? Mães Amigas - Depois de tudo isso, este será o meu primeiro Dia dos Pais com o meu filho no colo

Depois de tudo isso, este será o meu primeiro Dia dos Pais com o meu filho no colo

09.08.2018 – Eu e a Luciana estamos juntos há 11 anos – 7 deles casados – e sempre tivemos em comum o sonho de ter filhos. Quando nos casamos, em 2011, resolvemos esperar alguns anos para iniciarmos as tentativas de gravidez. Nessa época, a minha esposa tinha 29 anos. Quando ela chegou aos 31, decidimos que estava na hora de realizar o nosso sonho de maternidade e paternidade, mas nada foi tão simples…

 

Lucio Almeida Cordeiro
Pai do Tomas, de 3 meses

 

♥ “Essa é a história que eu contarei aos meus netos e bisnetos no futuro, para que eles nunca desistam de seus sonhos e sempre apoiem a mulher de suas vidas!”

 

 

1ª tentativa

Em 2013, fomos ao médico e a Luciana parou o uso do anticoncepcional. Ficamos nas investidas frustradas durante um ano! Todo mês era uma angústia, porque a menstruação da minha esposa atrasava e nós nos empolgávamos, esperançosos dela estar grávida. Mas passavam alguns dias e a menstruação descia! Isso nos fazia chorar muito.

Quando o ginecologista obstetra que nos auxiliava nesse processo disse que os exames solicitados por ele não apontavam nenhum problema comigo ou com a Luciana, decidimos procurar ajuda especializada. Então, em 2014, fomos a inúmeros especialistas em reprodução humana. Fizemos exames diversos e todos traziam o mesmo diagnóstico: não havia problema algum com a saúde do casal.

 

2ª tentativa

“Cansamos de esperar. Decidimos iniciar o tratamento de inseminação in vitro”

Cansamos de esperar. Decidimos iniciar o tratamento de inseminação in vitro, que é muito agressivo. A minha esposa teve que se submeter a doses diárias de hormônios sendo injetadas em seu corpo. Eu me responsabilizei por aplicar cada injeção em sua barriga enquanto via todas as alterações de seu corpo e lidava com as oscilações constantes de humor, porque aquele sonho era NOSSO!

A sucção dos óvulos foi um sucesso! 19 células foram extraídas – um recorde para a clínica. Ao final do processo, carreguei a Luciana no colo para voltarmos à nossa casa, pois a dor que ela sentia no abdômen era muito grande! Apesar disso, com 12 embriões de qualidades superiores, estávamos felizes, pois a implantação tinha tudo para ser um sucesso!

No início de 2015, implantamos 2 embriões. A minha esposa ficou em repouso absoluto por 3 dias, sendo inclusive alimentada na cama, para que não tivesse que se levantar. Passado o período de repouso, nós tivemos que esperar 15 longos dias para fazer o exame de sangue e ver o nosso sonhado positivo…

E ele VEIO! Vibramos, choramos e agradecemos muito a Deus! Passados 5 dias, no entanto, a Luciana foi ao banheiro e viu um sangramento intenso. Ligamos para o médico e ele nos disse que a minha esposa precisava fazer repouso e aplicar hormônios. Mas o sangramento só aumentava!

 

“Quando o médico nos pediu para repetir o exame de sangue,

nosso mundo caiu.

Não estávamos mais ‘grávidos'”

 

Quando o médico nos pediu para repetir o exame de sangue, nosso mundo caiu. Não estávamos mais ‘grávidos’. A gestação não evoluiu. Choramos muito! Eu tentava ser forte, queria ajudar a minha mulher a não desmoronar. Nisso, decidimos que tentaríamos de novo, afinal, nós tínhamos mais 10 embriões.

 

3ª tentativa

E assim foi: em janeiro de 2016, fizemos mais uma vez uma implantação de 2 embriões… A Luciana fez mais 10 dias de repouso. Nesse tempo, eu não conseguia deixá-la nem levantar sozinha para ir ao banheiro!  Lhe entregava comida na cama, rezava e fazia promessas para que dessa vez desse certo! Mas no dia do exame de sangue, nós desmoronamos mais uma vez… minha esposa não havia nem engravidado!

