Como ser gestante na Austrália

09.07.2013

selo materia mae amiga

 

Bruna de Oliveira

Mãe da Juju (que ainda está na barriga)

♥ Mora na Austrália e teve que enfrentar as diferenças culturais

 

Olá meninas,

Meu nome é Bruna, moro em Perth, na Austrália já há 5 anos e meio e estou grávida pela primeira vez! Nossa Julia está prevista para o meio do mês de Julho. Como todas devem saber bem, gravidez não é uma coisa fácil, ainda mais por estar sozinha com meu marido do outro lado do mundo… Tudo é novo e diferente do que estamos acostumadas e, para piorar, não temos o colinho da mamãe.

Mas, por outro lado, é maravilhoso viver essa experiência depois que os enjoos passam e você começa a sentir os primeiros chutinhos na barriga.

Minha primeira dificuldade foi descobrir que estava grávida e ter que ir a um clínico geral, pois só ele poderia me indicar para um obstetra. Nesta consulta, eu já tive que optar por ter minha filha no plano particular ou pelo plano público.

Acabamos preferindo pela opção do plano particular, pois dessa forma poderíamos ser acompanhados por um obstetra durante toda a gravidez e não por parteiras. Além disso, eu poderia optar por cesárea caso a gente preferisse ou as coisas se complicassem.

Interessante que, para a escolha do obstetra, por não existirem tantos profissionais assim onde moro, eu tive que ligar para cada consultório e perguntar se o médico ainda estava disponível para a data prevista do nascimento da Juju. Como isso acontecerá em torno do dia 19/7 muitos médicos estavam de férias, outros já sem datas disponíveis, até que, com muito custo, eu achei um! Acredito que tinha que ser ele, sabe?!

Maes-Amigas-blog-maternoAqui na Austrália, quando você opta por ter o seu filho(a) no plano privado, com um obstetra, você paga as consultas médicas, que em média custam A$90,00, e mais o que o médico te cobrar pelo parto. No nosso caso o médico nos cobrou A$2.500. Isso porque o plano público arca com 75% das despesas e o plano privado com os outros 25%. Aí, pagamos as taxas extras do hospital que serão em torno de mais uns A$2.500,00.

Vale lembrar que o governo nos reembolsa parte das consultas também. Tudo aqui é muito justo! Já soube de médicos que cobraram menos e outros que cobraram mais pelo parto, cada um escolhe o seu por um motivo, seja indicação, sorte, preço etc. Aqui o valor cobrado é só pelo médico, não existe equipe. O parto é feito pelo obstetra que você escolhe e mais 2 enfermeiras do hospital. Caso faça a opção de anestesia, o anestesista de plantão irá lhe anestesiar (isso no caso de parto normal, quando acontece de ser parto cesárea você conhece o anestesista antes) e o valor que ele cobrará, você só saberá na hora. Me disseram que é algo em torno de A$1.000,00 pela aplicação.

Caso você faça a opção por ter o seu bebê no plano público, como a maioria das pessoas, eles irão priorizar o parto normal, com certeza! Mas, desde que não ofereça riscos para a mãe e o bebê. Se existir algum risco, eles optarão por indução do nascimento antes de cesárea. Já no plano privado, a escolha é totalmente sua! Eu combinei com meu médico que tentarei parto normal, mas meu limite serão 10 horas de trabalho de parto, então, caso eu não dilate, ou a Juju esteja muito alta, fora de posição ou em risco, iremos para cesária/indução, mas ainda não resolvi o que quero.

Se você opta pelo plano privado, já pode, na primeira consulta, marcar a data do parto, sem problema algum.

Nós temos o plano do governo e também o plano particular que, teoricamente, juntos cobririam 100% de todos os gastos, mas como fizemos a opção do hospital privado, profissionais como anestesista, pediatra, o exame de audição do bebê etc, tivemos que gastar a mais, pois aqui na Austrália esses são gastos são considerados como extras, chamados de out of pocket expenses (despesas que saem do seu bolso). Ou seja, mesmo que a gente queira saber quanto “vai gastar a mais”, só descobriremos o valor real depois do parto, pois teremos que ver quem estará trabalhando quando a Juju nascer.

maes-amigas-blog-materno-01Bom, ai foi só o começo… segundo meu sogro, que é obstetra no Brasil, eu deveria parar a academia normal (que eu já praticava) e mudar minha atividade física para ioga, hidroginástica ou pilates para gestantes. Mas, aqui na Austrália, os médicos me liberaram para continuar a academia e o boot camp (um tipo de exercício feito no parque, como se fosse exército de alto desempenho) que eu já fazia na época. Fui informada que, se me fazia bem, era bom para o bebê também. Com opiniões diferentes, acabei tomando minha decisão e continuei com a academia normal, mas parei com o boot camp.

Depois disso, vieram as proibições do que comer, aí complicou, pois me proibiram de comer peixes e frutos do mar descongelados e mal cozidos, carne mal passada, queijos moles como cammember e brie, alimentos ricos em vitamina A, sushi, saladas fora de casa, maionese caseira, frios comprados no mercado etc. Enfim, tanta proibição tornou impossível comer fora de casa e junto com os enjoos, que também foram aumentando, até 12 semanas de gestação eu havia perdido 2 kilos, ao invés de ganhar! O que eu mais comia era pão com manteiga e purê de batata… rsrs.

Sei que deve ser difícil de compreender muito do que escrevi, mas quis (tentar) passar para vocês como funcionam os procedimentos em outros lugares quando estamos grávidas. Se tiverem dúvidas, estarei a disposição para respondê-las, pelo menos até a Juju nascer… rs

O que me encanta aqui são os grupos de mães presenciais. O próprio hospital tem dias da semana para diferentes faixas etárias dos pequenos e, nessas reuniões fazemos amizades, dividimos experiências, temos apoio de profissionais que auxiliam com amamentação, informações, apoio psicológico etc.

Sobre sentimentos, nem me digam, quantas vezes eu quis ter minha mãe e irmãs nas consultas, nos ultrassons, nas compras, nos dias em que não me sentia bem, quando a barriga começou a crescer! Enfim, foram meses difíceis, mas que me aproximaram demais da minha pequena! Como nós conversamos, como fazemos companhia uma para outra!

Quando papai chegava em casa e conversava com ela, era pulinho pra todo lado! rsrs. Agora, com 34 semanas completas e tudo já encaminhado para sua chegada, estamos somente no aguardo e preparando os detalhes do quartinho e do chá de bebê, só que agora do ladinho da vovó (minha mãe veio passar 6 meses comigo). Não preciso nem comentar sobre minha felicidade né?! Skype, internet, email ajudam muito, mas nada como tê-la aqui do meu ladinho, me mimando…

Eu ainda estou na academia, fiz durante a gravidez toda e super indico, acho que faz muito bem para a cabeça e corpo! Quero continuar enquanto eu me sentir bem! Fim do ano estaremos no Brasil! Será o momento do meu pai e dos meus irmãos conhecerem minha filha pessoalmente e termos nosso primeiro Natal com a família completa!

Espero que eu possa curtir algum dos eventos do grupo Mães Amigas enquanto eu estiver aí e poder conhecer pessoalmente algumas de vocês, junto com minha Juju!

Beijos em todas!

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