Mães Amigas - Davi nasceu em casa, no seu tempo, no meu tempo.

Davi nasceu em casa, no seu tempo, no meu tempo.

Davi nasceu em casa, no seu tempo, no meu tempo

selo materia mae amiga

 

Luciane Fernandes

Mãe do João (4 anos) e Davi (1 ano e 9 meses)

♥ “Venha meu filho querido, estou cansada e preciso que venha, venha que estou pronta para encarar meus medos e você me fortalecerá, venha que estou preparada para encarar!”

 

Entrei em trabalho de parto numa linda noite de sexta-feira (18/10). Era lua cheia e o céu estava lindo, tudo estava organizado aguardando sua chegada, planejamos um parto domiciliar e parecia que aquela lua vinha para iluminar ainda mais a nossa decisão e a chegada do Davi.

Davi nasceu em casa, no seu tempo, no meu tempo

A escolha da equipe foi muito importante, pois sei que, para muitos profissionais, eu não seria a protagonista do meu parto. Por isso, deixo aqui meu relato de que foi um parto domiciliar assistido e com segurança, acima de tudo. Vou contar sobre essa deliciosa e longa história de descoberta, renascimento e nascimento de uma nova mãe e de seu segundinho.

Meu primeiro filho, João, nasceu de um lindo e delicioso parto normal hospitalar e sempre que lembro de sua história de nascimento, lembro o quanto foi gostoso ficar em casa com meu marido, minhas contrações e minha doula querida (Carolina Coppola). Também me vem a lembrança do hospital, das rotinas e de um ritmo não imposto por mim. Parecia que havia uma obrigação, um padrão e o tempo de parir…

Davi nasceu em casa, no seu tempo, no meu tempoE foram por essas lembranças que eu e meu marido entendemos que para nosso segundinho seria diferente, ficaríamos em casa; e para isso buscamos uma equipe que acolhesse essa decisão. Meu primeiro filho nasceu com 40 semanas e 5 dias, esperava que meu segundo viesse antes (#sqn). Mas já se aproximava de 41 semanas e nada, nada mesmo!

Quando cheguei em 41 semanas e 1 dia (já tomada por toda ansiedade do mundo) iniciaram-se as contrações. Por volta das 20h, liguei para minha doula, Carol, que logo chegou em casa. As contrações pegaram ritmo, então logo chegou a Vivi para fotografar a chegada do Davi. Tudo estava indo muito bem, contrações a cada 7 minutos, depois a cada 5 e eu ria e curtia cada minuto. As contrações são intensas mas os braços do meu marido e as mãos de anjo da Carol aliviavam tudo. Quando acabava a contração me dava uma sensação de leveza e de prazer que eu ria.

Mas, por volta das 3 horas da manhã, quando meu médico, Ayrton, se preparava para ir para minha casa, as contrações espaçaram e TUDO PAROU. Espaçou, espaçando, parando e PAROU! Carol e Vivi, voltaram para suas casas com o nascer do sol, afinal era bom que todos descansassem, inclusive eu! Ayrton me visitou na tarde de sábado. Eu tinha medo que ele falasse de indução ou algo do tipo, porque minha bolsa ainda estava íntegra.

Mas, com sua tranquilidade, viu que estava tudo bem e fez sua recomendação: pediu para que eu descansasse e não esquecesse de me alimentar, como quem dissesse “tenha um bom sábado”. E foi assim que se despediu: “aproveite o dia porque tudo voltará a qualquer momento”. Bom, escolhi a pessoa certa para me acompanhar nessa viagem, mesmo que não estivesse acontecendo conforme o planejado, ninguém falou nada sobre o tempo ou qualquer coisa que nos deixassem preocupados.

Davi nasceu em casa, no seu tempo, no meu tempo

Não consegui descansar como deveria, porque em minha cabeça haviam muitos porquês: por que parou? por que mais que 41 semanas? (…). Às 20h, o João foi para casa de seus padrinhos, às 20h30 as contrações voltaram. Não queria ligar para ninguém, mas não saía da minha cabeça o pedido da Carol: “ligue pra mim assim que perceber algo diferente!”.

Então assim fizemos. Logo estavam em casa novamente, Carol e Vivi. Por volta das 3h da manhã as contrações estavam ritmadas. Dr. Ayrton e Dra Carla chegaram antes das 4h e quando foi +/- 4h30 as contrações espaçaram e TUDO PAROU. Espaçou, espaçando, parando e PAROU… de novo!