 

4ª tentativa

“Se Deus achasse melhor que nós não gerássemos,

iríamos transferir todo o nosso amor

para uma criança que não tivesse recebido esse afeto”

 

Eu senti que não aguentava mais tanto sofrimento e quis parar as tentativas naquele momento. Passados alguns meses, decidimos entrar na fila de adoção. Eu sabia que queria ser pai e a minha esposa queria ser mãe. Se Deus achasse melhor que nós não gerássemos, iríamos transferir todo o nosso amor para uma criança que não tivesse recebido esse afeto. E assim fomos! Eu juntei todos os documentos e dei entrada no processo. Partimos para as entrevistas, visitas domiciliares e tudo mais.

O processo é muito demorado, mas nós estávamos dispostos a tudo para entrarmos na bendita fila! Um dia, nesse meio tempo, a menstruação da Luciana atrasou, mas isso sempre acontecia! Nós nem ligamos. Passados 20 dias, porém, minha esposa começou a sentir mal estares. Pensamos ‘será’? Realmente não acreditávamos que aquilo seria possível! Ela fez um exame, afinal, se não estivesse grávida, podia estar doente…

 

“E o resultado foi POSITIVO!

A Luciana estava grávida naturalmente,

sem tratamentos.

Era um milagre!”

 

E o resultado foi POSITIVO! A Luciana estava grávida naturalmente, sem tratamentos. Era um milagre! Choramos de alegria durante uma noite inteira. No primeiro ultrassom, porém, tomamos um susto: a Lu estava com descolamento da placenta. Os médicos aconselharam repouso absoluto.

Assim foi até que, às 4 da manhã do dia 23 de agosto de 2016, com 11 semanas de gestação, a Luciana começou a sentir-se mal de madrugada. Resolvemos ir para a maternidade. Antes disso, minha esposa foi ao banheiro. Estava sangrando. Eu arrumei tudo e me lembro que disse ‘vamos, amor, salvar o nosso filho!’, mas a Luciana sentia muita dor.

 

“(…) ela deu um grito de dor

e o nosso bebê desceu por entre as suas pernas.

Nós gritávamos e chorávamos juntos!

A médica nos orientou a dar descarga”

 

E ali, sentada na privada, enquanto eu estava agachado, segurando as suas mãos, ela deu um grito de dor e o nosso bebê desceu por entre as suas pernas. Nós gritávamos e chorávamos juntos! Eu liguei para a médica e ela nos orientou a dar descarga e ir para a maternidade. Fomos os dois chorando muito pelo caminho.

A Luciana passou por um processo de curetagem, perdeu muito sangue e teve que ficar em observação na maternidade por 2 dias. Estávamos de luto!

Com tudo o que aconteceu, resolvemos procurar outro médico. Encontramos um excelente profissional, que ouviu toda a nossa historia e pediu exames que nós nunca tínhamos feito. Então, nós descobrimos o verdadeiro problema.

A minha esposa tem um anticorpo raro, que se chama Natural Killer – o famoso NK. Ele simplesmente mata todos os embriões que chegam ao seu útero, pois, num processo de auto-defesa, elimina tudo o que detecta como risco potencial à saúde dela… mas, na verdade, mata os nossos bebês. Ela também tem trombofilia, o que a impedia de levar uma gestação adiante.

 

5ª tentativa

Depois de todas essas descobertas, pedi para tentarmos pela última vez, porque eu sabia que não aguentaria mais tanta dor e sofrimento. E assim fomos. Iniciado o tratamento, foram 5 meses de vacinas para conter o NK e 286 injeções na barriga, para que a gestação se desenvolvesse perfeitamente.

Em procedimento de vacinação para conter o NK (Foto: Arquivo pessoal/Lucio Cordeiro)

 

Bebê ‘arco-íris’

Nós conseguimos! O Tomas, nosso bebê, veio ao mundo no dia 26/04/2018. Depois de tudo o que nós passamos, domingo será o meu primeiro Dia dos Pais com o meu filho no colo!

(Foto: Arquivo pessoal/Lucio Cordeiro)

(Fotos: Hellen Ramos)

 

Sonho em ter mais filhos e sempre estarei ao meu lado da minha esposa, para que esse nosso sonho se torne mais uma vez possível! Assim, estamos na fila do processo de adoção, aguardando que, um dia, um filho de coração também venha para as nossas vidas!

 

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