Como fazer uma adaptação sem traumas no berçário

10.04.2013

 

Só quem é mãe e está prestes a deixar o filho no berçário sabe a angústia que tem no peito. Comigo foi assim também, com 4 meses e meio comecei a adaptação da Yasmin e, quando ela tinha 5 meses voltei ao trabalho. Foi difícil, confesso, mas há maneiras de tornar esse processo mais suave para mães e bebês. A psicóloga Mayra Mota Kalil Wogel, de 33 anos, vai nos ajudar.

Mayra é mãe de uma menina de 3 anos e de um menino de 6 meses, ou seja, já passou por isso 2 vezes e a segunda acabou de acontecer. Formada em Psicologia pela PUC Campinas e com cursos de especialização em observação de bebês e desenvolvimento infantil, ela atua há 7 anos e meio como psicóloga no Instituto Jacarandá de Educação Infantil, ONG que atende filhos de funcionários da empresa Medley e crianças da comunidade, da faixa de 4 meses a 6 anos de idade.

“Há 7 anos não havia adaptação aqui na escola, as mães tinham que retornar ao trabalho, deixavam os bebês aqui chorando e iam embora chorando também. Aos poucos, fomos construindo esse processo, com bastante resistência das educadoras, é verdade, mas hoje é muito diferente, todos entendem – mães, pais e educadores – que o período de adaptação é fundamental tanto para a mãe quanto para o bebê”, explica Mayra.

Para que esse processo não seja traumático, Mayra nos dá algumas orientações:

– Em primeiro lugar, a mãe deve fazer uma auto-avaliação de como ela está se sentindo em relação ao fato de deixar a criança no berçário. Você está segura da sua decisão? Na maioria das vezes, deixar o bebê no berçário não é uma escolha, mas uma necessidade – como é o caso das mães que precisam retornar ao trabalho ao final da licença-maternidade. Muitas mães desejam voltar à vida profissional, mas outras gostariam de parar tudo para ficar com a criança – e nem sempre podem fazer isso. Procurar apoio e suporte na família e nas amigas ajuda muito nesse processo, conversar com o pai do bebê sobre seus sentimentos é muito importante para amenizar essa angústia. O processo todo será mais tranqüilo se a mãe estiver segura de sua decisão.

Yasmin no primeiro dia de adaptação, sempre curtindo.

Yasmin no primeiro dia de adaptação, sempre curtindo.

– Bem, depois, é preciso ter certeza da escolha do berçário. Conheceu bem e gostou do berçário e da forma como as educadoras lidam com as crianças? Muitas escolas infelizmente não querem se expor, e as mães devem deixar seus filhos no portão e voltar 1 hora depois ou aguardar na recepção enquanto a criança fica lá dentro. Quando a escola abre as portas para a mãe é possível construir uma confiança que não existia no início, quando ela foi lá apenas conhecer o espaço. Se a mãe fica próxima ao bebê, ensinando a educadora como o bebê gosta de dormir, de tomar mamadeira, de brincar, a que tipo de sons ele reage, que barulhos faz com a boca etc., vai construindo uma relação de confiança entre mãe, bebê e educadora que é fundamental para o bem-estar de todos.

– Também é importante conversar com o bebê antes, falar que tal dia irão juntos para a escolinha, que ele irá conhecer vários amiguinhos, brincar bastante, que é um lugar bonito, com muitos brinquedos e pessoas legais. Não há comprovação científica de que o bebê compreende tudo, mas na prática você vai ver que funciona muito.

– Mayra sempre indica a seguinte sequência para a adaptação: é obrigatório fazer 3 dias de adaptação. Pelo menos 1 semana, mas o ideal seriam 8 dias (úteis). No primeiro dia, fique na escola 1 ou 2 horas, sempre  o tempo todo com o bebê, apenas para ele se acostumar ao ambiente. No segundo dia, fique umas 3 horas na escola e tente se distanciar um pouco, mas ficando ainda no mesmo ambiente que ele, sempre a vista, apenas deixando ele interagir mais com a educadora, é claro que sempre respeitando o bebê e as reações dele. E assim vá aumentando gradativamente o tempo em que fica na escola e se distanciando aos poucos, até chegar a um ponto em que perceba que o bebê está seguro para dormir, tomar banho, se alimentar e brincar com a educadora. Você saberá a hora em que o período de adaptação terminou.

E é verdade. No meu caso, só fiquei tranqüila depois que a Yasmin dormiu no berçário, lá pelo 5º dia de adaptação. Depois disso, os outros dias foram muito mais tranqüilos, tanto pra mim quanto pra ela. E pra cada mãe haverá um “marco” nesse processo.

Mayra ainda diz que é mito essa história de que o bebê fica bem nos dois primeiros dias e depois só chora ao perceber que aquilo será sua rotina. “Cada bebê reage de um jeito, alguns têm alteração da alimentação do sono e da alimentação em casa, outros não. Alguns choram desde o início, outros não choram nunca. A mãe, melhor do que ninguém, conhece seu bebê e geralmente já avisa se ele é mais ou menos sensível, se fica bem com outras pessoas (babá, avó etc.) ou não, saber disso tudo auxilia a escola a tornar esse processo menos doloroso e mais prazeroso. Em alguns casos, a mãe desiste de determinada escola achando que o filho não gostou. Meses depois escolhe outra escola e tudo vai muito bem. O que aconteceu nesse período? Será que a própria mãe não amadureceu a idéia da escolinha e transmitiu essa segurança ao filho? Tudo isso pesa no processo e deve ser avaliado tanto em bebês quanto em crianças até 2 anos de idade”, afirma a psicóloga.

 

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