemorroidectomia. Por um momento, vi meu sonho do parto normal sair pela janela! Aí, entra a equipe. CALMA, vamos ver… faltam pelo menos 4 semanas… CLARO que todos os cuidados foram tomados, mas NINGUÉM me disse que não dava. Todos me encorajaram e eu CRESCI mais ainda.

O pós-operatório dessa cirurgia é caótico! A primeira vez no vaso sanitário pós-cirurgia é uma epopeia inenarrável. Eu barriguda, emocionalmente abalada, com um outro bebê de dois anos para cuidar. Respirei e contei com tanta ajuda e carinho! Carinho de amigos, familiares e de Mães Amigas! E como essas Mães Amigas foram importantes!

37 semanas, perdi meu tampão. Nessa época, minha cirurgia já estava parcialmente cicatrizada e o tramal já não era meu melhor amigo! rs!

Quando vi o tampão ali… me realizei! Pensei: ESTOU EM TRABALHO DE PARTO! Só que não! rs!

Saiu o tampão, mas as contrações estavam fraquinhas e espaçadas. De domingo a quinta nem dilatação tive. A ansiedade aumentava. Sexta à noite percebo um líquido na calcinha… minha bolsa estourou. De leve, mas rompeu… tipo, você dá risada ou tosse e vaza lá embaixo, rs!

Meu médico e minha doula acompanhando tudo. Na maior calma, pediram que eu controlasse as contrações e que com a bolsa rota daria para esperar, no máximo, até segunda de manhã. Eu, calma. Uma calma que não era minha. No sábado, fiz acupuntura outra vez, subi escadas, fui passear com meu filho e marido. E as Mães Amigas que acompanhavam “inbox” estavam mais ansiosas que eu! rs!

Sábado à tarde minha doula veio em casa, monitorou a Beatriz e tudo corria bem, com as contrações aumentando. Sábado de madrugada as contrações pioraram, fortes, compassadas, a ansiedade finalmente chegou! Lembro de olhar a madrugada pela varanda e pensar: semana que vem essa hora, tô aqui amamentando ela.

Mas, do mesmo jeito que as contrações vieram, foram… diminuíram e a ansiedade tomou conta! E agora? Vou conseguir? Domingo de manhã falei com a doula e com meu médico. Como as contrações não estavam evoluindo, meu médico sugeriu internar e colocar ocitocina. Não era o que eu queria, a princípio, mas com a ansiedade e bolsa rota, foi o jeito.

Marcamos de internar à tarde. Deixei o Mateus na minha sogra e fui comer um JAPA, rs! Nem EU acreditava, e nem minhas Super Mães Amigas inbox, rs! Lembro delas comentarem que até os maridos estavam ansiosos… esse parto foi intensamente vivido! rs!

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Internei e às 17h40 ligaram a ocitocina, perto de 23h fiz a analgesia, uma analgesia leve, nem parece que você tomou nada, rs! Até hoje acho que fui enganada, rs! Entre cócoras, chuveiro e muito apoio do meu marido que estava sempre do meu lado, vi chegar o momento de falar: quero fazer força!!!

E ninguém precisa pedir, a vontade de fazer força é nossa, o corpo fala, grita, e você sabe o que fazer, apesar disso, temos um sentimento contraditório.. .e agora? Não há volta, vai nascer! Os hormônios, a vontade e a necessidade de fazer aquele ser sair para o mundo está em nós. Naquela hora nada me parava, nem o medo que eu estava de estourar minha cirurgia de hemorroida. Eu sabia e quando senti a cabecinha dela chegando perto foi meu estímulo… faça mais força… tá quase lá… E fiz e ela chegou e minha satisfação se traduziu num sonoro: EU CONSEGUI! Com ela em meus braços saída direto de dentro de mim, sem choro, só com seu respirar ofegante e o barulhinho gostoso e senti que ela me dizia: conseguimos!

Carol Sae_blog materno maes amigasFoi o momento mais maravilhoso, me senti mulher, empoderada, realizada. Não sentia mais nada. Sem episio, sem laceração, sem ponto… sem dor… por que DOR eu senti no meu pós-parto de cesárea!

E foi assim, com todos do meu lado, que sorrimos e choramos juntos. Minha pequena chegou! Mamou 5 minutos depois de nascer, não saiu do meu colo, eu tinha fome… comi, fui para o quarto… sem soro, sem nada, não precisava. Depois de duas horas, tomei banho. Dormi… lembro de acordar e pensar… nossa… isso é pós-parto de parto normal? Não sinto nada! Ou melhor, sinto tudo… parece que foi a etapa final de um processo longo que começou no dia que eu agendei o aniversário do Mateus. Eu não sou contra nada, não julgo ninguém. Temos o poder de escolha, mas acredito em basearmos nossas escolhas nas informações corretas, no que queremos e não no que querem para a gente. Não acredito em convencimento de que eu não posso… EU POSSO e QUERER É PODER!

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