Minha filha nasceu com um olho de cada cor

Minha filha nasceu com um olho de cada cor

07.11.17 – Desde o dia em que descobri que estava grávida já imaginava como seria meu bebê. Pensava como seriam as mãozinhas, o formato do nariz, da boca, a cor dos cabelos e dos olhos. A COR, né! Minha filha nasceu com um olho de cada cor

Minha filha nasceu com um olho de cada cor

 

Nathalia
Mãe da Helena
♥”Eu conclui que, quase nada na natureza tem uma cor só tão bem definida. Todos nós temos diferentes cores em diferentes partes do corpo, fomos pintados com uma paleta maravilhosa que dá mais vida a tudo”

 

Alguns meses depois, lá estava ela, Helena! Já chegou fazendo polêmica. Nasceu de 35 semanas, no primeiro dia de fevereiro, sendo que era pra nascer em março, magrelinha, porém forte e geniosa. Todos diziam que era parecida com o pai, mas os olhos, ah esses bem que podiam ser como os da mãe.

As enfermeiras da maternidade apostavam “Vai ser azul! Está ficando cinza e quando vemos olhos cinzas por aqui é porque vai azular”. Eita torcida brava que esses olhos azuis tinham. Nós nem nos importávamos com isso, a cor era a última coisa que passava pelas nossas cabeças.

No 10° dia de vida Helena mostrou mais uma vez que veio para ser polêmica. Começamos a reparar que os olhos dela eram um tanto diferentes. Enquanto um parecia, mesmo, acinzentado, o outro era castanho. Nessas horas, na cabeça da mãe começa a passar um filme na cabeça. Mil e um pensamentos e preocupações surgem, junto com a frase mais injusta: “meu filho não é normal”.

Comentei com a pediatra, que a princípio disse que os olhos mudam e que os da Helena eram apenas levemente diferentes. Passou um mês e então ela foi encaminhada para um oftalmologista para investigar a diferença, que já havia se tornado nítida: Um azul, o outro castanho escuro!

Investigar é uma palavra aterrorizante no contexto de um consultório, ainda mais para uma mãe que havia acabado de ficar 18 dias na maternidade. O oftalmologista nos explicou que essa condição, chamada de heterocromia, é rara, pode estar ligada à alguma síndrome, mas no caso da Helena, provavelmente havia afetado apenas a coloração da íris.

A essa altura as pessoas já haviam começado a notar e as reações eram e são até hoje as mais diversas: “Ah, que legal, é raro, né?”; “Olha, igual ao meu gato”; “Ah, mas ela enxerga normal, né?”; “Mas não tem nenhum problema, não?”; “David Bowie mulher”; “metade do pai, metade da mãe”; “Nossa, ela parece aquela atriz”; “Ah eu conheci uma pessoa assim”; “Nunca tinha visto isso na face da terra”; “Ah que estranho, né, engraçado”; “essa não quis causar briga na família”, “ah, mas bem que podia ter puxado só a mãe”; “ainda vai mudar!”; “Você pode ganhar um dinheiro com isso, coloca ela pra fazer comercial”; “cria um canal no youtube”, etc.

Comentários e palpites a parte, o fato é que, para mim, a Helena já ensinou muitas coisas: não pense na COR dos olhos dos filhos, pode ser que sejam as CORES, se existem cores diferentes, por que elas não podem pertencer à mesma pessoa? Essa mutação rara só vem afirmar e trazer mais graça ao fato de que somos diferentes e essa grande diversidade não é estranha, é sensacional! Tudo bem ter alguém olhando com cara de rinite pra você como se estivesse estranhando alguma coisa, pense que estão te achando tão, tão linda que nunca viram tamanha beleza na vida.

Por fim eu conclui que, quase nada na natureza tem uma cor só tão bem definida. Todos nós temos diferentes cores em diferentes partes do corpo, fomos pintados com uma paleta maravilhosa que dá mais vida a tudo. Dois olhos, duas cores, é aproveitamento máximo!


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