? Mães Amigas - “Por que eu não posso dizer ‘não’ ao meu filho quando ele está fazendo algo errado?”

“Por que eu não posso dizer ‘não’ ao meu filho quando ele está fazendo algo errado?”

06.06.2018 – “Por que eu não posso dizer ‘não’ ao meu filho quando ele está fazendo algo errado?” é um dos principais questionamentos feitos por pais que, em algum momento, ouviram dizer que a Disciplina Positiva é um método educativo permissivo, no qual é sempre proibido dizer ‘não’ a uma criança.

O conceito em questão, entretanto, não funciona dessa maneira. Impedir os erros de conduta dos pequenos é importante, porém mais eficaz quando as crianças são conduzidas com gentileza. Entenda abaixo!

 

Maria Clara Freitas
Mãe do Gabriel, coach e consultora em educação não-violenta. No site Mães Amigas, escreve sobre Disciplina Positiva, área na qual possui especialização.

Instagram: @coracao.materno
Site: www.mariaclarafreitas.com

 

 

No senso comum, a Disciplina Positiva é conhecida como o método educativo no qual o uso da palavra ‘não’ é proibido. Esse conceito está correto?

Não. O que ocorre é que nós evitamos usar a palavra ‘não’ para educar as crianças, porque acreditamos que essa atitude é, na maioria das vezes, ineficaz. Quando nós falamos ‘não’, a criança continua sentindo vontade de explorar o que é errado. Isso porque o desejo interno que ela tem de descobrir o mundo é muito maior que a vontade que ela tem de obedecer. Logo, o pequeno não acata a ordem que recebeu, pois não sabe o que fazer com aquele impulso de explorar. Além disso, é cientificamente comprovado que a criança não compreende o ‘não’ como um adulto, pois tal palavra é um conceito abstrato e, para as crianças, conceitos abstratos só tornam-se compreensíveis na fase de alfabetização.

Em que situações o ‘não’ pode ser utilizado na Disciplina Positiva?

Em episódios nos quais o adulto queira realmente mostrar para o pequeno que o comportamento dele foi errado. Ainda assim, a palavra deve ser sucedida de alternativas. Por exemplo, se o meu filho me bate, eu posso segurar a mãozinha dele e dizer “filho, bater na mamãe não é permitido. Isso não é uma opção. Se você está bravo, coloque esse sentimento para fora chorando, gritando ou batendo na almofada”. Eu dou alternativas para ele.

“Quando nós falamos ‘não’,

a criança continua sentindo vontade

de explorar o que é errado”

Em uma situação de conflito, quais são as atitudes que os pais devem utilizar para auxiliar ou corrigir a criança sem falar ‘não’?

O adulto precisa dar alternativas para o pequeno canalizar de outras formas o impulso que está sentindo. Em outras palavras, ao invés de repreender, o ideal é mostrar ao pequeno que o que ele quer não é possível e apresentar as opções de escolha que lhe são viáveis naquela situação. Quando a criança é muito nova e ainda não desenvolveu a capacidade de escolher, o que é comum até os 3 anos, deve-se redirecionar a atenção dela, ou seja, ao invés de dizer “não mexe na tomada”, é recomendado explicar: “a tomada machuca. Por que você não vai brincar com a boneca ou com o carrinho?” 

Quais são os benefícios que a diminuição do pronunciamento do ‘não’ traz às crianças?

Evitar a repreensão através do ‘não’, direcionando os impulsos das crianças para as atitudes corretas, preserva nos pequenos a característica da exploração, que vai ser muito importante em vários momentos posteriores das vidas deles. Uma outra vantagem é que evitar o uso da palavra ‘não’ diminui a probabilidade da criança usar essa palavra contra os pais. Essa é uma das formas de solucionar uma queixa que muitas mães fazem: “tudo o que eu peço para o meu filho fazer ele responde que não”.

 

A Disciplina Positiva

Mais do que uma ferramenta para educar as crianças, a Disciplina Positiva é um estilo de vida. O conceito visa construir relações nas quais não existe uma autoridade, no sentido de hierarquia, mas sim o equilíbrio entre a gentileza e a firmeza. Dessa forma, na relação entre pais e filhos, a criança é tratada com o mesmo respeito que um adulto, o que lhe possibilita aprender num ambiente de liberdade e colaboração na definição das regras.

 

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