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Meu filho tem paralisia cerebral e é graduado em capoeira!

03.08.2018 – Uma hora por dia, todas as segundas, quartas e sextas-feiras, é o tempo que o Gabriel, de 7 anos, passa na Escola de Capoeira IBECA, em Campinas/SP, desde o começo deste ano. O que parece uma rotina comum escreve, na verdade, uma história de auto superação.

O Gabi, como é chamado, tem paralisia cerebral. No dia 03 de agosto, que celebra o Dia da Capoeira e do Capoeirista, A Mãe Amiga Marina Dantas conta a relação e o potencial que o seu pequeno jogador tem com o esporte, conquistando, inclusive, a sua primeira graduação na modalidade!

 

Marina Barone Dantas

Mãe da Maria Cecília (8 meses), da Maria Rita (5 anos) e do Gabriel (7 anos).

 

♥ “O Gabriel tem superado grandes desafios, impostos de acordo com a realidade dele, enquanto os outros alunos aprendem a ajudar e a respeitar as diferenças.”

 

 

A capoeira entrou em nossas vidas por acaso. No ano passado, a minha filha Maria Rita, de 5 anos, começou a pedir para fazer aulas do esporte, mas eu não consegui atender ao pedido dela naquele momento. Isso porque eu estava grávida da Maria Cecília e, em casa, nós já temos uma rotina bastante corrida, dividida entre escola, natação, ballet e muitas terapias por conta do meu filho mais velho, o Gabriel (7), que tem paralisia cerebral.

Este ano, porém, depois de deixar as crianças na escola em um dia comum, passei em frente a uma escola de capoeira e decidi ligar. Levei a Maria Rita para uma aula experimental e, já no primeiro encontro, o contramestre Paulo Costa se interessou pelo Gabriel e deu um pandeiro na mão dele. Na segunda aula, o puxou para perto da roda, para que pudesse acompanhar os movimentos. Daí por diante, eles foram construindo uma relação de confiança e amizade.

Gabriel e contramestre Paulo.

 

Hoje, nem posso mais dizer que o Gabriel é simplesmente incluído nas aulas. Ele realmente tem o seu lugar no grupo! Enquanto as outras crianças aprendem a ajudar e a respeitar as diferenças, O Gabi vive e supera novos desafios. As metas são traçadas de acordo com a realidade dele – e ele sempre nos surpreende ao ir além!

 

“Mãe observadora que sou, já percebi que, quando um profissional está disposto a lidar com as grandes diferenças, como é o caso do meu filho, ele consegue trabalhar muito bem as sutilezas e as necessidades das demais crianças!”

 

No evento em que os alunos trocaram de corda, o Gabriel também recebeu a sua primeira graduação (batismo que insere oficialmente o aluno no universo da capoeira), pois, segundo o contramestre, ele superou os desafios que lhe foram propostos!

Contramestre Paulo com o Gabi no colo e mestre Formiga à direita, no evento da graduação.

 

O Gabi é incluído em uma escola regular e está no primeiro ano do fundamental. Lá, as crianças, no dia do seu aniversário, escolhem uma atividade para comemorar. Nós ficamos propondo várias atividades que ele gosta e, quando a Maria Rita disse “capoeira”, ele gritou e deu gargalhada.

Gabriel e Maria Rita na aula de capoeira.

 

Então, em seu aniversário, nós fizemos uma oficina de capoeira com os amigos da sala. A atividade acabou se estendendo para toda a escola e foi finalizada com um jogo entre o Gabi e todos os amigos da sala. Foi emocionante e de uma sensibilidade única! Momentos simples, mas que nunca imaginamos!

A capoeira é um patrimônio da humanidade e, na vida do Gabi, permite que ele seja criança, que interaja com outras crianças e ajuda muito em sua autoestima. É muito legal ver que, mesmo com todas as suas limitações, ele pode praticar um esporte ao lado de sua irmã e experimentar movimentos e sensações que nenhuma terapia substitui!

Sim, a criança com deficiência faz parte da sociedade e precisa ser respeitada como criança. E nós? Nós precisamos ampliar o repertório de nossos filhos!

 

 

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