Quatro filhos, quatro formas de paternidade!

Quatro filhos, quatro formas de paternidade!

31.08.17 – Sou casado com Priscila Chemin, tenho quatro filhos, gerei 3 meninas e “adotei” 1 menino, 3 + 1. Não sou um pai tradicional, eu acho. Tenho quatro filhos, quatro formas de paternidade. Considero “Tradicional” ter os filhos dentro do casamento, planejados em comum acordo com a esposa, formando uma família única, com todos morando na mesma casa.

Quatro filhos, quatro formas de paternidade!

 

Alessandro Leal 
Pai da Lívia 14, Nicole 10, João Pedro 5, Alice 2 meses

“Sou paizão. De verdade. Participo de tudo que posso. Tento proporcionar aos quatro uma vida de qualidade e me esforço para tê-los juntos em casa”

 

Eu fui casado por 8 anos e meio, de 1997 a 2004. Desse casamento, tradicional como falei, nasceu Lívia e eu a criei até os 2 anos e meio. Foi fantástico pois, era tudo novidade. Lembro que na primeira semana de vida, ela teve cólica. Sai correndo para o hospital. Na época era Tenente da Polícia e achava que andar armado me deixava mais poderoso, macho ou sei lá. Eu me achava mesmo, arrogante e poderoso!

No hospital, lógico, eu queria matar e prender todo mundo porque estavam demorando para atender e minha filhinha estava chorando. Fiz um escarcéu. Aliás, lembro que repeti essa cena umas quatro vezes até que um médico, já com seus cabelos brancos, me tranquilizou: “cólica não é doença filho e isso vai parar com o amadurecimento dos intestinos do bebê”, sem falar que me disse que o melhor tratamento era esquentar a barriguinha dela com a minha própria mão.

Nessa época, comprei um cachorro também. Alias, cadela, Lua, uma pastora alemã capa preta (lógico, policial). Certa vez perdi a Lívia quando estava sozinho com ela em casa. Era uma chácara, em Itatiba. Procurei por tudo que é canto e não achei. Pensei: foi para a rua engatinhando…viajei…rs. Fiquei apavorado. Como ia explicar para a mãe dela que havia “perdido” a filha dentro da própria casa??? No fim, olhei sem querer dentro da casinha da cachorra e lá estavam os dois entrelaçados e dormindo. Como na época não havia smartphone, sentei e fiquei admirando aquele momento. Foram dois anos e meio inesquecíveis, mas me divorciei da mãe da Lívia e essa fase da minha paternidade foi interrompida. Fiquei frustrado por não conseguir cria-la, compartilhar cada momento da nossa vida e acompanhar seu desenvolvimento.

Solteiro (divorciado), achei uma mulher 5 anos mais nova, que me fez sentir rejuvenescido e lá fui eu viver uma aventura. Em 5 meses ela engravidou. O relacionamento com essa moça nunca foi para frente, mas do acontecimento nasceu Nicole. Pouco acompanhei de seu crescimento. Sempre fui presente, mas não é mesma coisa que estar todos os dias juntos na mesma casa. Nicole teve padrasto, a quem chamou de pai também. Nunca senti ciúmes mas, lamentei não ter vivido os seus momentos do dia a dia. A alegria de ser pai duplicou, mas a  frustração de não criar filhos em tempo integral continuou.

Aí veio a relação com minha esposa Priscila. Nossa história só tem 3 anos, nos casamos há três meses mas, está sendo uma relação intensa e fantástica, pois, além de ser uma mulher incrível (e linda), Priscila me proporcionou o fim da frustração de não ser pai o tempo todo, me apresentou o garoto por quem me apaixonei: João Pedro.

Com 1 ano e meio, ao conhecê-lo, logo percebi que era especial. Não falava, nem andava, não se interessava por brinquedos e não respondia quando o chamava pelo nome. Mais tarde, acompanhando e incentivando minha esposa a encarar o problema e buscar respostas, ouvi o diagnóstico de autismo.

Com o João Pedro, conheci o que é ser pai muito além do que eu desejava e me frustrava. Não se tratou de ser pai em tempo integral, mas de ser o pai que pesquisa, que busca, que luta, que tem sempre a esperança de ver seu filho ir mais longe do que o diagnóstico previa. Por ele, empenhei a mim mesmo e parte do que possuía, não descansei enquanto não o vi andando e falando. Hoje, ele me completa. É o menino que não tinha gerado. É mais que enteado, pois eu o chamo de filho e ele me chama de pai.

Por último, ganhei a Alice. Minha terceira menina. Aos 46 anos, passei a relembrar o que é ser pai novo. Acordar de madrugada, ninar a filha no colo, dar banho e curtir aquele cheirinho agradável de bebê. Nesta semana ela esboçou um sorriso enquanto eu falava com ela (lógico, que era com voz de boneco e em linguagem de bebe, “gutigutiguti” kkkk) e eu senti meu rosto esticar de alegria e meu coração derreteu.

Assim, hoje me considero um homem completo e feliz. Sou paizão. De verdade. Participo de tudo que posso. Tento proporcionar aos quatro uma vida de qualidade e me esforço para tê-los juntos em casa, pois, esses são os melhores momentos da minha vida. Aliás, melhor que isso, só quando os dois sobrinhos tipo “taz” se juntam aos 3+1. Ai sim passo ao estagio de pai/tio bobo e sinto que nada mais precisa acontecer.

 


Quatro filhos, quatro formas de paternidade!

 

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