Psicoterapeuta infantil: “Bonecos são uma forma das crianças se verem fora de seus corpos”

27.04.2018 – Representatividade. No dicionário, a definição dessa palavra tão pronunciada nos últimos tempos consiste em “representar os interesses de um determinado grupo”.

Mas quando esse conceito passa a envolver o seu filho? A resposta é simples: quando os brinquedos com os quais o pequeno se diverte todos os dias não possibilitam que ele se sinta parte da sociedade.

“Bonecos são uma forma das crianças se verem fora de seus corpos”

A afirmação é da psicóloga especializada em psicoterapia para crianças e adolescentes Mônica Pessanha. “É natural do ser humano desejar pertencer a um grupo. O grande benefício dos bonecos representativos é a possibilidade da criança se enxergar fora do próprio corpo e gostar de se ver. Essa percepção ajuda o pequeno a elevar a própria auto-estima”, afirma.

Mônica diz acreditar, ainda, que “a noção de pertencimento é construída aos poucos tanto no ambiente familiar, quanto no escolar”. Por isso, vale as escolas disponibilizarem bonecos com formas, cores e características físicas diversas para as crianças brincarem.

A empresária Ana Cláudia Mangueira Souza conta que a encomenda de um boneco com as características físicas do João Vitor, seu filho de 2 anos, partiu da recomendação da psicóloga da criança.

“O meu filho mais novo nasceu sem ânus e, por isso, faz uso de colostomia desde muito pequeno. Agora, ele está fazendo acompanhamento psicológico e a profissional que tem cuidado dele achou necessário o João Vitor ter uma boneco que reflita as características físicas dele”, explica.

 

Boneco do João Vitor também usa colostomia (Foto: Ateliê Três Pontinhos)

 

Além da representatividade, os bonecos inclusivos auxiliam no processo de aprimoramento das características comportamentais das crianças.

A vendedora Patrícia Sakakura conta que o boneco representativo do Henrique, seu filho de 4 anos, foi feito para incentivá-lo de forma didática a abandonar o hábito de chupar o dedo.

“O Henrique chupava o dedo 12 horas por dia. Eu tentei fazê-lo abandonar o hábito com várias técnicas, mas ele só parou quando o boneco chegou e passou a desempenhar o papel do amigo que dá o exemplo”, explica Patrícia.

Além disso, a ausência de expressão no rosto do brinquedo possibilita à criança se enxergar no utensílio. Isso porque se ele estiver feliz, vai projetar expressões felizes no boneco. O mesmo acontecerá nos momentos em que o pequeno estiver triste.

Patrícia: “O boneco acabou com o hábito do Henrique de chupar o dedo”

 

Para Lívia Brigoni, mãe do Henrique, de 7 anos, o boneco representativo é um diferencial na rotina do seu filho na medida em que possibilita uma identificação entre o pequeno e os elementos que compõem a sua rotina de brincadeiras.

“Quando criança, eu amava brincar de boneca, mas não me reconhecia em nenhuma, já que todas eram loiras e tinham olhos azuis. Quando o meu filho ganhou um boneco com as características físicas dele, eu achei a ideia sensacional. A identificação tem que existir!”, opina.

 

Boneco tem as características físicas do Henrique (Foto: Ateliê Três Pontinhos)

 

 

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Bárbara Brambila

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