A chegada do irmãozinho…

16.10.2012 – A chegada do irmãozinho… Com a chegada de um novo filho, os pais têm sensações muito complexas. Sentem que tem que abrir um espaço tanto na casa quanto na mente deles para dar lugar ao filho que está chegando. Ao mesmo tempo, têm receio de estar desviando a atenção do filho mais velho, ou de não ter a mesma disposição, tempo e paciência para se ocupar dele como o faziam antes da chegada do irmão. Nesse momento, as próprias vivências dos pais (de acordo com o lugar que eles mesmos ocupam nas famílias de origem: se são os primeiros, segundos ou últimos filhos) vão influenciar na forma como eles possam lidar com a situação.

A chegada do irmãozinho…

Também muda a dinâmica do casal: com a chegada do bebê, a mãe está mais sensível e cansada e precisa do suporte do marido. O marido tenta dar esse suporte, mas também precisa cuidar do(s) filho(s) mais velho(s) e a preocupação com a responsabilidade de uma família maior o obriga muitas vezes a dedicar mais tempo e esforço a seu trabalho. 

A mãe está muito ocupada com o cuidado do bebê e sente que não pode dar ao filho mais velho toda a atenção que gostaria. Os pais dormem pouco e não têm muito tempo para o lazer. 

É um momento delicado, a chegada de um novo integrante é uma mudança qualitativa na vida familiar, cada um dos membros tem que encontrar seu novo lugar, mas também é um momento muito rico em vivências e sentimentos. Se pais e filhos podem aproveitar esse movimento em que tudo se transforma, será uma experiência de crescimento e amadurecimento das relações familiares.

Como os filhos vivem esta experiência? 

Em termos gerais, para uma criança é muito bom ter irmãos, mas dentro dos seres humanos convivem sentimentos ambivalentes. Então, se por um lado, a criança se sente feliz de ter um irmão, que representa uma nova fonte de afeto que ira acompanhá-la ao longo da vida por outro lado, em alguma medida, também ela pode ver o irmão como um rival com quem vai ter que compartilhar o amor que os pais antes dedicavam só a ela

 

“Um aspecto que deve ser levado em conta são os ciúmes”

Os ciúmes constituem um sentimento muito forte tanto em crianças como em adultos. Como minimizar seus efeitos?

É importante conversar com a criança ao longo da gestação na medida do que ela pode compreender e deseja saber, porque assim pode ir se acostumando à ideia de ter um irmão. A chegada de um bebê deve representar a menor alteração possível na vida da criança, sobretudo se até esse momento era filho único. Por exemplo, se a criança vai ter que ceder o berço, é conveniente preparar a cama, ou quarto novo, alguns meses antes do nascimento do irmão. Desta forma ela vai poder viver essa situação como um progresso, como o reconhecimento de que está crescendo, e não vai sentir que o bebê está usurpando seu lugar. Não é desejável que as mudanças necessárias (tais como: começar a frequentar a escola, deixar as fraldas, a chupeta, etc.) estejam associadas à chegada do irmão, pois neste caso, a criança poderia achar que ele veio para despojá-la de todos os privilégios e afastá-la dos pais.

Os filhos crescem tendo os pais como referencia fundamental, por isso as atitudes deles podem favorecer ou dificultar o relacionamento entre os irmãos: as situações de rivalidade, ciúmes, etc.

É importante reconhecer a individualidade de cada filho, não ter preferências, não fazer comparações e valorizar as características particulares de cada um. 

Às vezes a criança não demonstra sentir ciúmes até que o bebê começa a aparecer, a se expressar. Por isso é importante que os pais possam valorizar o crescimento do filho mais velho, valorizar as conquistas já alcançadas como, por exemplo, que ele sabe andar, falar, brincar com amigos, aprender coisas novas. Não mama do peito da mãe, mas tem um universo de alimentos para experimentar. 

É preciso que a criança possa sentir que o bebê faz parte da vida dele, para isso a mãe pode permitir que ela a ajude, que colabore, por exemplo, trazendo a toalha na hora do banho. Pode permitir que ela segure o bebê, desde que sentada  num lugar seguro, apoiando o bebê no seu colo, com um adulto cuidando para que nenhum movimento brusco ou abraço demasiado intenso possa vir a machucar o bebê. 

Os ciúmes podem adotar formas muito diferentes: as crianças ficam agressivas, ou adoecem, ou ficam tristes, ou muito apegadas à mãe. Têm condutas regressivas: voltam a fazer xixi na cama, falam como se fossem bebês. Às vezes ficam rebeldes, têm birras, e com essas condutas provocam o que justamente têm medo que ocorra: os pais ficam bravos, e isso é interpretado por elas como a confirmação da temida perda do amor dos pais. 

As crianças precisam nesse momento de provas de afeto por parte dos pais. É importante que eles digam e demonstrem a criança que a amam, mas ao mesmo tempo, precisam ser firmes e mostrar os limites da realidade. É um equilíbrio delicado que requer sensibilidade e paciência.

Os ciúmes são inevitáveis, mas se não são excessivos, podem ajudar a criança a se transformar pouco a pouco em um ser mais tolerante e independente.

Quando os filhos de uma família estão satisfeitos com o afeto que recebem dos pais, porque eles conseguem ama-los sem fazer comparações, sem ter preferências, respeitando as características próprias de cada um, a intensidade e o efeito dos ciúmes será de menor importância. 

 

 

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