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Pais separados – Entre lagartas e borboletas

04.07.2016 – Como muitas meninas, o meu sonho era ter uma família na qual pai, mãe e filhos morassem no mesmo teto. Casei os 24, tive um filho aos 27 e me divorciei aos 29. Sim, o meu mundo veio abaixo! Foi uma decisão muito difícil, mas hoje, compreendo que foi a melhor coisa que eu fiz!

Assinar papel, dividir bens e administrar as emoções de todos os envolvidos é uma lição de vida. Separar-se é como viver o velório de alguém da família que você ama muito, sabe? É viver o luto dos seus sonhos. É matar o tão esperado “e viveram felizes para sempre”. É enterrar os planos que a sua imaginação havia traçado e o seu coração concordado. É passar por um processo de transformação interno, externo e, ainda, ter que carregar no colo o seu bem mais precioso que, inclusive, também está passando pela mesma situação que você.

Pais Separados – Entre Lagartas e Borboletas

Eu tive dois caminhos: ou eu respeitava apenas aquilo que eu estava sentindo – raiva, ódio, frustração e mágoa – ou eu tentava colocar tudo isso dentro de uma caixinha para conseguir enxergar e acolher o que o meu filho estava sentindo.

Para isso, assim como as lagartas (após enfrentar passarinhos esfomeados e tempestades violentas), escolhi um lugar para me fechar, construir o meu casulo e me fortalecer. Dentro da casa da minha mãe eu encontrei colo, amor, cuidado e tudo o que eu precisava para me sentir segura e conseguir fazer o mesmo pelo meu filho.

A melhor coisa que eu fiz foi conseguir refletir que o meu equilíbrio poderia gerar menos brigas entre “pai e mãe” e, consequentemente, traria mais paz e tranquilidade para o meu pequeno. Abri mão de muitas coisas que a minha raiva pedia para eu conquistar. Decidi colocar a sabedoria no lugar das mágoas e da impulsividade (por mais que, em muitos momentos, a prática fosse complicada). E, no início, não pensem que foi fácil!

Para evitar brigas, eu decidi não me encontrar com o pai do meu filho. A escola era o nosso portal. Era através dela que o nosso pequeno migrava de uma casa para outra, sem presenciar olhares tristes, frases tortas e faíscas desnecessárias. A guarda compartilhada tem esse mal! Enquanto o casal não está equilibrado, ela só traz encontros que enfraquecem a relação familiar.

Optei em colocar o meu filho em primeiro lugar. As brigas ainda aconteciam, mas quando o pequeno estava por perto (isso até hoje), eu, pelo menos, respirava fundo e engolia as cutucadas que qualquer pessoa magoada tem dificuldade de segurar. Essa foi a estratégia! Eu sabia que, se eu respondesse àquelas provocações, a briga aconteceria na frente do meu filho e ele, consequentemente, sofreria com aquela cena.

Isso só foi possível perceber após ter vivenciado algumas situações na prática. Depois de ver o meu filho chorando, decidi digerir qualquer tentativa de discussão. Descontava e descarregava a raiva e as mágoas socando travesseiros, gritando dentro do carro, desabafando com as minhas amigas e chorando escondida no banheiro.

Aprendi também a não esconder o meu sofrimento do meu filho. Enquanto eu fingia para ele que a separação não estava me afetando, ele chorava escondido, brigava na escolinha e quebrava os brinquedos. Depois que decidi explicar a ele que a mamãe também estava triste e com raiva de ter que passar por tudo aquilo, ele se acalmou. Depois dessa conversa franca, ele dormiu uma noite inteira sem acordar gritando, chorando ou assustado. Foi naquele dia que eu aprendi que ser sincera não é mostrar fraqueza e que eu poderia ser transparente e dizer “fique tranquilo, meu filho. Eu estou aqui e logo ficaremos bem!”.

Hoje, faz quase cinco anos que eu estou separada do pai do meu filho. Posso dizer que a melhor coisa que eu fiz foi ter passado por esse “enterro” sem destruir relações. Somos separados, mas ainda somos a família do nosso filho.

Depois de muitas brigas e lágrimas, hoje somos parceiros. Não somos amigos de “lanche da tarde”, “cerveja no bar” ou “eventos em família”, mas somos parceiros de criação! Falamos o necessário, evitamos nos encontrar em momentos que a briga pode acontecer, não misturamos os nossos sentimentos, mas conseguimos passar tranquilidade ao nosso filho. Aquela frase é verdadeira: “quando um não quer, dois não brigam.”

pais separados 2Aprendi também que os nossos pequenos não precisam saber o que realmente está acontecendo. Eles não possuem maturidade o suficiente para entender o porquê a mamãe e o papai não querem mais morar juntos. Eles apenas precisam entender que essa separação não tem nada a ver com a existência deles e que, acima de tudo, o amor que eles ganharam quando nasceram não sumirá com esse “pequeno detalhe”.

Sim, é assim que eu trato a minha separação, como um “pequeno detalhe”! O meu amor feminino pelo pai acabou, mas foi ele que me deu o melhor presente da minha vida e é com ele que sempre terei que dividir o meu amor de mãe, então para que confrontar?

Quando o meu filho nasceu, prometi a ele uma família e quero cumprir com a minha promessa. Essa família não é minha, é dele! Eu não tenho o direito de tirar esse privilégio! Faça chuva ou faça sol, entre lagartas e borboletas, vou fazer de tudo para ele ter o prazer de ter pai e mãe felizes ao lado dele, mesmo que em casas separadas. Essa é a minha missão e pretendo segui-la até onde eu conseguir!

 

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Escrito por: Michelle Occiuzzi

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