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Coqueluche é grave, causa tosse seca e pode ser confundida com gripe

14.05.2013

 

A coqueluche, popularmente conhecida como tosse comprida, é uma doença causada pela B. pertussis que apresenta alto risco de morbi-mortalidade para lactentes jovens, particularmente nos primeiros meses de vida.

O número de casos de coqueluche sofreu drástica redução após a introdução da vacina (DPT) no calendário de rotina (ela faz parte da vacina tríplice bacteriana, que imuniza contra difteria, tétano e coqueluche), porém como a imunidade conferida pela vacina não é permanente e não são recomendadas doses de reforço contra a coqueluche após os 7 anos de idade, a eliminação da doença não foi possível.

Estudos demonstram que boa parte dos casos vem ocorrendo inicialmente em adolescentes e adultos jovens, geralmente na forma de tosse prolongada, e que esses indivíduos são a principal fonte de infecção para os lactentes. A transmissão ocorre, principalmente, pelo contato direto de pessoa doente com pessoa suscetível, por meio de gotículas de secreção das vias aéreas, que são eliminadas ao tossir, falar ou espirrar. Embora rara, a transmissão também pode ocorrer por objetos contaminados com secreções do doente.

Em meados de 2011, observou-se um aumento súbito do número de casos de coqueluche e, a partir daí o número de novos casos tem se mantido alto e bem acima do esperado. Em 2012, segundo dados registrados no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), foram notificados, até a última semana epidemiológica de 2012 (SE 52), 15.428 casos suspeitos de coqueluche em todo o país, tendo havido um incremento de 97% em relação ao mesmo período de 2011, em que foram notificados 2.258 casos. Dos mais de 15.000 casos notificados em 2012, 4.453 foram confirmados por meio de exames laboratoriais. São Paulo está entre os estados que apresentaram maior número de casos confirmados (777/916). Entre 2011 e 2012, houve um aumento de 32% do número de óbitos (de 56 em 2011 para 74 em 2012), correspondendo a uma letalidade de 2% dos acometidos.

A faixa etária que apresentou maior número de casos de coqueluche em 2012 (70%) foi a abaixo de 1 ano.

Existem 2 formas de vacina: a DPT e a DPTacelular. A vacina acelular dá menos reação e pode ser adquirida em clínicas de imunização enquanto o SUS oferece gratuitamente a vacina celular.

 

Sintomas

Define-se como “caso suspeito” o indivíduo com tosse seca há duas semanas ou mais, tosse súbita e incontrolável (paroxística) e/ou guincho inspiratório e/ou vômito após a tosse. Em adolescentes e adultos pode se manifestar como caso brando, muitas vezes confundido com uma gripe prolongada, ou como a forma clássica da doença.

A prevenção é a medida mais importante. A vacinação, com a tríplice bacteriana (celular ou acelular), deve ser iniciada aos 2 meses de vida e a criança deve receber mais duas doses: com 4 e 6 meses. Somente após estas 3 doses pode se esperar uma proteção adequada (a eficácia da vacina varia em torno de 80%). Muitas das crianças que tiveram coqueluche confirmada no último ano eram lactentes que ainda não tinham recebido as 3 doses do esquema básico. São preconizadas doses de reforço com 15 meses, 5 anos e depois a cada 10 anos, quando é feita a dupla tipo adulto que contem só o reforço para a difteria e o tétano.

Diante do aumento do número de casos de coqueluche, possivelmente em breve passará a ser incluída no calendário oficial a vacina tríplice bacteriana para adolescentes e adultos, no lugar da dupla tipo adulto. Esta vacina já está disponível nas clínicas privadas de vacinação. A partir do segundo semestre de 2013, o governo passará a disponibilizar a vacina da coqueluche para mulheres grávidas. A inclusão da vacina tríplice bacteriana acelular no calendário da gestante visa garantir que o bebê nasça com alguma proteção contra a doença, evitando que ela ocorra antes dos 6 meses, fase em que a criança ainda não recebeu as 3 doses básicas da vacina.

Não adianta cuidar só de seu filho. Você pode transmitir a bactéria a ele. Coloque seu calendário vacinal em dia!

Silvia Castilho

Escrito por: Silvia Castilho

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