Desmame do bebê: quando e como?

05.05.2014 – O desmame é o processo pelo qual o bebê deixa de se alimentar através do leite materno e passa a receber os nutrientes que precisa através de outras fontes de alimento.

O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde preconizam que os bebês sejam amamentados exclusivamente em seio materno até o sexto mês, ou seja, apenas com o leite da mãe, e que se pratique a amamentação complementada, ou seja, o leite materno e outros alimentos até os dois anos de vida ou mais.

Mas, então, qual é o momento ideal para o desmame dos nossos filhos?

Na realidade, não existe um momento ideal, vai depender da criança, da mãe e de suas possibilidades em manter a amamentação. Possibilidades estas relacionadas à sua atividade profissional, bem como, sua capacidade física e emocional.

Para algumas mamães, o desmame acontece naturalmente, para outras nem tanto.

Seguem algumas sugestões para ajudá-las nesta etapa de desmame:

– Primeiramente, precisamos estar tranquilas com relação ao desmame para que não passemos aos nossos filhos o sentimento de insegurança e angústia;

– De preferência, o desmame deve ser acompanhado pelo pediatra que avaliará o crescimento do bebê neste período;

– O recomendado é que o desmame seja feito por parte da criança, a qual dará sinais de que está física e emocionalmente preparada para deixar de mamar. Quando motivado pela mãe, o processo irá requerer muita paciência e, provavelmente, levará algum tempo;

– Se o bebê não dá sinais de que está pronto, o desmame possivelmente será enfrentado com resistência. É importante ressaltar que a amamentação não é apenas uma fonte de nutrição para a criança, é também uma fonte de conforto e segurança;

– De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, os sinais sugestivos de que a criança está madura para o desmame são:

1. Idade maior que um ano;

2. Menos interesse nas mamadas;

3. Aceita variedade de outros alimentos;

4. É segura na sua relação com a mãe;

5. Aceita outras formas de consolo;

6. Aceita não ser amamentada em certas ocasiões e locais;

7. Às vezes dorme sem mamar no peito;

8. Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não mamar;

9. Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe ao invés de mamar.

– Infelizmente há muitas mulheres que necessitam retornar da licença maternidade e que não estarão presentes em todas as mamadas do bebê, nestes casos, é possível se programar para extrair o leite e fazer um estoque para o bebê. Conforme a introdução de outros alimentos for sendo feita, naturalmente as mamadas irão sendo substituídas;

– É possível que o próprio bebê vá se desinteressando pelo peito naturalmente, conforme for aumentando a variedade de alimentos introduzidos em sua dieta. Lembre-se que esta introdução deve ser feita apenas após o sexto mês de vida e de forma bem gradativa;

variedade de alimentos alimentacao

Não se recomenda passar produtos de gosto ruim no peito para que o bebê rejeite mamar. Isto pode traumatizar o bebê que até então associava a mamada a um momento prazeroso;

– Ofereça o peito somente quando o bebê demonstrar interesse. Continue amamentando quando seu bebê pedir, mas não ofereça o peito a todo tempo, automaticamente. Isto lhe ajudará a perceber o quanto seu filho ainda precisa realmente mamar;

– O bebê pode demonstrar-se irritado durante o desmame, uma vez que se depara com uma nova situação desafiadora;

– Se a criança for maior, o desmame pode ser planejado com ela. Pode-se propor uma data e até uma recompensa;

– Após o desmame, a criança precisa continuar ingerindo leite, pois o mesmo é rico em cálcio, nutriente importante para o crescimento e manutenção dos ossos. Quando a criança não aceita tão bem o leite, uma alternativa é a ingestão de seus derivados (clique aqui e saiba a quantidade de cálcio que uma criança necessita);

– Para oferecer o leite e/ ou outros líquidos para o bebê o ideal é usar um copinho. Pode parecer estranho, mas até mesmo bebês prematuros são alimentados dessa forma. Caso a criança não se adapte logo de início, podemos usar um canudo ou um copo de transição. O uso da mamadeira tem várias desvantagens: a criança se acostuma demais com ela e irá sofrer para desapegar. O bico é anti-higiênico por ser difícil de limpar. Além de que a mamadeira pode prejudicar a formação de toda a estrutura da boca;

leite no copo

– Para algumas mães, o desmame pode ser extremamente doloroso, pois sentem muita falta deste momento tão prazeroso. A dica é valorizar outras formas de ligação com o filho, o vínculo deve ser fortalecido com outros cuidados diários.

