A dor de contar sobre o câncer aos filhos

 

 

Kelli Andrade
Mãe do Bryan 14, e Hugo 4

“Mas, uma coisa eu já estava aprendendo: viver intensamente cada minuto, querendo cada dia mais estar perto deles.”

 

Contei aos meus filhos que estou com câncer

No dia 29 de agosto de 2016, jamais imaginaria que viveria um filme de terror, a descoberta do câncer. Logo pensei, mas, e os meus filhos? Como iria ser para eles? Estava com o resultado nas mãos de uma biópsia de um linfonodos na axila, metástases carcinoma, exames de sangue, raio x de pulmão, ultrassom do abdômen, cintilografia óssea, e nesses lugares nada de tumor. Fiz então mamografia e ultrassom da mama, foi ali que descobrimos os tumores, sim “os” tumores, pois já eram quatro! Após a biópsia recebemos a notícia de que era maligno. Como já estava avançado o médico achou melhor a retirada total da mama.

Meu Deus como eu chorei… Como eu iria contar para os meus filhos? O Hugo não entenderia afinal tinha apenas 3 anos, mas e o Bryan? Ele tinha 13 anos, entenderia muito bem o que estava acontecendo. Fiquei com medo de sua reação. No mesmo dia em que descobri, fui para a casa da minha mãe, com um nó na garganta, mas tinha que ser forte!

Assim que o Bryan chegasse da escola e eu teria que contar para ele. Engoli o choro e contei tudo! Nessa hora ele me abraçou e chorou. Imagina como eu fiquei por dentro? Me sentia quebrada em pedacinhos… Mas, uma coisa eu já estava aprendendo: viver intensamente cada minuto, querendo cada dia mais estar perto deles.

Chegou o dia da cirurgia e eu não sabia como seria para meu filho mais novo de apenas 3 anos. Quanto tempo eu ficaria sem conseguir vê-lo? O que ele iria pensar? Não deixei de pensar nele nem por um minuto. Internei na segunda-feira, a cirurgia foi na terça. Na quarta-feira eu já tive alta, tudo havia corrido muito bem Graças a Deus! Voltei para casa do pós operatório com um dreno pendurado. Na hora de ver o Hugo foi muito triste pois ele se assustou em me ver naquela situação, não quis chegar perto de mim. O Bryan já tinha ido me visitar no hospital então não se assustou.

Como meu marido tinha que fazer meu curativo, resolvemos falar para o Hugo ajudar, foi quando ele voltou a se aproximar de mim. Quando me recuperei da cirurgia iniciaram as químios. Eu havia conversado com meus filhos sobre como seria esse novo processo e tudo foi mais tranquilo para eles. O Bryan, já mocinho, até queria raspar o cabelo como o meu! O Hugo nem ligou pela minha falta de cabelo, pelo contrário, achou o máximo!

Estou próxima da última quimioterapia vermelha e estou muito bem. É claro que jamais posso esquecer que Deus sempre esteve comigo em tudo que eu já passei e ainda vou passar! Meu marido, meus filhos, família e amigos foram essenciais em tudo que vivi nesses 8 meses.

Jamais esqueçam de ser cuidar e de fazer os exames de rotina, vivam a vida e ame cada momentos de suas vidas!

 

A dor de contar sobre o câncer aos filhos

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