PUBERDADE – Parte 02

05.12.2013

Lembram do filme “De volta para o futuro”? 

O filme começa com a imagem de uma sala lotada de relógios que marcam a mesma hora. O problema do tempo é colocado assim imediatamente em primeiro plano, como um eixo em torno do qual se desenvolve a trama da historia.

A viagem de mão dupla no tempo do protagonista progressivamente transforma-se num tipo de circularidade em espiral na qual o presente e o futuro influenciam retroativamente o passado, da mesma maneira que o passado influencia o presente e o futuro.

Martin é um típico adolescente da metade dos anos 1980 que frequenta a escola numa pequena cidade americana, tem uma sólida amizade com Doc, arquetípico cientista louco e genial, figura que no filme substitui um pouco à insatisfatória e decepcionante relação familiar com os pais, pouco vitais, pouco consistentes, que não se oferecem como boas figuras de idealização nem como figuras que permitam uma necessária oposição diferenciadora que o jovem precisa nessa idade.

Por um jogo com o tempo, Martin se encontra no passado, antes ainda de seu nascimento, especificamente nas raízes da sua origem individual, e na tentativa de voltar ao futuro, entra em contato com aqueles adolescentes que se tornarão seus pais, com a pré-história de sua família nuclear. A visita ao próprio passado torna-se inevitável, além disso, é um risco a interferência com a história já ocorrida, mas essa interferência resolve-se numa transformação do próprio passado. Martin contribui ativamente na construção de uma nova história para ele.

O cenário edípico é evocado como raiz dessa transformação. O perigoso, mas sincero ‘enamoramento’, retribuído, por aquela adolescente que se tornará sua mãe e a tentativa de valorização daquele adolescente tímido e inseguro de sua própria identidade que se tornará seu pai, levam Martin à ativa criação e composição de um casal parental, à configuração da relação entre os pais da qual ele poderá nascer.Nesse cenário em que se entrelaçam relações amorosas e agressivas que possibilitam um novo jogo de identificações e dês-identificações com os pais, Martin é capaz de gerar novas e ricas articulações para se relacionar consigo mesmo e com os outros. Este é o principal trabalho que deve realizar o adolescente.

Nessa reinscrição imaginativa de sua historia, o sentimento de si e de sua identidade, com o qual reencontramos Martin no final do filme, mostra-se modificado ampliado, enriquecido.

O filme, visualizado como um trecho do curso de uma vida, evoca aquelas transformações da adolescência que podem ser realizadas quando existem algumas condições básicas, oferecidas por um ambiente familiar suficientemente bom, para que ocorra o desenvolvimento psíquico.Em termos das relações emocionais profundas no interior da família. O adolescente convoca, também, seus pais a entrar novamente em contato com a própria adolescência, a revivê-la e, algumas vezes, a viver pela primeira vez o significado transformador que ela tem. Dessa disponibilidade dos pais a tal convocação, depende o sucesso do processo de mudança da construção da identidade, específica da passagem da adolescência

A puberdade é a via de entrada na adolescência e é um dos momentos chaves de reorganização do ser humano. Nessa idade, torna-se necessário integrar outras fases anteriores da vida que são determinantes no desenvolvimento de cada indivíduo.

Hoje queria focar este aspecto: De que maneira os pais de crianças pequenas podem preparar um ambiente favorecedor para o crescimento dos filhos em direção à puberdade.

Cada fase do desenvolvimento se apoia sobre a base de todas as fases anteriores. Por isso a atitude dos pais desde o começo da vida vai ser importante para o desenvolvimento posterior. 

Algumas atitudes que podem favorecer e estabelecimento de uma relação de confiança com o filho:

1.    Quando nasce um filho, os pais têm uma serie de expectativas, algum tipo de projeto para ele. E importante lembrar, desde o começo, que o filho é outra pessoa, que vai construir seu próprio caminho independentemente do desejo dos pais, por isso é desejável que eles possam valorizar e aceitar o filho como ele é.

2.    Tentar, desde o início da vida, abrir espaços de comunicação, ser pessoas que escutam e tentam entender o que está acontecendo com o filho nas diferentes idades. Para isso é muito valioso que os pais tentem lembrar como eram eles e como se sentiam na idade que atualmente tem o filho. 

3.    Tentar sempre ser coerentes nas mensagens e valores que passam para os filhos. Na adolescência o filho vai precisar se opor a autoridade dos pais, para poder se diferenciar e encontrar sua própria identidade, mas os pais continuarão sendo uma referencia confiável para poder ele mesmo criar seus próprios critérios para lidar com a realidade e se proteger dos riscos, quando já os pais não possam estar presentes em todos os momentos da vida.

4.    Tentar reconhecer as qualidades do filho e valorizá-lo, sem negar as falhas, para que ele possa criar um sentimento de autoestima que o ajudará a lidar com um mundo que nem sempre será acolhedor.

5.    Saber ser firmes, quando necessário, e mostrar os limites da realidade sem ser autoritários, ajudando o filho a pensar sobre as consequências de seus atos para que possa ganhar autonomia.

A adolescência é essencialmente uma fase de descoberta pessoal. O adolescente deve passar pelo desenvolvimento gradual dos processos de amadurecimento que conduzirão, finalmente, ao surgimento da pessoa adulta. Esses processos não podem ser acelerados ou atrasados, mas podem ser invadidos e destruídos. Por este motivo, a família e o ambiente desempenham, nesse estagio, um papel de enorme importância. Muitas das dificuldades pelas que passa o adolescente derivam de condições ambientais desfavoráveis, quando falta por parte dos pais e educadores um olhar compreensivo, uma escuta atenta e uma capacidade de diálogo e de conter as angustias próprias desse momento da vida.

Autora: Ana Rivarola

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