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Já tinha 2 adotivos quando o telefone tocou…

27.09.2013

selo materia mae amiga 

Ana Karina Scaloppe Nunes

Mãe de: Luiz Guilherme (7 anos), Ana Luiza (5 anos) e Ana Clara (2 anos)

♥ Temos três filhos adotivos e nunca duvidamos de nossa escolha, mesmo sob o olhar e a crítica de muitos

 

Já tínhamos dois filhos adotivos, um menino de quase 6 anos e uma menina de 3 anos, quando o telefone tocou e falaram de uma terceira criança! Esta é a minha história, esta é minha vida e eu sou Mãe Amiga com muito orgulho!

Era um fim de tarde comum, estávamos na psicóloga com nosso filho, enquanto ele era atendido, nós esperávamos fora da sala com nossa filha. Eu estava exausta, havia duas noites que não dormia, com pensamentos malucos e uma angústia enorme no meu peito, passara a última noite pensando, o que faria se viesse outro bebê para mim… Algo que parecia impossível até então… Foi quando a nossa filha pediu para ir ao banheiro, que era no andar de baixo e meu esposo foi levá-la. Assim que eles desceram as escadas, o meu celular tocou e, naquele instante, meu mundo virou de ponta cabeça, pois, imediatamente reconheci o telefone da Vara da Infância e Juventude de Campinas.

Não fiquei surpresa, quando a Assistente Social se identificou e disse que havia uma menina recém-nascida disponível para adoção e perguntou se tínhamos interesse.

E sem pensar nem por um instante, eu simplesmente disse SIM!

Ela se assustou e perguntou se ao menos eu não ia perguntar para meu esposo. O que ela não sabia, era que eu não precisava perguntar, pois, já tínhamos tido várias provas de Deus da chegada desta Bebê. O problema era única e exclusivamente financeiro, eu estava desempregada, coisa que nunca havia me acontecido, durante mais de dez anos de formada; além disso, tínhamos nos mudado há pouco tempo para um novo apartamento, onde assumimos uma enorme dívida, pois, quando compramos, não sabíamos nem que eu ia perder o emprego e, menos ainda, que íamos passar para pais de dois para pais de três, em menos de vinte e quatro horas!

Infanti (Custom)

Quando Deus começou a nos dar sinais, simplesmente ignoramos… Ignoramos nossa filha de menos de três anos, rezando de joelhos e pedindo a Papai do Céu e Santa Maria, um Nenê de verdade… ignoramos também quando menos de um mês antes da ligação, ela começou a dizer insistentemente, que o Nenê de verdade dela ia chegar e que era bem pequenininho e de lacinho, ignoramos todas as vezes que ela pedia para comprarmos o carrinho, o berço, as roupas e até o crocs rosa do seu Nenê de verdade. Não acreditamos em um sonho muito real que tive dias antes da ligação, com minha Avó Paterna que havia falecido ha poucos dias, onde ela me mostrou duas bebezinhas, e disse que uma era minha, que eu TINHA que adotar, falou comigo insistentemente e, por mais que eu dissesse que não podíamos, pois eu estava desempregada e cheia de dívidas, ela continuava dizendo que era minha, que eu tinha que adotar e que eu ficasse tranquila, pois ia dar tudo certo. No fim do sonho, eu concordei com ela e disse, se ficar com essa, chamo de Ana Júlia e se ficar com essa, de Ana Clara.

Ao acordar ainda sentia a presença dela e das Bebês ao meu lado. Quando contei ao meu esposo ele riu e disse que estava começando a ficar com medo. Mas, não demos muita atenção, afinal era só um sonho! E, por fim, ignoramos nossos sentimentos, nos dias anteriores à ligação. Por isso, foi tão fácil dizer aquele SIM.

Mas, a decisão mais difícil ainda estava por vir, pois, ao telefone, apenas disse que tinha interesse, e marquei a visita para o outro dia às 8 horas da manhã. É claro que essa era uma decisão que eu jamais tomaria sozinha.

Ao voltar do banheiro, meu esposo e minha filha, sem saber de nada, estranharam meu silêncio, que foi interrompido por uma crise de choro e berros da nossa pequena, ao avistar numa capa de revista um lindo bebê, ela aos berros nos pedia para buscar o Nenê de verdade dela, que estava lá… Eu só balancei o celular para o meu esposo, que imediatamente compreendeu o motivo da minha quietude e compreendeu todos os sinais.

Voltamos para casa, os dois sem dizer uma só palavra, pois, não iríamos falar nada com as crianças, antes de decidirmos. Aquela noite foi, com certeza, uma das mais difíceis de nossas vidas, passamos acordados tentando decidir com a razão, algo que não existe razão. Contamos para nossos pais e sogros, irmãos e cunhados e duas primas. A maioria foi extremamente contra, fui chamada de louca, e sempre respondia sou louca sim, louca de amor. Mas, na verdade, só quem podia decidir éramos nós dois. No meu coração já estava decidido, tinha que ser. Meu esposo ponderou a parte financeira fez contas, e viu que não tinha como termos mais um filho naquele momento. Mas eu queria e, no fundo, ele também. Então, decidimos que, se fossemos conhecer a bebê, ficaríamos com ela, independente de qualquer coisa e, principalmente, independente de como ela fosse.

Então, ao amanhecer, naquele lindo dia de sol, tomamos a decisão mais difícil de nossas vidas e fomos conhecer a Bebê! A nossa terceira filha!

1a (Custom)Chegando à pediatria do hospital, eu a reconheci no meio de muitas crianças e, quando a segurei no colo pela primeira vez, nossos olhos se encontraram, nossas almas se reconheceram e nos tornamos Mãe e Filha! Meu esposo só conseguiu perguntar, como ela vai se chamar, e eu disse ela é a Ana Clara, igualzinha no meu sonho! E assim foi, antes do final da tarde ela estava no aconchego do seu lar, junto aos seus Pais e irmãozinhos!

Já se passaram dois anos e, em nenhum momento, duvidamos de termos feito a escolha certa, mesmo sob o olhar e a crítica de muitos. Ela completou a nossa família e preencheu um lugar em nossos corações que nem sabíamos existir. Somos uma Família muito feliz!

Falar que foi ou que é fácil, seria pura hipocrisia, só Deus sabe quantos sacrifícios temos feito e de quantos sonhos temos aberto mão, para darmos o melhor que podemos para nosso Trio e tornarmos os sonhos deles, a nossa realidade.

E para quem se interessar, sou a mãe mais completa e feliz do mundo. Ah, e um pouco louca também, pois, já penso no quarto Filho!

A pequena Ana Clara, a mamãe Ana Karina, Ana Luiza, o papai Luiz Fernando e Luiz Guilherme

A pequena Ana Clara, a mamãe Ana Karina, Ana Luiza, o papai Luiz Fernando e Luiz Guilherme

 

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