Como fazer com que lição de casa dos filhos não seja um pesadelo

Como fazer com que lição de casa dos filhos não seja um pesadelo

Selo Profissional-4

 

Karina Fusco é jornalista colaboradora do Grupo Mães Amigas, onde escreve principalmente sobre comportamento, saúde e educação. É também editora do blog Lugarzinhos Especiais, que traz dicas de passeios, estadia e gastronomia que podem ser feitos, inclusive, com crianças. 

 

 

Como fazer com que lição de casa dos filhos não seja um pesadelo29.07.15– Quando a lição de casa passa a fazer parte da rotina da criança, os pais também precisam se organizar para que os pequenos tenham um momento dedicado a isso entre todas as demais atividades do dia. Há casos em que eles não dão trabalho, se envolvem com o dever tranquilamente. Mas há crianças em que a mãe precisa mandar fazer a lição mil vezes e ainda assim, se não ficar em cima, é feito pela metade e de qualquer jeito.

Como fazer com que lição de casa dos filhos não seja um pesadelo

Sabendo desta dificuldade que exige paciência de pais e mães, o psicólogo e mestre em Educação, Marcos Meier, de Curitiba, PR, escreveu o livro “Desligue isso e vá estudar”, publicado pela Editora Fundamento.

Em entrevista ao site Mães Amigas, Meier fala sobre a importância do dever de casa, quando e porque as crianças costumam protelar para fazê-lo e qual deve ser o papel dos pais diante desta obrigação dos filhos. “Os pais precisam ter autoridade sobre os filhos, inclusive me relação à lição de casa, ou o momento de estudo”, diz.

Entrevista com Marcos Meier

Mães Amigas:  – Por que algumas crianças costumam protelar ao máximo o momento de fazer a lição de casa?

Marcos Meier: O cérebro humano está “programado” para fugir da dor e do que não dá prazer. Por essa razão, a lição de casa, muitas vezes só repetitiva, fica sendo “empurrada” até que os pais obriguem a criança a fazer ou a escola apresente alguma pressão maior. Quando a criança percebe que a lição de casa realmente ajuda na aprendizagem, a tendência é que ela a faça. Entretanto, como a vida não é só prazer, os pais precisam mostrar que as obrigações têm que ser atendidas antes do prazer. Não é fácil, mas pessoas de sucesso aprendem a priorizar.

Mães Amigas: Em qual idade ou fase dos filhos esse comportamento é mais comum?

Marcos Meier: Na pré-adolescência, quando a escola passa a ser muito repetitiva, quando há muitas “cópias” a serem feitas da lousa. Isso ocorre em torno de 9 a 13 anos de idade. Claro, há muitas exceções, mas normalmente quando a família é mais funcional, as crianças sofrem menos com lições de casa.

Mães Amigas: Qual é a melhor forma de incentivar as crianças a fazer o dever de casa sem ter que ficar cobrando a todo momento que elas o façam?

Marcos Meier: Criar hábito! Quando a família prepara o ambiente diariamente para que a lição de casa seja feita, ela ajuda a criança a desenvolver o hábito de estudar naquele horário. Quando não houver lição de casa, ela pode ler, escrever, rever os cadernos, enfim, é hora de estudo, de mais nada. Sempre é bom lembrar que em países evoluídos a maioria das crianças estuda o dia todo! Isso significa que ir para a aula num período e fazer lição de casa durante uma hora no outro período é o mínimo que se pode esperar de uma educação de qualidade. Não estudar além da escola gera alunos dependentes do saber do professor em vez de se tornarem conscientes de seu próprio poder de aprender, praticar e mudar a sociedade.

Mães Amigas: A televisão e os eletrônicos em geral fazem uma concorrência desleal com a necessidade de fazer a lição de casa. Como tornar o dever mais atrativo, sendo que a maioria das escolas ainda determinam atividades em cadernos, livros e apostilas?

Marcos Meier: A escola é a instituição social que mais demora a atualizar-se. No entanto, não adianta colocar tablets nas mãos dos alunos se os softwares forem retrógrados como muitos o são. Ou seja, os programas precisam desenvolver na criança a autonomia e não a dependência e infelizmente não é isso que estamos vendo nessa área. Por exemplo, de que adianta um software colorido, com música de fundo em que o aluno só precisa clicar e “virar uma página” dentro do programa? Seria melhor um livro que faz a mesma coisa sem atrapalhar com enfeites supérfluos como cores e músicas.

Mães Amigas: É correto dar recompensas aos filhos, seja uma sobremesa, um doce, um brinquedo etc, pelo fato dele fazer a lição sem ter que mandar? Marcos Meier: A recompensa tem que vir de dentro, para gerar autonomia e motivação interna. Se presentearmos, a criança focaliza no prêmio e passa a esperar a recompensa externa e não o aprendizado ou o prazer de ter superado uma tarefa.

O melhor a fazer é elogiar, mostrar os ganhos, evidenciar que, tendo feito a lição, ela aprendeu melhor e o tempo agora está livre para brincar. Isso gera motivação.

Mães Amigas: As mães devem ficar o tempo todo sentadas ao lado da criança para que ela faça a lição, mesmo ela tendo capacidade de fazer sozinha? Qual é a conduta ideal?

Marcos Meier: Se a criança tem capacidade de fazer sozinha, a mãe não deve ficar ao lado, isso gera comodismo, dependência, preguiça e a falsa esperança que a mãe faça por ela. É melhor levar uma bronca da professora ou uma nota baixa por falta da lição que entregar algo que não seja fruto do próprio esforço. Ajudar a fazer lição significa na prática desligar a televisão, desligar a internet, levar os irmãos para outro ambiente, enfim, preparar o lugar para que a lição seja feita. Essa é a melhor forma de ajudar. No entanto, muitas crianças não sabem estudar. Não sabem nem procurar o assunto no índice do livro, pois metodologia de estudos não é foco da escola, infelizmente. Basta ver alunos universitários que não sabem nem fazer uma referência bibliográfica ou que pesquisam seus temas na Wikipédia como se fosse de uma fonte altamente confiável. Para essas crianças é necessário ensinar COMO estudar para só então deixa-la sozinha em suas tarefas escolares.

Mães Amigas: E se a criança se recusar a fazer sozinha?

Marcos Meier: Sabemos também que se a criança se recusa a fazer a lição ou simplesmente não a faz, é porque o erro está no exercício da autoridade dos pais e, neste caso, o problema não está na criança. Infelizmente, nossa sociedade acha que “ser pai” ou “ser mãe” é instintivo e não há necessidade de aprender por meio de cursos ou livros. Entretanto a Ciência evoluiu muito e conhece melhor como a criança e ao adolescente funcionam. Isso não pode ser simplesmente descartado em nome da intuição. Ser pai ou ser mãe deve ser fruto de muita responsabilidade e aprendizagem.

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