Desenvolvimento da fala em autistas

30.11.2015 – Os sintomas do autismo podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas dificilmente são identificados precocemente. Segundo o médico Dr. Drauzio Varella, uma simples dificuldade de interagir com a mãe durante a amamentação pode ser um sintoma da doença. No entanto, é por volta dos 3 anos de idade que esses sintomas ficam mais aparentes, como por exemplo, a dificuldade do desenvolvimento da fala em autistas.

Para entender mais sobre o assunto, conversamos com a fonoaudióloga, que é mestre em saúde, interdisciplinaridade e reabilitação, Dra. Michele Frederico Turati:

Desenvolvimento da fala em autistas

1) Quais as dificuldades apresentadas por autistas em relação à fala?

Os problemas de comunicação das crianças autistas podem apresentar grande variação. Primeiramente, há o atraso de linguagem, elas demoram para começar a falar, em torno de 3 anos de idade ou mais. A linguagem pode variar desde ausência, passando pela repetição de palavras ou frases, até o uso de palavras rebuscadas e não usuais para a idade. Também há dificuldades em organizar e planejar a fala, alguns apenas balbuciam, há alteração na articulação e pronúncia, não compreendem quando o outro fala dele e entendem tudo no sentido literal.  Naquelas que desenvolvem a linguagem adequadamente, há dificuldade em iniciar ou manter uma conversa, uso repetitivo de certas palavras ou frases e emprego da terceira pessoa para falar de suas vontades.

 

2) Como estimular a fala em crianças autistas?

A fala em crianças autistas se dá ou pela linguagem oral ou através de outras formas de comunicação, tais como a Comunicação Suplementar e Alternativa (CSA) ou Picture Exchange Communication System (PECS). Nesse último caso, consiste em uma pasta com diversas categorias (pessoas, verbos, comidas, bebidas, brinquedos, objetos, lugares, sentimentos, vontades, etc.) na qual a criança é ensinada através da troca, a utilizar essas figuras para se comunicar, pedir o que quer, expressar sentimentos e a ter autonomia. Além da Comunicação Alternativa, o uso de um tablet e a musicoterapia também são recursos importantes para a fala, habilidades cognitivas, motoras e sensoriais.

 

3) A partir de quantos anos é indicado procurar um especialista?

O mais precoce possível. Há pouco tempo o diagnóstico era fechado com apenas 4 anos, mas atualmente o médico, juntamente com a equipe multidisciplinar  (Fonoaudiólogo, Psicólogo – através de relatórios e pareceres), consegue-se investigar antes, em torno de 2 anos de idade. Os sinais precoces podem ser detectados desde os primeiros meses do bebê, mas se intensificam com a idade. Os casos mais graves, em que todos os sinais estão presentes, acabam sendo diagnosticados mais facilmente.

 

4) Se a criança já estiver com idade avançada, é possível, ainda sim, corrigir a fala?

Sim, a fala está sempre em mudança e transformação. Há que se avaliar a fonologia ou a articulação, e assim averiguar quais sons a criança consegue produzir, quais ela omite e quais os padrões de troca entre estes sons, o que faz parte da rotina fonoaudiológica. Quando uma criança não consegue produzir algum som e o omite (fala “aca” para “vaca”, por exemplo) ou troca sons (“faca” para “vaca”), seus interlocutores precisam basear-se no contexto para entender, isto é, vão utilizar dicas do ambiente, seja uma figura que ela esteja apontando, ou prestando atenção na música que está tocando. Passamos treinos para casa para que as crianças sejam estimuladas. O trabalho junto com a Pedagoga, por exemplo, é importante já que as trocas da fala influenciam nas habilidades da leitura e da escrita destas crianças.

 

5) De que forma os pais podem auxiliar nesse estímulo?

Além do trabalho do fonoaudiólogo, é importante que os pais auxiliem no trabalho de desenvolver a fala e a interação social da criança autista. As orientações variam de acordo com cada criança. Geralmente as orientações são sempre em estimular a criança a ter autonomia, a pedir falando ou mostrando o que quer, dar brinquedos com texturas e cores diferentes e evitar fazer pela criança e falar pela criança.

Algumas orientações são importantes para estimular a fala em crianças autistas: Converse sobre os interesses da criança; encurte suas sentenças; desenhe;  permita que a criança tenha mais tempo para processar informações; fale de maneira literal; inicie as conversas com uma declaração, não com perguntas; faça contato visual; use imagens concretas ou fotos.

A Mãe Amiga Tarita descobriu que seu filho era autista com pouco mais de 2 anos, e compartilhou conosco um pouco da sua história:

“[…] Era uma criança super tranqüila, calma e não dava trabalho algum. A pediatra achava tudo normal. Dizia que eu procurava pelo em ovo […]

Por via das dúvidas resolvi levá-lo em um neurologista, que encaminhou para uma neuropediatra que achava também  tudo normal. Como o Lucas era muito tranquilinho, “avoado”, achei melhor levá-lo numa fono.

Com menos de 2 anos ele iniciou fono. Ela achava o Lucas muito “no mundo dele”. Ele não olhava quando chamado, não respondia aos comandos, nem quando chamado pelo nome. Por esta razão, também por conta própria, procurei uma psicóloga especialista em transtornos da fala. Ela era psicanalista. […]”

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