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O roubo da bolinha vermelha

22.01.2018 O caso da bolinha vermelha aconteceu há 3 anos com o Miguel, e eu resolvi compartilhá-lo com vocês após a lembrança de um post que eu fiz sobre o episódio aparecer no Facebook. O que esse acontecido pode ensinar a uma mãe? Vem comigo nessa história!

Meu marido saiu com o Miguel, 4 anos, para ir ao mercado. Na volta, meu pequenino me chamou no quarto todo feliz e tirou do bolso uma bolinha vermelha.

A conversa foi mais ou menos assim:

РṂe, olha a minha bolinha! Eu comprei, custou R$5,51!

– É, filho? Você comprou? Mas com que dinheiro?

РṆo, ṃe, eu comprei sem dar o dinheiro!

РFilho, como assim voc̻ comprou sem dar o dinheiro?

– É, mãe, eu comprei, mas não dei o dinheiro… shiiiiu (barulhinho com a boca), mãe, é nosso segredo! Não conta para o papai!

– Filho, como assim? Isso não é comprar, é roubar! (Essa foi minha reação inicial, após uma vontade imensa de rir)

– Roubar? (Ele falou naquela tom de “que palavra é essa?”)

Fui até a cozinha e perguntei para o meu marido se ele tinha comprado a bolinha. Ele afirmou que não, mas disse que o Miguel tinha pedido para que ele a comprasse e ele negou! Expliquei o acontecido e voltei para o quarto.

РFilho, deixa a maṃe te explicar uma coisa, senta aqui.

Ele, imaginando que fez coisa errada, me obedeceu e escutou. Expliquei como funciona o mundo financeiro naquela linguagem educativa e materna que sempre precisamos usar com os nossos filhos.

Meu marido entrou no quarto e reforçou que nem sempre podemos comprar o que queremos. Para isso, era necessário trabalhar, ganhar dinheiro e organizar quais serão as prioridades de compra da casa e que, por essa razão, ele não tinha comprado a bolinha. Reforçou se ele tinha entendido o que a mamãe havia conversado com ele e o Miguel, meio chorando, respondeu que sim, completando que não podia pegar mercadorias sem dar o dinheiro, pois era errado.

Combinamos que no dia seguinte iríamos até a loja e devolveríamos a bolinha vermelha!

No dia seguinte eu sai de casa afirmando que antes de irmos para a escola, iríamos até a farmácia devolver a bolinha. Já no carro, logo que estacionei, o Miguel comentou: “mãe, foi ali que eu peguei a bolinha!”

Entramos na farmácia (ele foi de boa, com a bolinha e o papelzinho que estava junto, descolado, na mão), mas quando deu de cara com o dono, travou e se escondeu atrás de mim. Eu abaixei, para ficar da mesma altura que ele, e juntos entregamos a bolinha para o moço, dizendo que estávamos lá para devolve-la, pois ontem ele havia a pegado sem dar o dinheiro.

O moço sorriu, agradeceu, perguntou qual era o seu nome e falou:

РMiguel, voc̻ gostou da bolinha?

Meu filho acenou com a cabeça, dizendo que sim.

РO que voc̻ fez foi errado, mas gostei de voc̻ vir at̩ aqui falar a verdade e, por isso, eu vou te dar a bolinha de presente. Voc̻ aceita?

Falei com a cabeça que não era preciso, mas ele fazia questão! Confesso que fiquei sem reação, pois tinham 2 clientes na farmácia, e reforcei que o que era certo era certo e ele, mesmo com 4 anos, precisava aprender que para ter as coisas é preciso pagar por elas. O moço da farmácia foi muito solícito e disse que com certeza ele já tinha aprendido.

Na saída, reforcei para o Miguel que o moço o tinha presenteado por ele ter sido honesto, e que essa palavra significava falar sempre a verdade.

Meu pai dizia que “valor é tudo aquilo que é importante e deseja-se preservar”. Sempre ouvi dele que de tudo que ele podia nos ensinar, os valores eram os mais preciosos, pois ficariam para sempre em nós. Honestidade era um desses valores e eu sempre cresci com ele em mente.

Desde que me tornei mãe, uma das minhas metas é mostrar para meus filhos os valores que eu e meu marido acreditamos não apenas nas palavras, mas também no exemplo.

Acredito que é nosso papel educar e saber aproveitar cada situação para ensinar aos nossos filhos os valores morais os quais acreditamos e desejamos que eles sigam repassando vida afora.

 

 

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