Relatos de Mães Amigas:

“Amamentei meu filho até 1 ano e 9 meses, sendo exclusivamente até os 6 meses. Eu decidi parar, pois ele ficava o dia todo na creche e só mamava de manhã e à noite. Uma noite, falei para ele que o “mamá” estava dormindo e ele aceitou, fez carinho e dormiu sem mamar. Depois deste dia, não dei mais. Ele passou pelo processo numa boa. Me surpreendeu demais.” Vivian Araújo

“Planejava fazer o desmame do Davi com 1 ano e 6 meses. Quando ele estava com 1 ano e 4 meses, em um final de semana, o marido viajou a trabalho, e saímos eu e Davi para jantar com meus pais. Na volta, pensei: não vou dar o peito e ver como ele se comporta! Se chorar muito, eu dou! Davi resmungou cerca de 10 minutos e dormiu. Confesso que me surpreendi, pois ele amava mamar. Nessa noite ele não acordou nenhuma vez para mamar! No dia seguinte, na soneca na tarde, ele estava com a minha mãe e também não mamou. À noite, saí para dar uma voltinha de carro, também não mamou, adormeceu e não acordou na madrugada. No outro dia, eu pensei: poxa, já faz dois dias! Acho que ele está desmamando! Passou o final de semana e ele foi para escolinha, fazia as sonecas da tarde lá e, à noite, foi reclamando cada dia menos. Para nós, foi um processo muito natural! Amei amamentar!! No começo foi muito difícil, mas nunca pensei em desistir! Sempre amamentei meu filho em livre demanda, onde ele quisesse, o quanto ele quisesse!! Sem dúvida, além de uma fonte de alimento, é um momento maravilhoso de doação de amor!”  – Camila Catacci Braga

“Meu filho mais velho estava com 1 ano e 5 meses quando engravidei. Ele ainda mamava e eu decidi que não iria parar. Não queria desmamá-lo de uma hora para outra, meu sonho era um desmame natural. Porém, alguns horários ele não mamava efetivamente, só queria um colinho e mamar para ficar com a mamãe. Aos poucos, eu fui cortando esses horários, pois, com a gestação, meu seio ficou muito sensível e essas mamadas onde ele ficava “chupetando” se tornaram muito desconfortáveis e angustiantes. Eu tentava distraí-lo com alguma coisa, mas se ele chorasse eu dava. Estava decidida que não deixaria meu filho chorando por causa do peito, sendo que eu poderia dar. Aos poucos, ele largou essas mamadas e só ficaram as mamadas mais efetivas. Quando estava com 5 meses de gestação, meu filho veio mamar, pegou e largou o peito umas três vezes. Olhou pra mim e disse: “Sujo, mamãe!” Achei tão bonitinho. Fiquei pensando se eu havia passado algum creme, mas não, tinha acabado de tomar banho e não tinha passado nada. Dizem que com 4-5 meses de gestação o leite muda de sabor, acho que foi isso. No dia seguinte, ele pediu para mamar, e eu perguntei: “Filho, você não disse que estava sujo?” . Ele lembrou e mudou de assunto. Pediu para deitar no berço. Depois desse dia, ele nunca mais pediu. Minha filha está com menos de um mês, ele vê a irmã mamando e fica super feliz. Não pediu para mamar. Foi um desmame como eu sonhei, sem choro, sem traumas, naturalmente.” – Danira Passos Clemente

 

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Escrito por: Carolina Coppola

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