 

Fiquei angustiada, novamente, me questionando o porquê de tudo aquilo e em cada questão, percebi uma nova resposta a mim mesma, uma nova descoberta de mim mesma. Dr. Ayrton, vendo que tudo desacelerou, me examinou, disse que estava tudo bem e novamente, com toda tranquilidade falou: “aproveite para descansar!”. Eu ri! E mais uma vez tive a certeza de que ele, assim como a Carol, estavam no meu tempo, respeitando o meu momento, do meu marido e o mais importante, o momento do Davi.

Era noite de lua cheia, o céu estava lindo, então resolvi sair para andar com meu marido. Voltei para casa e quando me deitei para descansar, todos que estavam em casa deitaram também. Eu pensei:

Mas em uma casa pequena onde ficariam? Vi as meninas no sofá. “Nossa, onde o Ayrton vai ficar?” Não esquecerei a cena dele deitado na mini-cama do João, fantástico!

O sol nasceu, e é claro que eu não descansei nada. Quando saí do meu quarto, vi que todos já estavam de pé, era por volta de 7h30. Dr. Ayrton saiu, então pensei “se as contrações não engrenarem, quando ele voltar vai sugerir hospital”. E ele voltou… Voltou com algumas sacolas nas mãos… com pão, frios, leite… me olhou e disse: “vamos comer porque é importante ter energia”. E quando olho na cozinha, a dra. Carla estava lavando louças. Meu Deus!!! Que cena mais inusitada… Mais fantástica que a cena dele dormindo na cama do meu filho, foi a do café da manhã.

Eu já não conseguia mais me alimentar, não tinha disposição para comer. Estava exausta e com muita dor nas costas. Passei a vocalizar (mulheres em trabalho de parto não gritam, vocalizam). E como um mantra pedia para meu filho vir, pois estava preparada e aguardava por sua chegada. “Meu filho Amado, eu te quero, quero ser sua mãe, quero tê-lo em meus braços…” estava cansada e com muito medo de falhar. Está aí, esse foi o caminho que tive que percorrer…encarar o medo de falhar.

Meu pós parto do João foi muito difícil e por isso, durante a gravidez do Davi, me questionei muito se daria conta, sempre tive medo de passar por tudo que passei e principalmente, pelo medo de falhar. Pronto, assumi meus medos e disse para o Davi (quando só estávamos eu e ele no quintal):

“Estou cansada, estou com medo, tenho medo de falhar. Tenho medo de falhar no parto, medo de falhar no puerpério, medo de falhar sendo mãe de dois, tenho medo de falhar, mas estou disposta a encarar. Venha meu filho querido, estou cansada e preciso que venha, venha que estou pronta para encarar meus medos e você me fortalecerá, venha que estou preparada para encarar!”

Voltei para o banho, senti um balãozinho no meio das minhas pernas, era a bolsa que ainda estava íntegra. Dr. Ayrton me examinou e novamente disse que estava tudo bem. Sabia que se rompesse a bolsa o processo poderia ser acelerado, falei isso com Ayrton, que me disse: “como o Davi está bem, não precisa romper. Ao menos que queira, ele pode nascer assim, dentro da bolsa”.

Davi nasceu em casa, no seu tempo, no meu tempo

Nessa hora meu coração apertou, porque eu sempre disse que Davi nasceria na bolsa, mas agora quem não aguentava mais era eu. Conversei com meu marido (vi em seu olhar que estava preocupado) e ele disse que não sabia se meu limite tinha sido atingido, mas parecia que sim (ele e eu sabíamos que sim). Aí, decidimos romper a bolsa.

Antes do procedimento, a neonatologista, Ana Paula, foi chamada e, assim que ela chegou, entrei na água e Ayrton furou a bolsa. Bastou isso para que o Davi chegasse.

Todo cansaço foi embora, lembro que foi muito rápido: a cabeça dele já saiu assim que a bolsa foi furada e, na próxima contração, inspirei profundamente e quando expirei, seu corpo saiu. Davi nasceu às 11h11 da manhã de domingo, um lindo domingo de sol e assim, como todos (menos eu) que estavam ali, Davi nasceu tranquilo, não chorou e sim bocejou.

Abriu os olhos, como quem reconhecesse o ambiente onde acordou, e logo fechou. Acolhi meu pequeno em meus braços, meu marido nos abraçou e todo o cansaço acabou. Davi mamou por 30 minutos e por 30 minutos o cordão continuou pulsando. Só foi cortado (pelo pai) quando parou de pulsar. Hoje, vejo que todo processo foi necessário, tudo aconteceu como deveria ter acontecido e sem dúvida, tudo foi respeitado graças à equipe que tive. Davi nasceu com 41 semanas e 3 dias, nasceu no seu tempo, no meu tempo.

 

Nascimento do Davi

 

Davi nasceu em casa, no seu tempo, no meu tempo

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