Importância de colecionar

14.03.2016 – É muito comum ver crianças colecionando objetos, sejam eles brinquedos, papeis, lápis, figurinhas, cartões… O que muitos pais não sabem é que existe uma certa importância de colecionar coisas ainda na infância, e que eles próprios podem ajudar e estimular seus filhos a terem carinho por coleções.

Para entender um pouco mais sobre essa prática, conversamos com a psicóloga Thais Barros:

Importância de colecionar

1) Qual a importância de colecionar na infância?

Primeiro, é gostoso colecionar. A maioria de nós tem boas lembranças das coleções da infância, não tem? Como as garrafinhas de refrigerantes, os álbuns de figurinhas, papéis de carta, carrinhos etc. Pode ser um bom momento de interação entre pais e filho e entre amigos.

Além disso, o colecionar acaba sendo uma boa oportunidade para desenvolver algumas habilidades, como aprender a esperar (claro que você pode comprar uma coleção toda num só dia, mas não tem graça…), cuidar da coleção, aprender a negociar de forma justa quando vai fazer um troca, algumas habilidades específicas podem ser desenvolvidas, no caso das figurinhas em álbuns, por exemplo, uma criança mais nova tem que aprender a colar de forma correta e cuidadosa, pode começar a se familiarizar com números grandes etc.

2) A partir de quantos anos os pais devem estimular a coleção?

Nem sempre os pais precisam incentivar, na maior parte das vezes, a própria criança demonstra interesse em colecionar alguma coisa.

Mas, em algumas situações, pode ser interessante que os pais estimulem com o objetivo, por exemplo, de criar situações que favoreçam o desenvolvimento de algum novo comportamento: uma criança tímida pode, por meio de um álbum de figurinhas, ter mais contatos sociais. Uma criança insegura com a nova escola, pode levar parte de sua coleção de carrinhos para a escola etc. Isso pode acontecer a medida em que a criança demonstre interesse e tenha condições de cuidar de sua coleção (não vale os pais fazerem tudo por ela). 

3) O tipo da coleção influencia na importância?

Considerando o bom senso (não seria interessante estimular uma coleção de armas de brinquedo para uma criança agressiva, por exemplo) e os valores que esperamos que as crianças desenvolvam, qualquer coisa colecionável pode ter aspectos interessantes a serem explorados.

No caso dos álbuns de figurinha, ter boa coordenação motora fina, senso de justiça nas trocas, aprender sobre os times, ou sobre os animais das figurinhas, são aspectos interessantes de serem desenvolvidos. No caso de notas e moedas antigas, saber sobre aspectos de época, e assim por diante.

4) Os pais devem tomar cuidado para que o apego na coleção não vire um problema?

Quando alguns aspectos de exagero passam a ser observados, como sinais de ansiedade e irritação, ou excesso de tempo dedicado à coleção em detrimento de outras atividades, podem ser indicativos de problemas relacionados à ansiedade. Nem sempre o colecionar gera esse sentimento, às vezes, isso já ocorre e pode ser observado também por meio dessas brincadeiras. Se isso acontecer e permanecer, os pais devem ficar atentos e buscar ajuda profissional.

5) Os pais devem interagir e ajudar na coleção, ou ela deve ser apenas de responsabilidade da criança?

Sim, claro, devem conduzir, sem fazer pela criança, mas podem dar ideias de como aumentar a coleção, fazer a ponte no processo de esperar pelo próximo item…

Os pais têm um papel importante quando criam condições para a criança: podem levá-la ao local para comprar o item, devem estabelecer o valor que pode ser comprado, devem determinar quando vão. Podem também ensinar a criança como se comportar em diversas situações, como numa loja, ou banca de jornal ao fazer o pedido para o vendedor; podem ajudar a criança a notar que é injusto dar cinco itens em troca de um durante as trocas com os amigos; ou ajudá-las prever algumas coisas, como ficar atento ao deixar crianças mais novas manusearem itens valorizados da coleção que podem ser danificados, enfim há uma infinidade de situações que podem ser exploradas e contribuem para a formação da criança, é sempre importante deixar a criança experimentar suas decisões e aprender com os erros. Os pais devem estar por perto, mas quem deve cuidar da coleção é a criança.

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